Notícias

Autoridades ambientais se comprometem a trabalhar juntas por parques nacionais na fronteira

Compartilhe:     |  8 de junho de 2016

por Jaime Gesisky

A bióloga brasileira Marina Xavier e seu colega argentino Agustín Paviolo estão unidos na pesquisa científica sobre a onça-pintada – ou yaguareté, a depender de que lado da fronteira eles estão trabalhando. Eles se interessam pela distribuição, comportamento, fatores genéticos, tudo o que envolve a espécie.

Os dois pesquisadores também têm em comum o fato de estudarem esses felinos em um dos últimos remanescentes da Mata Atlântica, na ecorregião do Alto Paraná, que engloba dois parques nacionais, o do Iguaçu, no município de Foz do Iguaçu, no Brasil, e o Iguazu, na província de Missiones, na Argentina, ambos locais de ocorrência das onças, e separados apenas pelo rio que dá nome aos parques, mudando-se apenas uma letra na grafia da palavra.

Ela atua na área desde 2009 pelo projeto Carnívoros do Iguaçu, pelo lado brasileiro, e ele, desde 2003, por meio da iniciativa IBS/Ceiba, da Argentina. Esta união é apenas uma mostra de como a cooperação técnica e científica entre os dois países pode gerar resultados valiosos para o meio ambiente comum.

Inspirados nesta e em outras experiências similares, as autoridades ambientais do Brasil e Argentina deram mais passo para aprofundar o intercâmbio entre profissionais que atuam na conservação da biodiversidade nos parques vizinhos.

Foi nesta terça-feira (7) durante o encontro Conservação sem Fronteiras: áreas protegidas próximas a limites internacionais, promovido pelo WWF-Brasil, por meio do Programa de Conservação da Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos no Corredor Binacional do Parque Nacional do Iguaçu e Parque Nacional do Iguazu.

O evento teve a parceria do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Administración de Parques Nacionales (APN), Fundación Vida Silvestre da Argentina e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Uma carta de intenções assinada pela administração dos parques nacionais de ambos os países estreitou os laços da cooperação. Isso significa que nos próximos anos, os profissionais ligados as duas unidades de conservação atuarão de modo estratégico para que a gestão dessas áreas protegidas siga a trilha da convergência.

Isso vai implicar em intercâmbios cada vez mais frequentes e profundos, um plano operacional comum e a harmonização de seus planos de manejo. A meta é olhar também para o entorno dos parques, envolvendo as comunidades, empreendimentos e políticas públicas que possam influir na proteção das áreas naturais.

Trata-se de uma experiência sem precedentes no Brasil e que pode influir o trabalho em conjunto de outras unidades de conservação que compartilham áreas naturais com outros países, como é o caso do Parque Nacional do Tumucumaque, no Amapá, que faz divisa com a Guiana Francesa e compartilha biodiversidade e problemas comuns.

“No caso do Brasil e Argentina, vários fatores contam a favor. Ambos os parques são Patrimônios Naturais Mundiais, reconhecidos pela Unesco, órgão vinculado à Organização das Nações Unidas, já têm histórico de trabalharem juntos e pouca assimetria em termos institucionais”, lembrou um estudioso das iniciativas internacionais que envolvem áreas protegidas contíguas, Pedro da Cunha Meneses, que participou do encontro.

Na América Latina existe somente um caso de parque em que a gestão está repartida entre dois países. É o Parque Internacional La Amistad, na divisa entre Costa Rica e Panamá. No mundo todo, eles somam 31 unidades que atuam desta maneira.

Além das fronteiras

“No caso dos parques brasileiros, não precisamos necessariamente de um status transfronteiriço. Se tivermos um bom plano de manejo comum às duas unidades, com enfoque de ações bem definido, compartilhamento técnico e compromissos institucionais, já conseguiremos fazer um bom trabalho”, sinalizou o presidente do ICMBio, Cláudio Maretti.

Para a coordenadora do Programa Mata Atlântica do WWF-Brasil, Anna Carolina Lobo, além de ter um foco claro no compartilhamento da gestão dentro das UCs, é preciso também lançar um olhar para o entorno dos parques nacionais. “Não adianta proteger o interior das unidades de conservação se do lado de fora existe um avançado processo de degradação ambiental e social”, disse.

Segundo ela, o caminho é incentivar a união dos esforços científicos, mas também estimular negócios sustentáveis nas cercanias dos parques nacionais, envolver as universidades e escolas públicas para promoção de um debate qualificado e integrar as comunidades ao processo de gestão das áreas.



Fonte: WWF Brasil



Leia também:

Projetos ambientais
Aqui você é o Reporter

Espaço Animal

“Comida de humanos” pode até matar os pets! Veja os riscos dessa prática

Leia Mais