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Atmosfera sobre Oceano Pacífico bateu recorde de CO2 em março

Compartilhe:     |  11 de abril de 2021

Segundo Observatório Mauna Loa, no Havaí, ao registrar 417,14 partes por milhão (ppm) no mês passado, média no período ultrapassou em 50% a da era pré-industrial

O mês de março de 2021 quebrou recordes nas concentrações de CO2 na atmosfera sobre o Oceano Pacífico. É o que apontam as últimas medições do Observatório Mauna Loa, estação de referência atmosférica localizada no Havaí: ao registrar 417,14 partes por milhão (ppm), a média de dióxido de carbono foi 50% maior que a do período entre 1750 e 800, quando os níveis pré-industriais giravam em torno de 278 ppm.

O recorde anterior para as concentrações mensais de dióxido de carbono em Mauna Loa foi de 417,10 ppm, nível registrado em maio de 2020. Mas, segundo os cientistas, essa mesma quantidade foi constatada em vários dias de fevereiro e no início de março deste ano. Os especialistas estimam, ainda, que os níveis atingirão um novo pico em maio: 419,5 ppm.

Em um dia de abril de 2021, a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA), nos Estados Unidos, também reportou uma concentração de 421,21 ppm – a primeira medição diária acima de 420 ppm desde as taxas anteriores à Revolução Industrial.

Combinados com amostras de gelo, que revelam informações sobre temperatura, precipitação e até padrões de vento, os dados mostram que a concentração média de CO2 está aumentando ano após ano na atmosfera. Em 2020, o Observatório Mauna Loa registrou uma concentração média do gás de 413, 94 ppm, valor 2,51 ppm maior do que o do ano anterior.

Gráfico mostra que o dióxido de carbono (CO2) continuou a aumentar desde março de 2021, quando a média foi de 417,14 partes por milhão (ppm) no mês passado. Mas os especialistas estimam um novo pico para maio deste ano: 419,5 ppm (Foto: Met Office)
Gráfico mostra que o dióxido de carbono (CO2) atingiu novo pico em março de 2021, quando a média foi de 417,14 partes por milhão (ppm)o. Mas os especialistas estimam um novo recorde para maio deste ano: 419,5 ppm (Foto: Met Office)

Em função do isolamento social causado pela pandemia de Covid-19, o crescimento anual ficou um pouco abaixo do previsto (2,74 ppm), mas a pequena queda “não foi suficiente para impactar substancialmente o acúmulo de CO2 na atmosfera e reduções muito maiores e de longo prazo nas emissões serão necessárias para desacelerar ou interromper esse aumento”, avalia o estudo.

Conduzida por pesquisadores do Scripps Institution of Oceanography, da Universidade da Califórnia em San Diego (UC), do serviço meteorológico do Reino Unido, Met Office, e da NOAA, a análise sugere que 2021 está a caminho de se tornar o ano em que, pela primeira vez, o nível de CO2 atmosférico anual também ultrapassará em mais de 50% as taxas pré-industriais.

Até o fim do ano, estimam os especialistas, a média está prevista para fechar em 416,3 ± 0,6 ppm, um aumento de 2,29 ± 0,55 ppm em comparação com 2020. Embora um pouco menor do que o biênio 2019-2020 — por conta dos impactos esperados do La Niña, fenômeno que fortalece temporariamente os sumidouros de carbono terrestre —, o número não reflete uma expectativa de redução das emissões de CO2, na avaliação dos estudiosos.

Registros derivados de medições de gelo mostram que a concentração global média de CO2 na atmosfera de 1750 a 1800 foi de cerca de 278 ppm. Acima, gráfico mostra níveis atmosféricos de CO2 no intervalo 1700–2021.  (Foto: Met Office)
Registros derivados de medições de gelo mostram que a concentração global média de CO2 na atmosfera de 1750 a 1800 foi de cerca de 278 ppm. Acima, gráfico mostra níveis atmosféricos de CO2 no intervalo 1700–2021. (Foto: Met Office)

“Como sabemos há muitos anos, o aumento dos níveis de CO2 só teria sido impedido se as emissões globais caíssem pela metade, mas mesmo os efeitos da pandemia de Covid-19 não chegaram nem perto de causar isso”, avalia Steven Sheerwood, pesquisador do Centro de Ciência do Sistema Climático, do fundo do governo australiano Australian Research Council – que não participou do estudo –, em comentário.

Sheerwood recorre a uma metáfora para descrever os níveis de CO2 em meio à Covid-19. Com a redução temporária do uso de veículos movidos por combustíveis fósseis, a sociedade diminuiu o ritmo das mudanças climáticas de 100 para 90 km/h, compara o professor. Mas, agora, dado o fim generalizado do lockdown, essa velocidade volta a crescer — e não mudou de direção. “Nossa situação é análoga a estar em um carro que saiu da estrada e se dirige para uma ladeira cada vez mais íngreme e rochosa”, acrescenta ele.

Um atalho para minimizar a gravidade do panorama é unanimidade entre os cientistas: a transição para fontes de energia limpas e renováveis. Assim, a Terra ficaria menos distante da meta de limitar o aumento da temperatura a 1,5 ºC em relação aos níveis da era pré-industrial, como estipulado pelo Acordo de Paris. Mas a transformação teria de ser significativa, avalia Sheerwood. “Essa mudança deve eventualmente incluir quase toda a nossa energia”, diz.

Esta matéria faz parte da iniciativa #UmSóPlaneta, união de 19 marcas da Editora Globo, Edições Globo Condé Nast e CBN. Saiba mais em umsoplaneta.globo.com



Fonte: Revista Galileu



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