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Baixa reciclagem de metais raros ameaça futuro de carros elétricos e painéis solares

Compartilhe:     |  13 de maio de 2021

São urgentes regras mais rígidas para evitar o desperdício de lítio, cobalto e outros metais conhecidos como terra raras, afirmam especialistas

Veículos elétricospainéis solares e outras inovações de baixa emissão de carbono são imprescindíveis rumo ao futuro sustentável. Aos poucos, as tecnologias verdes ganham espaço em nosso dia a dia. Mas os eforços por um planeta mais saudável, alerta um grupo de cientistas,  podem estar condenados ao fracasso pelo baixo índice de reciclagem de uma série de metais –os chamdos terras rars, em especial.

Elementos como índio, lítio, neodímio e cobalto são matéria-prima para placas de circuitos elétricos, ímãs usados em unidades de discos, baterias de EVs e lâmpadas fluorescentes, entre outros produtos com baixo impacto para o meio ambiente. Apesar de raros na natureza, na maioria dos casos, não são reciclados. Vão para o lixo.

Cruciais para o desenvolvimento da indústria verde, esses metais podem se tornar protagonistas de uma crise de desabastecimento caso nada seja feito. O aviso está em um relatório da Cewaste, projeto financiado pela União Europeia, como parte de seu programa de pesquisa e inovação Horizon 2020.

Segundo o documento, embora os metais mais comuns, como cobre e ferro sejam frequentemente reutilizados, os raros são muitas vezes ignorados e desperdiçados. Como são usados em pequenas quantidades, para a indústria da reciclagem, são pouco rentáveis.

Esses materiais, no entanro, têm um papel estratégico no futuro e a incerteza em torno de novas fontes tornam urgente o aumento de sua captação por um sistema de reaproveitamento. Caso isso não ocorra, a indústria verde será prejudicada, alertam especialistas –tanto com aumento de preços quanto com falta de matéria-prima e insumos.

“Se deixarmos as coisas como de costume, vamos perder os materiais e em 20 anos teremos uma escassez”, diz Federico Magalini, o diretor-gerente da consultoria Sofies UK, uma das empresas envolvidas na elaboração do relatório.

Já que o volume usado desses materiais não é elevado, um pequeno número de centros poderia se encarregar de sua reciclagem. Tomemos como exemplo, as lâmpadas fluorescentes. A Europa precisaria de poucas instalações para recuperar o metal usado por todo o continente.

Um futuro não tão distante

A  Agência Internacional de Energia (IEA) calculou que, se o mundo pretende zerar as emissões de gases de efeito estufa em 2050, a demanda por minerais raros será seis vezes maior do que a atual já em 2040. O lítio é um caso à parte. Parte fundamental das baterias, o metal exigirá uma quantidade 40 vezes maior.

As informações, publicadas no Global Energy Review 2021, indicam que a produção de boa parte desses metais atualmente está concentrada em poucos países. Os três principais produtores respondem por mais de três quartos do fornecimento global. A República Democrática do Congo produziu 70% de cobalto e terras raras em 2019. A China é responsável pelo refino de quase 90% desses metais usados globalmente.

“O fornecimento desses materiais não está garantido. Por exemplo, alguns vêm de países onde há instabilidade política. Por isso, essa questão deve ser regulamentada por meio de padrões obrigatórios”, declarou Pascal Leroy, diretor-geral do Fórum WEEE , em entrevista ao jornal inglês The Guardian.



Fonte: Época Negócios



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