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Brasil registra um grande terremoto a cada 50 anos, segundo centro de pesquisa

Compartilhe:     |  28 de novembro de 2014

Quatro instituições unem-se esta sexta-feira para formar o Serviço Sismológico Nacional. Os centros de pesquisa calculam que o país registra um terremoto de magnitude maior do que 6 graus na escala Richter a cada 50 anos, aproximadamente — o último foi em 1955, no noroeste de Mato Grosso, com índice de 6,2 graus. O tremor foi sentido em Cuiabá, a 370 km de distância.

As universidades de São Paulo (USP), de Brasília (UnB) e a Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) trabalharão sob a coordenação do Observatório Nacional. O grupo mantém cerca de 80 estações sismológicas no país e registros iniciados em 1767. A mais recente foi inaugurada no mês passado, na Ilha de Trindade, a cerca de 1,2 mil quilômetros ao leste de Vitória, no Espírito Santo.

O órgão pretende instalar em breve novos pontos de medição nos arquipélagos de Abrolhos, na Bahia, e Fernando de Noronha, em Pernambucano. Para isso, dependem, respectivamente, da autorização da Marinha e do governo estadual.

— Estações sismográficas fora do continente são essenciais para melhorar a precisão na localização dos epicentros dos tremos de terra no oceano — ressalta Sérgio Fontes, geofísico da Observatório Nacional e coordenador do novo Serviço Sismológico. — Por isso, queremos construir ainda este ano estações em Abrolhos e Fernando de Noronha, aumentando o raio de detecção dos terremotos.

Embora os terremotos sejam mais comuns em regiões de encontro de placas tectônicas, o que não ocorre dentro do Brasil, cada uma delas é formada por uma série de microplacas, que podem gerar efeitos sísmicos de menor magnitude.

Na última terça-feira, 25, um tremor de 4,6 graus de magnitude atingiu o Amazonas, na divisa com o Acre e na fronteira com o Peru. Não houve registro de vítimas.

— Existem zonas de falhas entre as placas, que podem ser reativadas a qualquer momento — alerta Fontes. — A compressão entre placas provocou, na época da divisa entre a América do Sul e a África, a formação das cordilheiras da Serra do Mar e da Mantiqueira.

O Serviço Sismológico pretende mapear eventos de pequena magnitude, de até 3 graus na escala Richter, que ocorrem frequentemente no país. Ainda assim, não é possível determinar quando exatamente haverá um tremor.

— Não é como fazer a previsão do tempo — pondera o geofísico. — Encontrar estes eventos será sempre um grande enigma. Com base nos registros históricos, parece que o Centro do país é a área mais vulnerável, mas outras regiões também podem ser vítimas da reativação das zonas de falhas das placas tectônicas.

NO RIO, MAIS DE 1 MILHÃO DE AFETADOS

Se um grande terremoto ocorresse hoje em uma metrópole brasileira, o estrago atingiria proporções sem precedentes.

— O Rio, por exemplo, tem 6,3 milhões de habitantes, sendo que 1,4 milhão moram em favelas. O risco de deslizamento de terras seria imenso — alerta Fontes. — Eles seriam os primeiros afetados, mas também haveria estragos em outras áreas da cidade. Temos construções muito frágeis, mesmo fora das comunidades. Ao contrário de outros países, como Japão e Chile, que estão em áreas de choque de placas tectônicas, não investimos em moradias mais resistentes a tremores.

O novo órgão, porém, já nasce sem recursos. O Serviço não tem uma fonte de financiamento definida para o ano que vem. Os pesquisadores do Observatório Nacional lutam para que algum órgão do governo federal assuma os custos de manutenção das estações, que seriam de R$ 6 milhões por ano.



Fonte: O Globo - Renato Grandelle



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