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Avaliação do glifosato em soja GM recebeu premio de melhor artigo da revista Planta Daninha

Compartilhe:     |  26 de outubro de 2014

O artigo Avaliação do uso de glifosato em soja geneticamente modificada e sua relação com o ácido chiquímico, publicado na Revista Planta Daninha, vol.30, n.3, de  2012, de Antonio Cerdeira, da Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP), Daniel  Siqueira Franco, do Instituto Biológico, Sydnei de Almeida, também do Instituto Biológico, Steve Duke, da USDA, Estados Unidos, Rita Moraes, da University of Mississippi, Estados Unidos, André Lacerda, bolsista da Fapesp e Marcus Matallo, do Instituto Biológico recebeu o prêmio de melhor artigo entre 2012 e 2014.

Conforme os autores, “com o aumento da comercialização de culturas geneticamente modificadas (GM) resistentes ao glifosato, é importante investigar a relação entre o uso desse herbicida e seus efeitos no crescimento e desenvolvimento de plantas de soja GM, assim como sua relação com o ácido chiquímico, indicador do efeito do herbicida na soja e também usado na síntese do precursor do antiviral Tamiflu”.

Nesse sentido, foi conduzido um ensaio de campo e outro em casa de vegetação, com o objetivo de verificar a influência do glifosato no crescimento, no desenvolvimento e na qualidade dos grãos da soja GM e posterior absorção por plântulas de soja convencional cultivada sob condições hidropônicas.

O ensaio de campo foi realizado em Eng. Coelho, SP, em 2007/08, com aplicações isoladas. Transcorridos 42 dias da última aplicação de glifosato, foram avaliados os efeitos sobre a densidade, altura de plantas e produtividade da soja cv. BRS Valiosa RR. Avaliou-se também o teor de ácido chiquímico sete dias após a última aplicação e o conteúdo de óleo e proteína dos grãos.

No ensaio em casa de vegetação, conduzido sob o delineamento inteiramente casualizado com três repetições, soja GM cv. M8045RR e soja convencional cv. Conquista foram mantidas crescendo conjuntamente em solução hidropônica após aplicação de glifosato no cultivar transgênico. O acúmulo de ácido chiquímico foi medido 0, 1, 3, 7 e 10 dias após aplicação, determinando-se também sua concentração e de seu metabólito, ácido aminometilfosfônico (AMPA).

Os resultados mostraram que nenhum parâmetro de crecimento nem a qualidade nutricional dos grãos foram alterados pelas aplicações. Houve acúmulo de ácido chiquímico nas plantas de soja transgênica no campo quando tratadas de forma isolada com glifosato. Foram detectados resíduos de glifosato e ácido aminometilfosfônico na solução nutritiva.

O glifosato tem dominado o mercado de herbicidas desde sua introdução comercial, em 1974. Seu amplo espectro de ação, alta eficiência e baixo risco ambiental e toxicológico contribuem para a sua preferência.

Apesar da sua baixa toxicidade e de possuir características ambientais favoráveis, diversos trabalhos têm relatado efeitos negativos do seu uso sobre organismos não alvo em diferentes agroecossistemas. O seu movimento na planta está associado ao fluxo de carboidratos de órgãos tidos como fontes para os drenos metabólicos e sua velocidade de translocação para as raízes está associada ao transporte de açúcares no floema.

Apesar de resistente ao glifosato, sob determinadas condições a soja GM tem apresentado danos a aplicações desse herbicida associadas à formulação utilizada.

Muito embora não tenham sido reportadas reduções significativas na produção da soja GM, alguns autores afirmam que aplicações de glifosato alteraram a qualidade das sementes e seu vigor, reduzindo também a sua produtividade. Já outros concluíram que o uso de diferentes formulações de glifosato não alterou o acúmulo de matéria seca na parte aérea de diferentes cultivares de soja GM.

Ainda segundo esses autores, o glifosato pode ser liberado para o solo por meio da exsudação radicular ou da morte e liberação celular dos tecidos de plantas tratadas com esse herbicida, podendo afetar plantas adjacentes que compartilham a mesma zona radicular das plantas tratadas. Isso já foi reportada para o trigo, com sua subsequente absorção por plantas de milho adjacentes.

Conclui-se que aplicações isoladas ou sequenciais não interferiram no crescimento e na produtividade da soja GM cultivar BRS Valiosa RR. Tanto o teor de óleo como o de proteínas desse cultivar foram alterados pelo glifosato, independentemente de sua época e dose de aplicação, observando-se ligeiro acúmulo de ácido chiquímico nas plantas de soja GM tratadas com aplicações isoladas desse herbicida. Houve também acúmulo desse ácido em plantas de soja convencional cultivadas hidroponicamente em conjunto com soja GM submetida à aplicação de glifosato, o que demonstra ocorrer exsudação radicular desse herbicida e seu metabólito AMPA, detectados na solução nutritiva, com posterior absorção por soja convencional, exercendo efeito inibitório na via do ácido chiquímico.



Fonte: Embrapa Meio Ambiente - Cristina Tordin



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