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Até os animais praticam o distanciamento social. E funciona…

Compartilhe:     |  30 de maio de 2020

Das baleias às formigas, de mandris às lagostas do Caribe: o risco de transmitir doenças influencia o comportamento e as adaptações de muitas comunidades de animais, que em alguns casos chegam a adotar regras precisas para se proteger.

Nestes dias de reabertura após o lockdown, todos estamos lidando com a preocupação de que interações e aglomerações descontroladas aumentem as taxas de infecção. Nem todo mundo sabe que esse medo não é uma característica exclusivamente humana; o risco de transmissão de doenças influencia o comportamento e as adaptações de muitas comunidades de animais, que em alguns casos chegam a adotar regras de distanciamento social para se proteger.

É preciso dizer que a socialidade sempre comporta aspectos positivos e negativos; enquanto, por um lado, a organização social permite que muitos animais compartilhem o trabalho, acessem fontes de alimentos de maneira mais eficiente e se defendam melhor de predadores, por outro lado, a proximidade aumenta o risco de ser atingidos por parasitas e agentes patógenos, um perigo compartilhado por todos os organismos, mesmo os mais solitários.

Até as baleias azuis – que, além de serem os maiores seres vivos da Terra, também estão entre os mais solitários, interagindo apenas durante o acasalamento e no período de cuidado das crias – são frequentemente infectadas por um nematóide parasitário que é transmitido na fase do parto. Mas o risco é obviamente muito maior para animais sociais como as formigas, que em alguns casos desenvolveram adaptações surpreendentes; em muitas espécies desses insetos sociais, quando uma doença se espalha, o comportamento de toda a colônia muda rapidamente, reduzindo os contatos principalmente com as operárias forrageiras, as formigas encarregadas da busca de alimento fora do formigueiro e, portanto, mais expostas ao risco de contágio. Em particular, evitam-se contatos com a prole e a rainha, que, dessa maneira, são protegidos contra a infecção.

Também em algumas lagostas do Caribe que formam agregados nas cavidades que usam como abrigo, descobriu-se que indivíduos com um vírus contagioso são mantidos separados de outras lagostas, reduzindo o risco de infecção dos animais saudáveis. Nos mandris, o distanciamento é diferente quando se trata de “parentes”. Esses macacos da África Ocidental tendem a evitar animais doentes não aparentados, mas continuam a cuidar dos membros da família, aceitando o risco de adoecer enquanto cuidam os indivíduos com os quais há um vínculo de consanguinidade.

Em resumo, o distanciamento é uma arma de defesa não apenas para nós, seres humanos, mas também uma adaptação que muitos animais desenvolveram para reduzir o risco de serem infectados. No entanto, em alguns casos, não há outra escolha senão correr o risco de adoecer; para animais para os quais a socialidade é uma estratégia essencial de sobrevivência, como nos mangustos listrados que vivem em grupos de dezenas de animais se reproduzindo de maneira coordenada e usando linguagem muito sofisticada, para não afrouxar o vínculo social, os indivíduos não mudam o comportamento nem mesmo quando um dos membros está claramente doente, aceitando o perigo de infecção para não perder as vantagens de viver em grupo.



Fonte: REVISTA IHU ON-LINE - Pietro Genovesi - Tradução é de Luisa Rabolini.



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