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Biólogos realizam 1º censo para contar espécies de aves limícolas

Compartilhe:     |  28 de janeiro de 2019

Pesquisadores de cinco países se dedicam à contagem das aves que viajam o mundo. Dados coletados serão essenciais para avaliar situação de diferentes ecossistemas.

Durante o verão as praias recebem um número maior de turistas, afinal, é neste período de férias que muita gente busca descansar e aproveitar os dias à beira mar. Mas não são só as pessoas que passam a frequentar o litoral e a costa brasileira. Entre os meses de dezembro e janeiro outros visitantes roubam a cena nesses locais: as aves limícolas migratórias.

O termo limícolas faz referência às aves que têm por hábito se alimentar de pequenos invertebrados que vivem no lodo, do latim limus.

Espécies como maçaricos, batuíras e pernilongos são alguns dos representantes deste grande grupo que pode ser encontrado em praias e zonas úmidas perto de água salobra, doce e salgada. Embora as aves apresentem características particulares, a grande maioria das limícolas se caracteriza por ter pernas alongadas e bicos finos e até compridos.

Entre os hábitos, o que chama atenção é o fato de muitas serem migratórias e algumas delas realizarem viagens de longa distância, podendo percorrer mais de 18 mil quilômetros de um lugar a outro, como é o caso do maçarico-de-papo-vermelho, que se reproduz no Alasca e migra para a Terra do Fogo, no extremo sul da América do Sul, com pontos de parada pela costa brasileira no caminho.

E para compreender mais sobre estas diferentes espécies e os respectivos comportamentos, a partir de hoje está sendo realizado o 1º Censo Simultâneo de Aves Limícolas do Cone Sul. Além do Brasil, países como Chile, Peru, Uruguai e Argentina também estão participando da contagem dessas aves.

“O censo tem o intuito de determinar o tamanho das populações de aves limícolas e identificar as áreas mais importantes para cada espécie migratória”, conta Juliana Almeida, coordenadora do censo no Brasil.

Por aqui, o palco do censo será toda a costa do Rio Grande do Sul e Santa Catariana. O motivo é simples: essas regiões são as mais importantes para as aves limícolas que vem pra cá. Pelo menos 23 biólogos, observadores e estudantes participarão da contagem das aves. “O censo é feito por meio da observação com binóculos e lunetas e contagem dos indivíduos. Todos os dados serão inseridos no aplicativo eBird, plataforma de ciência cidadã”, explica Juliana.

As informações coletadas trarão atualizações sobre a real situação de alguns bandos e grupos de aves. “Será possível comparar com estimativas passadas e futuras para que possamos saber se elas estão aumentando ou diminuindo em número, além de entendermos também quais são as áreas preferidas de cada espécie”, acrescenta.

Mas o trabalho não para por aí. Os dados coletados em campo serão analisados e publicados em uma revista científica. Há também um projeto de publicação de um atlas para distribuir em diferentes setores da sociedade.

Aves limícolas

Cerca de 50 espécies de aves limícolas migratórias podem ser encontradas no Brasil, 13 delas são residentes do nosso território, quatro são migrantes do cone-sul e 30 migrantes do Hemisfério Norte. Avistar aves limícolas é sempre um motivo para comemoração, afinal essas espécies desempenham funções importantes em todos os ecossistemas que ocorrem. A partir da observação desses animais é possível avaliar questões de modificações ambientais, já que atuam como peça fundamental de ligação ecológica em diferentes regiões do planeta.

Entre tantas espécies há sempre uma “figurinha” mais desejada de ser encontrada na natureza. “Sempre ficamos na expectativa de encontrar as mais raras ou ameaçadas, como o maçarico-de-papo-vermelho (Calidris canutus), maçarico-acanelado (Calidris subruficollis) e maçarico-de-bico-virado (Limosa haemastica), além do carismático piru-piru (Haematopus palliatus)”, finaliza.

O censo é liderado pela SAVE Brasil, com colaboração da FURG, CECLIMAR/UFRGS, PUC-RS Unisinos, CEMAVE/ICMBio, PARNA Lagoa do Peixe, Área de Proteção Ambiental da Baleia Franca e Coa Poa, e com o patrocínio da WHSRN, U.S. Fish and Wildlife Service, NeoEnergia, Bobolink Foundation, e BirdLife International. Os profissionais envolvidos no censo passaram por um preparo que contou com workshops e também aulas práticas na praia.

Sobre o censo

No Sul do Uruguai e na Argentina o censo foi realizado neste sábado (26), em Santa Catarina o trabalho foi efetuado no domingo (27). No Peru e no Chile as atividades aconteceu também neste final de semana.



Fonte: Anda



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