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Blocos de construção da vida podem surgir antes das estrelas

Compartilhe:     |  19 de novembro de 2020

glicina, o aminoácido mais simples e um importante bloco de construção dos seres vivos, pode se formar nas condições incrivelmente adversas que regem a química no espaço aberto, fora dos planetas.

Sergio Ioppolo e seus colegas de várias universidades europeias e dos EUA demonstraram como a glicina, e muito provavelmente outros aminoácidos, formam-se em densas nuvens interestelares muito antes que essas nuvens se transformem em estrelas e planetas.

O aminoácido já havia sido detectado na cauda do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko e em amostras trazidas à Terra pela missão Stardust, mas até agora os cientistas acreditavam que a formação da glicina exigia energia, estabelecendo restrições claras ao ambiente em que ela poderia ser formada.

A equipe internacional demonstrou agora que é possível a glicina se formar na superfície de grãos de poeira gelada, na ausência de energia, por meio da chamada “química escura”, o que contradiz experimentos anteriores que sugeriram que a radiação ultravioleta era necessária para produzir esta molécula.

“A química escura se refere à química sem a necessidade de radiação energética. No laboratório, fomos capazes de simular as condições em nuvens interestelares escuras, onde as partículas de poeira fria são cobertas por finas camadas de gelo e a seguir processadas pelo impacto de átomos, causando a fragmentação de espécies precursoras e a recombinação de intermediários reativos,” disse Ioppolo, da Universidade Rainha Maria, no Reino Unido.

Vida pelo espaço

Os cientistas primeiro mostraram como a metilamina, a espécie precursora da glicina que foi detectada na coma do cometa 67P, poderia se formar. A seguir, usando uma configuração de ultra-alto vácuo, equipada com uma série de linhas de feixe atômico, eles conseguiram confirmar que a glicina também poderia se formar nas mesmas condições, e que a presença de gelo de água era essencial neste processo.

“A conclusão importante deste trabalho é que moléculas que são consideradas blocos de construção da vida já se formam em um estágio muito anterior ao início da formação das estrelas e planetas,” disse o professor Harold Linnartz, do Observatório de Leiden, nos Países Baixos. “Essa formação precoce da glicina nas regiões de formação de estrelas implica que este aminoácido pode ser formado de forma mais onipresente no espaço e é preservado no interior do gelo antes de sua inclusão em cometas e planetesimais que compõem o material a partir do qual, em última análise, os planetas são feitos.”

“Seguindo o mesmo mecanismo, em princípio outros grupos funcionais podem ser adicionados ao esqueleto de glicina, resultando na formação de outros aminoácidos, como a alanina e a serina, nas nuvens escuras do espaço. No final, esse rico inventário molecular orgânico é incluído em corpos celestes, como cometas, e entregues a planetas jovens, como aconteceu com a nossa Terra e muitos outros planetas,” acrescentou Ioppolo, dando apoio a uma teoria conhecida como panspermia.

Bibliografia:

Artigo: A non-energetic mechanism for glycine formation in the interstellar medium
Autores: Sergio Ioppolo, G. Fedoseev, K.-J. Chuang, H. M. Cuppen, A. R. Clements, M. Jin, R. T. Garrod, D. Qasim, V. Kofman, E. F. van Dishoeck, H. Linnartz
Revista: Nature Astronomy
DOI: 10.1038/s41550-020-01249-0



Fonte: Inovação Tecnológica



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