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Bioinsumos: A alternativa aos agrotóxicos que vem do conhecimento do campo

Compartilhe:     |  28 de outubro de 2020

Manejar a terra e controlar os organismos presentes nas plantações usando alternativas que vem da própria natureza não é novidade na história da agricultura. O nome bioinsumo, dado a fertilizantes, defensivos, produtos para nutrição e extratos feitos de bactérias, fungos, vírus e nematoides (vermes microscópios geralmente abundantes no solo) é recente. Mas a prática de buscar equilíbrio natural nas plantações não.

“A primeira coisa que a gente tem que pensar quando a gente fala em bioinsumos é que há algumas décadas, a gente não usava agrotóxico. É um insumo muito novo na nossa cultura de alimentos. Antigamente, as pessoas que cultivavam alimentos, elas tinham acesso ao que a gente tem na nossa terra, no ambiente que a gente cultiva nosso alimento”, explica a agricultora do Sul de Minas Gerais, Letícia Osório Bustamante, que é presidente da central de associações Orgânicos Sul de Minas.

Apesar disso, a atenção do mercado em geral a esse tipo de produto, típico da agricultura orgânica, é mais recente. No Brasil, um dos países do mundo que mais joga agrotóxicos nas lavouras, o programa governamental de incentivo ao uso de bioinsumos tem menos de seis meses de existência.

Houve aumento na produção, em paralelo a uma tendência mundial, mas frente a liberação de agrotóxicos, o movimento ainda é tímido. Em 2019, dos mais de 470 produtos liberados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), apenas 8,4% correspondiam a bioinsumos. No ano anterior, o índice chegou a cerca de 10%. Letícia Osório afirma que nas últimas décadas convencionou-se que os químicos são a única alternativa possível para as lavouras.

“Na agroecologia a gente não pode falar em praga. A gente não tem esse pensamento de combater outro ser vivo que está naquele ambiente com a gente. Existe um ambiente desequilibrado e com o desequilibro a gente tem um ataque de alguns seres vivos nas plantas que a gente está cultivando. Na agroecologia a gente tenta equilibrar o ambiente, o que envolve todos os seres vivos trabalhando naquele ambiente de forma coletiva”.

A agricultora cita práticas que são comuns e ancestrais para controle biológico, como o uso de plantas que repelem insetos e o estímulo a presença equilibrada de animais predadores e polinizadores. “Os bioinsumos vêm muito dessa realidade, desse equilíbrio e dessa observação que a gente tem da nossa terra, pra gente poder trabalhar coletivamente”.

Segundo o Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento, o Programa Nacional de Bioinsumos tem o objetivo de estimular a pesquisa, a produção e o uso de produtos biológicos, para que o mercado interno seja menos dependente de produtos estrangeiros. Letícia afirma que a regulamentação é importante, mas não pode representar dependência de empresas para os agricultores.

Nas palavras dela, é preciso priorizar o conhecimento do produtor. “Se a gente tem uma construção de legislação para regulamentar os bioinsumos, a gente precisa ouvir quem produz os bioinsumos. As empresas produzem agora porque elas viram uma oportunidade para lucrar em cima do que o agricultor faz. Mas a gente precisa colocar o agricultor no centro da discussão. É ele que sabe. Eles têm conhecimento e precisam da colaboração da sociedade para a construção desse conhecimento”.

Segundo dados do Ministério da Agricultura, atualmente, os bioinsumos são usados em cerca de 10 milhões de hectares do sistema de produção brasileiro. Os produtos são usados não apenas na produção, mas também no armazenamento e no beneficiamento das lavouras.



Fonte: Brasil de Fato



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