Notícias

Brasil: Golfinhos em SC ajudam pescadores há mais de 100 anos

Compartilhe:     |  20 de maio de 2015

Pescadores da cidade de Laguna, em Santa Catarina, desenvolveram uma relação simbiótica única com golfinhos: eles contam com as criaturas inteligentes para ajudá-los a pegar peixes!

Estudos revelaram que há um grupo particular de cerca de 20 golfinhos que trabalham ao lado dos pescadores, enquanto o resto dos golfinhos locais preferem buscar alimentos por conta própria.

Os golfinhos trabalham juntos para atrair grupos de tainha para os pescadores. Eles, então, utilizam seus sinais sonoros para alertar os pescadores a respeito de quando e onde as redes devem ser jogadas. O sistema funciona bem para ambas as partes: um não poderia sobreviver sem o outro. Os pescadores capturam todos os peixes que necessitam, enquanto a maioria dos peixes que conseguem escapar das redes viram o alimento dos golfinhos. A água é tão escura em Laguna que os pescadores não seriam capazes de capturar peixes de forma tão eficiente sem a ajuda dos golfinhos. É por isso que eles só pescam quando os mamíferos marinhos aparecem.

“Cerca de 200 pescadores locais são inteiramente dependentes dos golfinhos para a captura dos peixes”, disse o pesquisador Fábio Daura Jorge em entrevista ao Live Science. “Os pescadores não pescam sem a assistência dos golfinhos e conhecem os animais individualmente, por suas marcas naturais “. Ele acrescentou que os pescadores ainda têm nomes para os golfinhos, como ‘Scooby’ e ‘Caroba’.

Curiosamente, os pesquisadores descobriram três grupos sociais diferentes de golfinhos em Laguna, sendo que apenas um coopera com os pescadores. A cooperação pode ser um traço comportamental aprendido ou herdado. Os pesquisadores acreditam que o comportamento é transmitido da mãe para os filhotes, através da aprendizagem social. Da mesma forma, os pescadores mais velhos ensinam seus filhos como trabalhar com os golfinhos.

“A ideia de que as demandas de interações sociais complexas poderiam ter conduzido a evolução da inteligência tem sido discutida desde meados dos anos 70”, disse Luke McNally do Grupo de Pesquisa em Ecologia Teórica, no Trinity College Dublin, na Irlanda.

“Sociedades de golfinhos são muito complexas, e a interação social parece conduzir o comportamento de cooperação. Pode ser que o desenvolvimento ocorra nas comunidades costeiras menores, pois há um alto grau de interação social entre os animais e a população”, opinou Fabio. “Essencialmente, se perdermos os golfinhos cooperativos, perdemos essa forma tradicional e única de vida”, acrescentou.

Embora ambas as partes obtenham sua cota de peixes, é interessante notar que nunca há uma troca direta entre os golfinhos e os pescadores, muito menos seguem um horário fixo. “Os golfinhos trabalham em seu próprio tempo: Os pescadores, muitas vezes, ficam de braços cruzados em terra”, escreveu o biólogo de conservação, Joe Roman. “Além do Brasil, tais interações simbióticas, nas quais tanto os seres humanos quanto espécies selvagens se beneficiam, são raras. A maioria parece ser o que os biólogos chamam de relacionamentos comensais, ou seja, com benefícios secundários, onde não há nem ganhos, nem perdas”, completou.

Esta forma única de pesca cooperativa vem acontecendo há pelo menos 120 anos, conforme comprovado por uma carta do século 19, que menciona os golfinhos especiais de Laguna, Apesar disso, ninguém sabe exatamente como e quando tudo começou.



Fonte: Jornal Ciência - Bruno Rizzato



Leia também:

Projetos ambientais
Aqui você é o Reporter

Espaço Animal

Lei que proíbe piercings e tatuagens em animais é sancionada no Distrito Federal

Leia Mais