O lixo em questão

Até quando? Burle e Poliana nadam em piscina de lixo por conscientização social

Compartilhe:     |  14 de setembro de 2019

Brasil é o quarto maior gerador de resíduos plásticos do mundo e só recicla 1% deste material. Esporte Espetacular trará matéria especial sobre o dilema, que ameaça as modalidades aquáticas

Até quando? Burle e Poliana nadam em piscina de lixo por conscientização social

Quando você consome um produto em uma embalagem plástica você se questiona? Você se sente culpado? Por acaso tem consciência de que uma simples garrafinha plástica, por exemplo, dura até 450 anos para se decompor? Quando seus filhos e seus netos já não estiverem mais vivo, essa mesma garrafa possivelmente ainda existirá. Isso porque atualmente só 1% do lixo plástico no Brasil é reciclado. E esse não é um assunto só para ambientalistas não. É para todos. É também para o esporte, especialmente os aquáticos, que estão totalmente vulneráveis à falta de consciência das pessoas.

Em 2050, projeta-se que haverá mais lixo que peixes nos oceanos

Neste domingo, em alusão à semana mundial de limpeza dos mares, o Esporte Espetacular trará uma matéria especial com depoimentos de esportistas que clamam por mudanças, além de dados alarmantes. Em nome de uma mobilização social, Poliana Okimoto e Carlos Burle nadaram em uma piscina de lixos plásticos (fotos).

Poliana nada em piscina de lixo para protestar — Foto: Ronaldo Gonçalo

Poliana nada em piscina de lixo para protestar — Foto: Ronaldo Gonçalo

Tempo de decomposição lixo

Material Tempo de decomposição
Bitucas de Cigarro 5 anos
Sacolas plásticas 20 anos
Copinho de isopor 50 anos
Latinhas 200 anos
Garrafas plásticas 450 anos

Brasil é o quarto maior gerador de resíduos plásticos do mundo

Carlos Burle protesta contra poluição — Foto: Ronaldo Gonçalo

Carlos Burle protesta contra poluição — Foto: Ronaldo Gonçalo

10 milhões de toneladas de lixo chegam ao oceano por ano

Poliana nada em piscina de lixo para protestar — Foto: Ronaldo Gonçalo

Poliana nada em piscina de lixo para protestar — Foto: Ronaldo Gonçalo

“Medo” – Poliana Okimoto

Bronze na maratona aquática na Rio 2016, Poliana Okimoto tem uma relação de amor e medo com o mar. Duas vezes ela já contraiu infecção intestinal depois de ingerir água competindo. No Pan em 2007, realizado no Brasil, ela ficou tão mal que desistiu de uma segunda prova que faria na piscina. Neste mesmo dia, dois americanos tiveram os mesmos sintomas, porém com consequências muito mais graves. Após também nadarem a maratona na praia de Copacabana,no Rio de Janeiro, Kalyn Robinson foi forçada a se aposentar, e Chip Peterson precisou tirar até parte do intestino grosso.

Poliana nada em piscina de lixo para protestar — Foto: Ronaldo Gonçalo

Poliana nada em piscina de lixo para protestar — Foto: Ronaldo Gonçalo

– Depois das infecções eu passei a ter medo de competir no mar. É muito comum tomarmos bastante água, especialmente quando o mar tá mais mexido. Toda vez que tem uma ressaca, eu sei que a sujeira aparece com tudo. É muito triste. Não só por mim como atleta, mas pelos meus filhos e meus netos. O que a gente pode fazer todos os dias para melhorar essa situação – questiona Poliana.

O mundo produz 300 milhões de toneladas de plástico por ano

TV? – Kahena e Martine Grael

A Baía de Guanabara é o quintal da casa das campeãs olímpicas da vela Martine Grael e Kahena Kunze. As duas conhecem a fundos as belezas e mazelas do lugar, palco da maior conquista profissional de ambas.

Em 2015, Kahena já tinha revelado ao GloboEsporte.com, a “ideia” de não velejar em 2016 como protesto contra a poluição no local. Martine também já tinha abordado o tema quando encontrou uma TV boiando no local enquanto praticava Stand Up Padle.

Martine "assiste" à televisão encontrada na água da Baia de Guanabara — Foto: Divulgação

Martine “assiste” à televisão encontrada na água da Baia de Guanabara — Foto: Divulgação

– Em todos os oceanos do mundo inteiro a gente encontrou lixo. Já aconteceu de passarmos cinco dias velejando em direção ao nada e ainda assim tinha lixo – acrescentou Martine sobre o problema mundial.

A cada minuto um milhão de garrafinhas de plástico são descartadas

Onda de lixo

Ícones do surfe mundial não ficam de fora dos protestos. Engajado em causas ambientais, Kelly Slater, 11 vezes campeão do mundo, pede por conscientização das pessoas.

– Há oceanos tão poluídos que você realmente não consegue surfar neles. Seja por causa da contaminação da água, da poluição por plásticos, escoamento agrícola. Todos nós, em algum momento, já estivemos doentes por causa disso. Acho que todas as pessoas no planeta tem que ter isso como prioridade – disse Kelly.

Carlos Burle protesta contra poluição — Foto: Ronaldo Gonçalo

Carlos Burle protesta contra poluição — Foto: Ronaldo Gonçalo

Carlos Burle, grande referência do Brasil nas ondas gigantes, também se preocupa com o dilema.

– Não há lugares sem poluição. Em lugares exóticos, lindos, maravilhosos acontece a mesma coisa que está acontecendo numa metrópole como o Rio de Janeiro, onde eu moro. Aonde a gente quer chegar? Porque do jeito que a gente está vivendo não está certo – comentou Burle.

Mundo descarta 5 bilhões de sacolas por ano

*Fonte: FURG – Universidade Federal do Rio Grande



Fonte: Globo Esporte - Por Winne Fernandes, Lorena Dillon e Karin Duarte



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