Denúncia

Ataque de madeireiros leva doença a tribo ameaçada de extinção na Amazônia

Compartilhe:     |  25 de abril de 2015
  • Índia Jakarewyj (à dir.), da etnia awá, adoeceu depois que terras onde vive foram cercadas por madeireirosÍndia Jakarewyj (à dir.), da etnia awá, adoeceu depois que terras onde vive foram cercadas por madeireiros

Uma índia da tribo awá, a mais ameaçada de extinção do mundo, adoeceu após o grupo em que ela vivia ser cercado por madeireiros na floresta Amazônica. Segundo o Cimi (Conselho Indigenista Missionário) e a ONG Survival Internacional, a índia Jakarewyj pegou “gripe severa” e “doença pulmonar grave”.

Equipe do Dsei (Distrito Sanitário Especial Indígena) do Maranhão diagnosticou as doenças em 9 de março, mas o Cimi diz que a índia ainda não recebeu atendimento específico.

Ela está desde dezembro do ano passado na aldeia assentada Tiracambu, na Terra Indígena Caru (MA). “Desde então, a saúde dessa mulher se deteriorou rapidamente, ela está confusa e com uma aparência emaciada [emagrecida]”, afirma a ONG.

O Cimi diz ainda divergência entre a Funai (Fundação Nacional do Índio) e a Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena) sobre o local de tratamento médico para a índia atrapalham o socorro.

“Os órgãos dividem opinião entre cuidar na aldeia ou transferi-los para a cidade, onde as condições de infecções seriam maiores. Os dois órgãos assumiram publicamente o desentendimento, pelo qual Jakarewyj não pode esperar nem pagar com a vida. Informações levantadas por nossos missionários em área dão conta de que a Sesai pretende fazer a remoção da indígena para a cidade de Santa Inês, mas a Funai é contra”, afirmou o conselho.

O Ministério da Saúde negou que haja essa divergência. “Sesai e Funai têm atuado conjuntamente no apoio a esse grupo, cabendo à Sesai a execução das ações de atenção e serviços de saúde”, informou a pasta, nesta sexta-feira (24). O UOL entrou em contato com a Funai, na quinta-feira (23), mas até a publicação deste texto ninguém havia se posicionado sobre o assunto.

Segundo o ministério, a índia Jakarewyj apresenta “oscilações em seu quadro pulmonar”, e o Dsei do Maranhão acompanha o quadro. “Já foram feitos consultas e exames com especialistas dentro da própria aldeia, uma vez que a remoção para uma unidade de saúde pode ser traumática e prejudicial a indígenas em situação de isolamento”, disse o órgão, que informou ainda que profissionais de saúde vão nesta semana visitar a aldeia para examinar novamente a índia.

Índios isolados

Jakarewyj faz parte do grupo de índios nômades que vivia isolado dentro da floresta desde a década de 80. O grupo se isolou depois de recusar contato com o governo e a proposta de permanecer com o resto do povo awá assentado em aldeia.

Ela, a índia Amakaria (líder do grupo) e o índio Irahoa (filho de Jakarewyj) entraram em contato no dia 27 de dezembro com uma comunidade awá assentada e pediram ajuda por estarem debilitados e sendo ameaçados por madeireiros.

Segundo os índios que acolheram Jakarewyj, o marido dela e outros parentes morreram na floresta por conta da gripe.

“Estavam cercados por madeireiros. Lá perto deles, ouvimos som tocando, muito barulho de motosserra, trator abrindo trilhas para puxar madeira e muitas árvores marcadas para ainda serem derrubadas,” disse um awá assentado ao Cimi.

A Survival Internacional informou que a floresta dos awás foi “violentamente invadida por madeireiros, fazendeiros e colonos” na década de 70 depois que foi descoberto minério de ferro na região. Na década de 80, o Banco Mundial e a União Europeia financiaram o Projeto Grande Carajás.

Estima-se que existam apenas cem índios que fazem parte dos awás isolados, que “podem ser dizimados”, segundo os especialistas, por conta do contato com o homem branco e as agressões à floresta. “Seja pela violência de estranhos que roubam suas terras e recursos, e por doenças como a gripe e o sarampo aos quais não têm resistência”, disse a ONG.

Segundo o ministério, a Sesai começou o acompanhamento permanente dos três indígenas assim que houve o primeiro contato com o grupo indígena isolado.

“As ações de atenção à saúde têm sido executadas por uma equipe multidisciplinar responsável pelo trabalho de imunização, atuação em caso de sinais e/ou sintomas de febre e/ou gripe ou outras doenças contagiosas, monitoramento epidemiológico e levantamento de informações sobre a situação de saúde do grupo.”

A Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas (PNASPI) determina medidas especiais para os casos de atenção à saúde dos povos isolados e de recente contato.

Fonte: Uol



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