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Astrônomos detectam planeta do tamanho de Netuno próximo à Via Láctea

Compartilhe:     |  25 de junho de 2020

Uma equipe de astrônomos de diversos países publicou na Nature nesta quarta-feira (24) a descoberta do planeta AU Mic b, que tem o tamanho de Netuno. O astro orbita a estrela AU Microscopii, situada a 32 anos-luz da Via Láctea, e tem “apenas” 20 ou 30 milhões de anos — pelo menos 150 vezes mais jovem que o Sol.

Segundo os cientistas, o planeta tem uma massa de não mais que 58 Terras e completa uma órbita a cada 8,5 dias, o que indica que está bem próximo de sua estrela. Além disso, os astrônomos acreditam que ele não tenha mais de 25 milhões de anos — e estudá-lo seria uma forma de compreender como os planetas evoluem. “Estudar esse planeta, e espero que outros, pode nos dar uma ideia de como nosso próprio Sistema Solar se formou”, explicou Tom Barclay, um dos estudiosos, em comunicado.

Quando a estrela AU Microscopii foi encontrada nos anos 2000, um disco de detritos remanescentes de sua formação também foi identificado. Por isso, desde então os astrofísicos têm procurado por planetas naquela região do espaço, já que é em discos de poeira e gás como esses que eles formam.

“Essas estrelas geralmente têm campos magnéticos muito fortes, o que as torna muito ativas. Isso explica em parte por que demorou quase 15 anos para detectarmos o exoplaneta AU Mic b”, afirmou Jonathan Gagné, coautor da pesquisa, em declaração à imprensa. “Os inúmeros pontos e erupções na superfície de AU Mic dificultaram sua detecção, o que já era complicado pela presença do disco [de detritos].”

Pontos e erupções na superfície da AU Mic dificultaram detecção do planeta (Foto: NASA's Goddard Space Flight Center/Chris Smith)
Pontos e erupções na superfície da AU Mic dificultaram detecção do planeta (Foto: NASA Goddard Space Flight Center/Chris Smith)

Foi graças ao satélite TESS, da Nasa, que os astrônomos puderam detectar um corpo cósmito que passava periodicamente em frente à AU Mic, bloqueando uma pequena fração de sua luz. Investigando esta parte do Universo mais a fundo, com a ajuda de outros equipamentos da agência espacial dos EUA, os cientistas passaram a ter cada vez mais certeza de que haviam encontrado um novo planeta.

Entretanto, foi só após as observações realizadas com o instrumento iSHELL, situado no Havaí, que os profissionais puderam fazer medições precisas do movimento da estrela. A análise revelou uma leve oscilação da AU Microscopii em resposta à atração gravitacional do planeta — e isso confirmou a existência do AU Mic b.

Astrônomos detectaram oscilações na luminosidade da estrela, o que sugeriu a presença de um planeta (Foto: NASA's Goddard Space Flight Center/Chris Smith)

Astrônomos detectaram oscilações na luminosidade da estrela, o que sugeriu a presença de um planeta (Foto: NASA Goddard Space Flight Center/Chris Smith)

Próximos passos
Agora os cientistas pretendem aprender mais sobre a atmosfera do novo planeta. Como ele se formou recentemente, pode ser que esteja passando pela fase em que está perdendo sua atmosfera. Observar este e outros fenômenos seria particularmente interessante porque permitiria aos astrônomos analisar como um planeta evolui.

De acordo com os pesquisadores, observações cuidadosas também podem ajudar a determinar de que a atmosfera do AU Mic b é composta. “Os planetas, como as pessoas, mudam à medida que amadurecem”, comparou Eric Gaidos, um dos pesquisadores, em comunicado. “Para os planetas, isso significa que suas órbitas podem se mover e as composições de suas atmosferas podem mudar. (…) Mas precisamos de observações para testar essas ideias e planetas como AU Mic b são uma oportunidade excepcional.”

Além disso, por ser muito jovem, o AU Mic b é provavelmente composto de gases, o que permitirá aos estudiosos compreender como planetas como a Terra e Vênus se formaram. “Uma das coisas divertidas e uma das coisas mais frustrantes sobre o estudo de estrelas é que nunca podemos ir até elas”, disse Barclay. “Portanto, essa descoberta é apenas mais uma peça do quebra-cabeça na tentativa de entender o que está acontecendo [por lá].”

A estrela AU Microscopii, o planeta AU Mic b e o disco de detritos que ainda paira na região (Foto: NASA's Goddard Space Flight Center/Chris Smith)
A estrela AU Microscopii, o planeta AU Mic b e o disco de detritos que ainda paira na região (Foto: NASA Goddard Space Flight Center/Chris Smith)



Fonte: Revista Galileu



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