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Braços dos polvos são capazes de tomar decisões sem passar pelos seus cérebros

Compartilhe:     |  3 de setembro de 2019

Talvez você se lembre de quando os cientistas teorizaram (sem brincadeira) de que os polvos eram alienígenas. Isso por que sua evolução não se parece com a evolução de nenhum outro animal da Terra.

E as coisas acabaram de ficar ainda mais estranhas: os polvos mal precisam de um cérebro porque eles têm seus braços para fazer todo o trabalho por ele.

É isso mesmo que você leu: dois terços dos neurônios dos polvos são distribuídos por seus corpos, entre seus braços, e estes braços podem se comunicar uns com os outros e tomar decisões sem passar pelo cérebro.

Foi isso que pesquisadores da Universidade de Washington, nos EUA, descobriram (em total espanto e admiração, só posso especular).

Sistema nervoso distribuído

Os pesquisadores estudaram polvos-gigantes-do-Pacífico (Enteroctopus dofleini) e polvos-vermelhos (Octopus rubescens), nativos do Oceano Pacífico Norte.

Esses animais não possuem um sistema nervoso centralizado, como nós e os animais vertebrados. Como já foi mencionado, uma parte está distribuída por seus corpos: são 500 milhões de neurônios no total, sendo que cerca de 350 milhões ficam ao longo dos braços em “grupos” chamados de gânglios.

“Uma das grandes questões que temos é como um sistema nervoso distribuído funcionaria, especialmente quando se tenta fazer algo complicado, como se movimentar e encontrar comida em um complexo oceano. Há muitas questões abertas sobre como essas partes do sistema nervoso são conectadas umas às outras”, disse o neurocientista David Gire, da Universidade de Washington.

Testes

Para testar como os polvos reagiriam neuralmente a certas situações, os pesquisadores deram uma série de objetos aos animais, como rochas com textura, LEGOs e labirintos com comida dentro.

Em seguida, gravaram os movimentos para acompanhar o comportamento dos animais e registrar suas informações neurais, a fim de descobrir como a informação estava fluindo através do sistema nervoso, dependendo de como os seus braços estavam se movendo.

Por exemplo, se fosse em sincronia, isso sugeria controle centralizado. Se um braço se movesse sozinho, isso sugeria uma tomada de decisão independente.

Os cientistas concluíram que, quando os braços de um polvo recebem informações sensoriais e motoras de seu ambiente, os neurônios podem processá-las e iniciar uma ação sozinhos, sem que o cérebro precise fazer qualquer coisa.

O que está acontecendo aqui?

“Você está vendo um monte de pequenas decisões sendo feitas por esses gânglios distribuídos, apenas observando o movimento do braço, então uma das primeiras coisas que estamos fazendo é tentar entender como esse movimento realmente se parece, de uma perspectiva computacional. O que estamos vendo, mais do que foi visto no passado, é como as informações sensoriais estão sendo integradas nessa rede, enquanto o animal está tomando decisões complicadas”, afirmou Gire.

“Os braços do polvo têm um anel neural que contorna o cérebro, e assim podem enviar informações um ao outro sem que o cérebro esteja ciente disso. Então, enquanto o cérebro não tem certeza de onde os braços estão no espaço, os braços sabem onde estão uns aos outros e isso permite que se coordenem durante ações como locomoção rastejante”, explicou o neurocientista comportamental Dominic Sivitilli, da Universidade de Washington.

Uma evidência desta habilidade de ficção científica dos polvos é que seus braços podem continuar a responder a estímulos mesmo depois de serem cortados e separados de um animal morto.

Logo, os cientistas consideram esses animais muito úteis para entender a inteligência na Terra (e fora dela, não preciso nem argumentar). Veja só – procuramos tanto aliens pela galáxia inteira, enquanto eles estavam aqui debaixo de nossos narizes o tempo todo.

“É um modelo alternativo para inteligência”, complementou Sivitilli. “Nos dá uma compreensão sobre a diversidade da cognição no mundo e, talvez, no universo”.

Texto baseado em artigo originalmente publicado no Science Alert.



Fonte: Hypescience - Natasha Romanzoti



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