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Aves com envergadura de 6 metros dominavam Antártida há 50 milhões de anos

Compartilhe:     |  28 de outubro de 2020

Em 2015, enquanto explorava antigas coleções do Museu de Paleontologia da Universidade da Califórnia em Berkeley, nos Estados Unidos, o estudante Peter Kloess “redescobriu” um fóssil pré-histórico encontrado na década de 1980, durante pesquisas conduzidas na Seymour Island, na Antártida. À época, os especialistas classificaram o artefato como sendo parte de um espécime da família de pássaros marinhos Pelagornithidae, que tinha 40 milhões de anos.

Avaliando o fóssil e as anotações feitas pelos pesquisadores anos antes, entretanto, Kloess percebeu que aquele fóssil era proveniente de uma formação geológica mais antiga do que se pensava: tinha ao menos 50 milhões de anos. A análise conduzida pelo estudante e dois outros pesquisadores foi compartilhada na segunda-feira (26) na Scientific Reports.

“Nossa descoberta fóssil, cuja estimativa de envergadura é de 5 a 6 metros, mostra que os pássaros evoluíram para um tamanho verdadeiramente gigantesco com relativa rapidez após a extinção dos dinossauros [há 65 milhões de anos] e governaram os oceanos por milhões de anos”, afirmou Kloess em comunicado.

Os pelagornitídeos são conhecidos como pássaros “com dentes ósseos” por conta das projeções ósseas e cobertas de queratina presentes em suas mandíbulas que, embora não fossem verdadeiras, se assemelhavam a dentes pontiagudos. Chamados de pseudodentes, eles ajudavam os pássaros a agarrar lulas e peixes sobrevoavam o oceano — atividade que, muitas vezes, durava semanas.

Fragmento da mandíbula de um pelagornitídeo encontrado na Antártida  (Foto: Peter Kloess/UC Berkeley)
Fragmento da mandíbula de um pelagornitídeo encontrado na Antártida (Foto: Peter Kloess/UC Berkeley)

Além disso, eles tinham as maiores envergaduras do Cenozóico, era geológica que teve início após a extinção em massa há 65 milhões de anos, e viveram até cerca de 2,5 milhões de anos atrás. “O tamanho extremo e gigante dessas aves extintas é insuperável em habitats oceânicos”, disse a coautora da pesquisa Ashley Poust.

Há 50 milhões, o clima na Antártida era um tanto diferente do atual por conta das águas que eram notavelmente mais quentes. De acordo com os cientistas, a nova análise destaca que os enormes pelagornitídeos fizeram parte do ecossistema da região por pelo menos 10 milhões de anos.

“Em um estilo de vida provavelmente semelhante ao dos albatrozes vivos, os gigantes pelagornitídeos extintos, com suas asas muito pontiagudas, teriam voado amplamente sobre os antigos mares abertos, que ainda não eram dominados por baleias e focas”, observou Thomas Stidham, um dos especialistas. “Essas aves com dentes ósseos teriam sido predadores formidáveis ​​que evoluíram para estar no topo de seu ecossistema.”



Fonte: Revista Galileu



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