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Astrônomos contestam existência de buraco negro ‘impossível’ na Via Láctea

Compartilhe:     |  15 de dezembro de 2019

Algumas semanas atrás, cientistas da Academia Chinesa de Ciências anunciaram a descoberta de um buraco negro “impossível” na Via Láctea. Entretanto, três novos estudos contestam o achado.

Caso você não se lembre, aqui vai uma recaptulação: com a ajuda de telescópios do mundo inteiro, os chineses identificaram uma estrela oito vezes maior que Sol, situada a 15 mil anos-luz da Terra. As análises também indicaram que ela estaria orbitando um buraco negro (que os experts batizaram como LB-1) com massa 70 vezes maior que a nossa Estrela Mãe.

Para isso, os cientistas utilizaram um método conhecido como velocidade radial, que mede a rapidez em que uma estrela orbita determinado corpo. A ideia é que, se você puder ver quanto cada objeto está se movendo, baseando-se em suas ocilações de luz, poderá calcular a massa dele.

Entretanto, segundo dois astrônomos da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, a luz que os chineses acreditavam estar variando, na realidade, não está. “Mostramos que, de fato, não há evidências da variabilidade da velocidade radial da linha de emissão de hidrogênio-alfa [luz que teria sido observada pelos chineses], e que suas aparentes alterações se originam de mudanças na linha de absorção de hidrogênio-alfa da estrela luminosa”, escreveram em seu artigo.

Em outras palavras, o efeito observado pelos chineses é uma ilusão causada pelo método que utilizaram para realizar as medições de luminosidade. Para os norte-americanos, o fenômeno analisado nada mais é que um sistema binário de estrelas, em que uma orbita a outra.

Um astrônomo da Universidade de Auckland, na Nova Zelândia, também publicou um artigo questionando a existência desse buraco negro tão massivo. Para ele, a estrela em questão está orbitando um buraco negro – mas muito menor que o especulado, com apenas de 4 a 7 vezes a quantidade da massa do Sol.

A análise foi feita por simulações de sistemas de estrelas e buracos negros. Ao comparar os resultados obtidos com as informações que tinham, perceberam que, para o LB-1 ter 70 vezes a massa solar, seria preciso estar muito mais longe que 15 mil anos-luz.

Finalmente, um último estudo de pesquisadores da Universidade Católica de Lovaina, na Bélgica, também analisou a linha de emissão de hidrogênio-alfa da estrela, mas com outro telescópio. Dessa forma, eles chegaram à mesma conclusão dos pesquisadores da Universidade da Califórnia. “Não há evidências de uma grande proporção de massa e, portanto, de uma grande massa absoluta do buraco negro”, escreveram eles em seu estudo, que será publicado no periódico científico arXiv.

Sendo assim, esses estudos colocam em xeque a descoberta que, segundo o que os cientistas da China declararam, “nos obriga a reexaminar os modelos de como os buracos negros de massa estelar se formam”. A equipe chinesa ainda não se pronunciou sobre o assunto.



Fonte: Revista Galileu



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