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Biólogos realizam delicada operação para salvar tartaruga gigante

Compartilhe:     |  20 de dezembro de 2014

Um país de porta e mar abertos: dez ilhas, a 450 quilômetros do continente africano, a 1,5 mil quilômetros da Europa. Um país colonizado pelos portugueses e fala português. E com fortes correntes que levam ao Brasil.

Quinhentos mil cabo-verdianos vivem no país. Um milhão de cabo-verdianos vivem em outros países.

Fausto Rosário, historiador: É uma compulsão que nós temos, algo que nos obriga de fato a passar da linha do horizonte e ver o que está mais longe. Voltamos sempre porque, no fundo, é aqui que a felicidade está. É preciso ir, para ter o prazer de voltar.

Vão, mas voltam, como as ondas. É pedra vulcânica, em vez de areia. E uma baía aconchegante. Para passear suavemente com a barbatana de fora.

Quem viaja pela longa estrada do Atlântico encontra abrigo em Cabo Verde.

O arquipélago do ir e vir, para muitas espécies. Uma dupla de biólogos espanhóis mergulha discretamente nas águas calmas da baía. E, em poucos minutos, saem de lá com uma jovem de 5 anos. Saem com todo cuidado da água.

Os biólogos trabalham em uma Organização Não-Governamental que pesquisa o fluxo de espécies que todo ano vão a Cabo Verde para se alimentar, acasalar, desovar.

Ao todo, 41 centímetros, sangue colhido para análise de laboratório: a tartaruga de casco levantado, esse é o nome da espécie, em perigo crítico de extinção. A carapaça dela é usada em peças de artesanato em alguns países.

A encontrada pelos biólogos pesa nove quilos e já passou pela fase mais crítica na luta pela sobrevivência frente aos predadores. Mas ela está impaciente.

Depois de uns 15 minutos de exames, medições, o biólogo Pedro deu ao repórter Tino Marcos o privilégio de colocar a tartaruguinha de volta ao mar, voltar para o seu habitat.

Todo ano, mais de quatro mil tartarugas fêmeas deixam seus ovos em Cabo Verde. Vêm e voltam.

A Praia de João Barrosa é parte do parque natural chamado Tartaruga. De dia, deserta. À noite é que começa o movimento por lá.

A equipe seguiu com os pesquisadores até um acampamento que serve de base para os biólogos, em uma praia deserta. Pelo rádio de comunicação, um pesquisador informa que encontrou uma tartaruga, mas o pessoal não tem certeza de que ela vai desovar. Pode ser que ela volte para o mar.

Eles chegam a ela. É da espécie careta-careta. Mas quase não podem vê-la, a equipe não pode acender nossas luzes.

Quando começam as contrações, a equipe pode trocar a luz vermelha pela branca. Uma lanterna no buraco feito pela tartaruga.

O primeiro ovo é o mais demorado. Depois, é escala industrial.

Junto com os ovos, um líquido viscoso, com antibióticos naturais, que protegem de fungos, parasitas e até eliminam o cheiro dos ovos: uma chance a menos para os predadores. Parecem bolinhas de ping-pong.

Depois de tampar bem o terreno, a tartaruga inicia o trabalhoso caminho de volta ao mar. Fora dele, é só uma vez por ano, para a desova, e olhe lá.

Agora, são os pesquisadores que cavam novamente o buraco, tiram os ovos e os alinham em fileiras de dez. Deu um quadradão bonito: 94 ovos. Levados a uma área cercada que eles chamam de berçário. Lá, estão em condições seguras para o período de 45 a 70 dias de incubação.

Os biólogos permitiram que Tino Marcos pegasse um ovinho, porque em um primeiro momento ele é muito resistente, embora ele não seja muito rígido. Ele suporta muito bem o peso, inclusive uns dos outros, dentro do buraco, da areia, portanto, ele precisa ser muito resistente nesse primeiro momento.

Em uma fase mais adiantada deste processo, os pequenos cabo-verdianos estão prontos para iniciar sua aventura no mar.



Fonte: Globo Repórter



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