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Barateamento da tecnologia pode provocar erosão dos postos de trabalho

Compartilhe:     |  9 de abril de 2019

O sociólogo Alberto dos Santos Cabral também debateu o tema “O Impacto do Barateamento da Tecnologia e o Desenvolvimento Sustentável”, durante o Fórum 15 anos do Espaço Ecológico. Ele é doutor em Desenvolvimento Sustentável, mestre em Engenharia de Produção e MBA em Planejamento Gestão e Marketing do Turismo.

Ele começo afirmando que estamos metidos em uma profusão de novas tecnologias e a sociedade aonde estamos inseridos não está muito a par do que está acontecendo. Um problema apontado pelo especialista é que 60% dos jovens estão aprendendo profissões que a inteligência artificial vai ocupar nos próximos 20 anos. “A pergunta é: o que irá acontecer na sociedade? Mas não apenas isso. Uma pesquisa da Universidade de Oxford, no Reino Unido, feita por economistas revela o seguinte: 47% de todos os trabalhos poderão ser automatizados até 2034.E a parte mais complicada, nenhum governo do mundo está preparado para isso”, assegurou.

Alberto Cabral revelou que não existe nenhuma política pública no mundo, na direção de mitigar esse possível problema que vai acontecer. “Estamos falando 2034 e falta muito tempo. um exemplo: o Watson da IBM é um software de inteligência artificial, nesse caso em particular, foi utilizado para analisar um tipo raro de leucemia, que uma banca de médicos japoneses não conseguiu diagnosticar. Esses médicos passaram mais de 5 meses avaliando um quadro de um tipo raro de câncer, em uma paciente nipônica, e Watson, em menos de seis minutos diagnosticou”, complementou.

Ele explicou que Vinod Khosla, o cofundador da Sam Microsystems e investidor em startups de tecnologia, lá no Vale do Silício, afirma que os sistemas inteligentes e robôs substituirão 80% dos médicos americanos. Segundo Alberto, Vinod Khosla pergunta o seguinte: nós precisamos de doutores ou de algoritmos? “Não estamos falando de um padeiro, uma costureira, um jardineiro, que são profissões dignas, estamos falando em uma classe específica de médicos que podem perder até 80% dos postos de trabalho”, previu.

A constatação é que está acontecendo uma mudança radical no modo de fazer negócios no planeta. Tudo está mudando em uma velocidade impar e nós não nos damos conta. Você tem hoje a emergência dos carros autônomos e a tendência é dessa tecnologia se tornar de uma forma que eu não precise mais comprar um veículo e que eu passe a precisar apenas do serviço que esse veículo faz, que é me levar do ponto A ao ponto B. “O custo de manutenção de um veículo é muito alto. Você compra o veículo zero, na concessionária, basta dar uma volta na esquina para perder 15% do valor. E não é só ter perdido 20%, você tem que pagar seguro, IPVA ou licenciamento, combustível e manutenção. Nada disso está no carro autônomo. A GM já entendeu isso e, nos Estados Unidos, já tem duas lojas que não vendem mais veículos. Uma fica na Califórnia e outra em Nova York. Elas alugam”, observou.

Segundo explicou Alberto Cabral, é o novo modal que está se colocando, e a indústria automobilística está em xeque. “Oslo quer ser a primeira capital europeia a banir dos centros o fluxo de carros. Londres está fazendo isso. Lisboa está dizendo que carros anteriores ao ano 2000 serão banidos da região da Praça do Comércio. A França diz que vai banir todos os carros movidos a gasolina e a diesel até 2040. Isso é uma pressão significativa e a indústria automobilística já está ciente disso. Estamos em um novo processo”, considerou.

Em seguida, Alberto apresentou um vídeo sobre uma impressora de casas em 3D. Essa impressora produz 20 casas de 40m² em um dia. A Holanda irá construir as primeiras casas em 3D. existe uma ponte de aço construída através da adição usando impressoras 3D. O Google e Amazon estão desenvolvendo a possibilidade de voos utilizando drones que são autônomos e que levam de uma ponta a outra. Vai ser possível uma pizza entregue por um drone. Adeus o trabalho do motoboy. É uma revolução. Começamos utilizando o ICQ, passamos para o Skipe e hoje chegamos ao WhatsApp. Você fala com o planeta e não paga um centavo. Você tem videoconferência e também não paga um centavo, ou seja, nós destruímos a poderosa indústria da telefonia e nem nos demos conta. A revolução está acontecendo aos nossos olhos.

“Um investidor da bolsa, Soros, diz que o comércio eletrônico irá destruir as lojas, até as lojas de grife. Eu compro pela internet e a mercadoria chega na minha casa. Nessa direção, o varejo tem que se reinventar, porque se não precisa inventar, ele será destruído. Em 1998, a KodaK tinha 170 mil funcionários. Vendia 85% de todo o papel fotográfico do mundo. Em apenas alguns anos, seu modelo de negócios desapareceu e eles foram à falência. O que aconteceu com a Kodak, vai acontecer com muitas indústrias nos próximos anos. Benvindos à 4ª revolução industrial, a revolução 4.0. A velocidade da transformação está se dando a olhos vistos e nós não estamos enxergando”, complementou.



Fonte: Revista Espaço Ecológico



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