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Biólogo fotografa ‘avenida de lixo’ em canal no Rio e lamenta: ‘Cartão de boas-vindas’

Compartilhe:     |  2 de abril de 2015

O biólogo Mário Moscatelli esteve, nesta terça-feira, no Canal do Cunha, próximo à Ilha do Fundão, na Zona Norte do Rio, e fotografou uma verdadeira “avenida de lixo” no local. O entulho tomou conta do espelho d’água: é possível ver vegetação na lateral e o manguezal ao fundo. Moscatelli apelidou o trecho como “avenida de degradação” e chama a atenção para a imagem que ele passa para quem chega à cidade – o local é passagem para quem sai do Aeroporto Internacional Tom Jobim.

– Nossa porta de entrada internacional é essa. Além da vista, que não precisamos nem comentar, tem o mau cheiro horrível. Esse é o Rio que que vamos apresentar como cartão de boas-vindas para quem chegar para as Olimpíadas de 2016 – disse ele, que publicou alguns dos registros em seu perfil no Facebook.

Os detritos taparam completamente o espelho d’água
Os detritos taparam completamente o espelho d’água Foto: Mário Moscatelli

Nas imagens, além da “avenida de degradação”, é possível ver trechos com muito lixo acumulado. De acordo com Moscatelli, a situação atingiu esse extremo por falta de manutenção da redes e telas de proteção que impediram que os detritos voltassem a entrar no canal.

– Entre 2010 e 2012 houve a dragagem, mas a manutenção não foi feita e o canal se tornou um exemplo de como projetos ambientais que dão certo, quando abandonados, viram sinônimo de dinheiro público jogado no lixo – disse o biólogo, adiantando que, por enquanto, só que se mantém é a recuperação de uma área de 13 hectares plantados do manguezal.

As redes de proteção estão sem manutenção
As redes de proteção estão sem manutenção Foto: Mário Moscatelli

Moscatelli afirmou ainda que a manutenção das redes e telas mobilizaria 30 homens e embarcação. Isso, além do material, custaria aos cofres públicos, de acordo com os cálculos do biólogo, R$ 800 mil por ano.

– Vou começar um mutirão no Facebook para quem quiser ajudar aquela área. É o jeito – disse ele.

O biólogo diz que convocará um mutirão pelo Facebook
O biólogo diz que convocará um mutirão pelo Facebook Foto: Mário Moscatelli

Financiado pela Petrobras em parceria com o governo do estado e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o programa ambiental que envolveu a dragagem dos canais do Cunha, do Fundão e a recuperação do manguezal custou R$ 194 milhões e foi concluído em dezembro de 2012.

Procurada para comentar a situação retratada pelo biólogo, a assessoria de imprensa do Instituto Estadual de Ambiente (Inea) ainda não se pronunciou.



Fonte: Extra - Ana Carolina Torres



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