Notícias

Boas de timing: flores sabem a hora de espalhar o perfume

Compartilhe:     |  1 de julho de 2015

Na sedução, saber a hora certa de agir é uma qualidade preciosa, que separa os bem-sucedidos dos fracassados. As petúnias, flores de pétalas delicadas e comuns nos jardins brasileiros, são mestres nessa arte. De acordo com uma pesquisa publicada na segunda-feira (29) no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), elas sabem exatamente quando liberar perfume para atrair polinizadores e, assim, garantir a reprodução e a perpetuação dos genes.

De acordo com os pesquisadores da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, as petúnias desenvolveram um sistema sofisticado para relacionar a liberação de químicos perfumados ao momento em que os insetos que fazem a polinização estão ao redor. Assim, elas agarram os insetos “pelo perfume” e garantes as suas sementes.

Inteligência das plantas – Há alguns anos, os cientistas estão descobrindo que os vegetais têm habilidades de comunicação, defesa e memória. O que encontraram agora é uma complexa estratégia para potencializar a sedução e a reprodução. O estudo demonstra como o gene LHY, encontrado em muitas espécies vegetais e ligado ao ritmo circadiano (que regula um grande número de processos biológicos nas células), é usado pelas petúnias para comandar a liberação dos odores. O gene é mais ativo durante a manhã, quando as flores produzem os químicos perfumados, e controla a liberação para o período noturno.

“As plantas emitem seu perfume quando querem atrair polinizadores. Faz sentido que elas sincronizem essa ação quando todos os polinizadores estão chegando”, afirma o biólogo Takato Imaizumi, um dos autores do artigo.

No futuro, os cientistas pretendem manipular a atividade do gene LHY para testar se a polinização se torna mais ou menos eficaz. Se ele realmente ajudar na reprodução das espécies, pode ser uma descoberta valiosa para a indústria agrícola.

As recém-descobertas habilidades vegetais

Linguagem

Linguagem

Uma das formas de as plantas se comunicarem é por meio de compostos orgânicos voláteis (VOC), que viajam pelo ar. Nos anos 1980, dois estudos, um deles publicado na revista “Science”, mostraram evidências de que esses químicos serviam para a comunicação vegetal. Dez anos depois, o biólogo Edward Farmer, da Universidade de Lausanne, na Suíça, mostrou como, em laboratório, artemísias emitiam grandes quantidades de metil jasmonato ao serem atacadas por insetos. Esse composto, recebido por folhas de tomate, fazia com que o fruto ficasse mais resistente a pragas — ele passava a produzir moléculas que, consumidas pelos insetos, interrompem sua digestão. A última comprovação de que a linguagem vegetal ocorre por meio dos VOCs veio no fim de 2013, com uma pesquisa publicada no periódico “Ecology Letters”. Ela mostrou que, em condições naturais, as folhas que recebem esses químicos de vizinhas feridas tornam-se mais resistentes a herbívoros. Outra maneira com que as plantas “falam” umas com as outras foi mostrada em um estudo de 2010, publicado na revista “Plos One”. Ele explica como um pé de tomate infectado por uma doença avisa os outros por meio de micorrizas, fungos que surgem nas raízes. Ao lado das micorrizas, os tomates produzem enzimas defensivas, tornando-se mais resistentes a doenças. Os pesquisadores concluíram que esse pode ser um tipo de comunicação vegetal subterrâneo.

Defesa

Defesa

Um estudo publicado na edição de fevereiro do periódico “Ecology Letters” demonstrou como os vegetais se defendem. Segundo os pesquisadores, a árvore Acacia manipula suas folhas para transformar as formigas “Pseudomyrmex ferrugineus” em aliadas, protegendo-as de pragas e animais herbívoros como vacas e cavalos. As flores produzem um néctar sem sacarose e, além disso, liberam um composto que, no organismo das formigas, impede que elas façam a digestão do açúcar. Os insetos, que precisam de néctar para sobreviver, tornam-se dependentes do composto sem sacarose, pois, impedidos de digerir doces, não podem mais buscar o alimento açucarado de outros vegetais.

“Imagine que uma companhia que vende leite sem lactose coloque nele um composto que impeça a digestão da lactose. Assim que você tomar esse leite, você terá que continuar com ele, porque será incapaz de digerir o leite normal. É mais ou menos isso que as plantas fazem”, explica o pesquisador Martin Heil, do Centro de investigação e Estudos Avançados do Instituto Politécnico Nacional do México, e principal autor do estudo.

Memória

Memória

Um estudo publicado na edição de janeiro do periódico “Oecologia” explica que a espécie “Mimosa pudica”, conhecida como não-me-toques ou dormideira, aprende e tem memória. Submetida pelos cientistas a quedas em sequência, suas folhas se recordaram dos tombos por até um mês. Os pesquisadores não conseguiram explicar como elas são capazes de fazer isso, sem um cérebro que coordene suas funções.

Impulsos elétricos

Impulsos elétricos

Há algum tempo os biólogos sabem que todas as células vivas transmitem mensagens por meio de sinais elétricos — chamados de íons. Eles passam através das membranas de acordo com a concentração de íons de cada lado. Em agosto do ano passado, o biólogo Edward Farmer, da Universidade de Lausanne, na Suíça, demonstrou, em um estudo na revista “Nature”, como os pulsos viajam pelas membranas da planta através de longas distâncias. Elas são semelhantes a rudimentares sinapses animais.

Fidelidade familiar

Fidelidade familiar

Em 2007, um estudo publicado no periódico “Biology Letters” mostrou que as plantas reconhecem membros da sua família e competem menos por água e espaço com elas do que com estranhos. Quando as vizinhas são desconhecidas, o vegetal tende a espalhar mais suas raízes, competindo com ela, do que quando está ao lado de plantas da mesma espécie. Dois anos depois, cientistas da Universidade de Delaware, nos Estados Unidos, descobriram como pés de “Arabidopsis thaliana” reconhecem seus parentes: elas identificam compostos químicos secretados pelas raízes.

Audição

Audição

Um estudo conduzido pela bióloga Monica Gagliano, da University of Western Australia, na Austrália, publicado em 2012, mostrou que as folhas de milho são capazes de identificar sons. A cientista submeteu brotos de milho a ondas sonoras de diferentes comprimentos e percebeu que, quando elas chegavam a 200 hertz, as raízes se inclinavam em direção ao som. A hipótese da pesquisadora é que essa percepção seja um modo de comunicação mais econômico que a emissão de compostos orgânicos voláteis (VOC).

Olfato

Olfato

Por não ter clorofila, as plantas conhecidas como cuscuta precisam sugar a seiva de outras plantas. Um estudo publicado na revista “Science”, em 2006, mostrou que essas parasitas escolhem seu alvo por meio do aroma. Elas diferenciam tomate ou trigo (preferem o tomate), assim como plantas sãs ou doentes (escolhem as sãs), por meio de seus receptores capazes de identificar compostos voláteis emitidos pelos vegetais.



Fonte: Veja - Da redação



Leia também:

Projetos ambientais
Aqui você é o Reporter

Espaço Animal

Lei que proíbe piercings e tatuagens em animais é sancionada no Distrito Federal

Leia Mais