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Astrônomos detectam origem de fenômeno de alta energia do Universo

Compartilhe:     |  29 de junho de 2019

Durante muito tempo, elas foram difíceis de identificar. Mas agora astrofísicos conseguiram pela primeira vez detectar a origem de uma rajada rápida de rádio, um fenômeno de alta energia que dura apenas alguns milissegundos.

“Esse é o maior avanço no campo desde que astrônomos descobriram as primeiras rajadas rápidas de rádio em 2007”, disse ao site Science Alert o engenheiro espacial Keith Bannister, da organização de pesquisa industrial e científica da Austrália (CSIRO, na sigla em inglês).

Batizado de FRB 180924 (ele leva o nome do dia em que foi descoberto), o sinal começou nos arredores de uma galáxia com um tamanho similar ao da Via Láctea e localizada a 3,6 bilhões de anos-luz da Terra.

É a segunda rajada mais rápida já localizada na região. A mais veloz, a FRB 121102, é um caso particular, porque ela pulsa de forma repetitiva, o que permitiu que cientistas pudessem rastreá-la até uma galáxia-anã a 3 bilhões de anos-luz de distância.

Mas as rajadas de um único pulso aparecem no espaço sem aviso. São impossíveis de prever e dificílimas de rastrear. Ainda assim, pesquisadores conseguiram acompanhar a FRB 180924 usando um complexo conjunto de antenas de rádio, o ASKAP. E, ainda que geralmente as rajadas sejam identificadas depois de acontecerem, desta vez o pulso foi visto no momento em que ocorria.

Assim, analisando a minúscula diferença de tempo — coisa de biolionésimos de segundos — que o pulso atingia os 36 detectores do ASKAP, foi possível traçar uma rota da rajada. O resultado surpreendeu os pesquisadores: o fenômeno se originou a 13 mil anos-luz do centro de uma galáxia, do tamanho da Via Láctea, que não está mais formando novas estrelas.

“Isso sugere que rajadas rápidas de rádio podem ser criadas em vários ambientes, ou que aquilo que foi detectado pelo ASKAP, e aparenta ser pulsos únicos, na realidade são gerados por um mecanismo diferente daquele em que o pulso se repete”, disse o astrofísico Adam Deller, da universidade de tecnologia Swinburne.

E não é só a repetição que diferencia os sinais analisados. As frequências de cada um deles são diferentes. “Então talvez tenhamos que reavaliar nossas teorias”, disse Bannister.

Os avanços podem trazer respostas não só das rajadas, mas de fenômenos de todo o universo, já que a distância entre o início e o fim do pulso pode nos explicar quanto de gás viaja com ele. E isso, por sua vez, pode nos dar pistas sobre o que existe no misterioso espaço entre as galáxias.



Fonte: Revista Galileu



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