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Biodiesel feito de óleo residual polui menos o ar e reduz a contaminação dos rios e córregos

Compartilhe:     |  13 de julho de 2014

De um lado os milhares de litros de óleo de cozinha que são descartados diariamente. Do outro a tecnologia que permite transformar esse resíduo em combustível ecologicamente correto. E no meio um desafio: encontrar uma maneira viável de unir o útil ao necessário e beneficiar o meio ambiente.

Essa é a situação desenhada pelo professor do campus itabirano da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), Rafael Balbino, em um . Doutor Balbino leciona a disciplina Energias Renováveis nos cursos de engenharia da universidade e é autoridade no assunto. Além de entender de biocombustíveis, também é especialista em energias eólica, hidráulica e solar.

Como praticamente todos os produtos sustentáveis no Brasil, o biodiesel ainda está longe de ser economicamente competitivo. Seu custo de produção é maior que o do etanol e nem se compara ao diesel tradicional, que sai bem mais em conta nas bombas. Como geralmente é produzido a partir do óleo de mamona ou de dendê, que exige disponibilidade de terra para cultivo, mão de obra, etc., o custo acaba inviabilizando seu uso em grande escala.

Mas quando a matéria-prima é o óleo de cozinha, esse gasto reduz significativamente. E se já houver uma estrutura de coleta que, com poucas adaptações, consiga recolher o óleo e levá-lo ao laboratório, melhor ainda.

No entendimento do professor, dá para fazer diesel ecológico a preço competitivo em Itabira se houver, por exemplo, uma parceria com a Itaurb. Como a empresa de limpeza urbana já faz coleta seletiva em todos os bairros, bastaria uma adaptação nos caminhões e o óleo usado nas residências, pastelarias e restaurantes não seria desperdiçado. A transformação aconteceria no laboratório da Unifei pelos próprios alunos com o apoio técnico dos profissionais da universidade.

Se houver uma parceria do município (Balbino já enviou o projeto à Secretaria de Meio Ambiente), a produção experimental será destinada à frota da Prefeitura. Mas para isso acontecer, além de viabilizar o recolhimento e transporte da matéria-prima, outro desafio tem de ser superado: a aquisição de equipamentos para estruturar melhor o laboratório da universidade, hoje incapaz de produzir em escala.

Potencial

Antes de tudo, é preciso mapear o quanto de óleo residual Itabira produz por dia, mês e ano. Considerando o tamanho da cidade e a quantidade de estabelecimentos comerciais que usam frituras, é possível imaginar que o potencial é grande. Se for, o próximo passo é estudar a viabilidade econômica dele frente ao combustível convencional e buscar recursos para pôr o projeto em prática.

Testes feitos com o óleo garantem que sua eficiência é de 90%. Ou seja: de cada 10 litros de matéria-prima se consegue 9 litros de combustível ecológico. E tem mais. Durante o processo de transformação química, chamado de transesterificação, é possível extrair também a glicerina, que pode ser usada na produção de cosméticos ou explosivos.

Se for adiante, a iniciativa pode se desdobrar em uma nova alternativa econômica para Itabira. Vale lembrar que uma resolução da Agência Nacional do Petróleo (ANP) determina pelo menos 5% de biodiesel em cada litro de diesel comum. Com o incentivo certo, projetos como o do professor da Unifei pode chamar a atenção de investidores, ganhar força e ajudar a transformar a econômica da cidade – preservando o meio ambiente.

Savi

Reconhecida pelas diversas ações ambientais desde sua fundação, a Sociedade Ambiente Vivo (Savi) também tem a pretensão de produzir biodiesel até o final do ano. A ONG já arrecada, desde 2005, óleo de cozinha para fazer sabão ecológico, com o objetivo de conscientizar as pessoas quanto à preservação ambiental. “Um litro de óleo pode contaminar até 100 mil litros de água”, diz Amarildo Milânio, diretor da entidade.

Por mês, a Savi arrecada até 600 litros do produto. Até o final do ano a intenção é chegar a 5 mil, contando com a boa vontade das pessoas de levar o material até o posto de coleta (Avenida das Rosas, 105, sala 1, Centro, Itabira).

Assim como o sabão, a produção do combustível ecológico da Savi não tem intenções comerciais. O que vale mesmo é a preservação da natureza. Ao saber do interesse da entidade, enquanto concedia entrevista a DeFato, professor Balbino pegou o contato do presidente Jean Charles e disse que ligaria depois para alinhar os interesses. Pode ser o início de uma parceria promissora.



Fonte: DeFato Online



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