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Brasileiros estudam micróbios da Antártica — pelo bem da nossa saúde

Compartilhe:     |  2 de fevereiro de 2020

Entre os 17 laboratórios da nova base brasileira na Antártica, um se destaca pelos níveis redobrados de biossegurança. É o Fiolab, o laboratório da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) criado por um acordo com a Secretaria da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (SECIRM/Marinha do Brasil), ampliando os estudos sobre os microorganismos presentes no continente gelado.

Bactérias, fungos, vírus, líquens e helmintos estão no radar dos pesquisadores, que devem coletar amostras dos micróbios até o início de março, que marca o fim do verão no polo sul. Tudo isso para que possamos entender quais tipos de microrganismos habitam a região, se eles podem apresentar algum grau de ameaça aos humanos e de que forma eles interagem com o ecossistema local e com os pesquisadores e militares que trabalham na Antártica.

Descobertas da saúde

Inaugurado em janeiro, o laboratório recebeu seus primeiros visitantes ainda em novembro de 2019, quando o professor Wim Degrave, do departamento de Bioquímica e Biologia Molecular da Fiocruz, e uma representante do Instituto Nacional de Infectologia chegaram à estação para organizar e testar os equipamentos. “Testamos todos os instrumentos de detecção, isolamento e preparação de material genético, e depois ficamos mais três semanas em um navio para fazer a coleta de material em vários pontos da Antártica”, afirma Degrave, que também é coordenador do projeto FioAntar.

Após a coleta, as amostras de gelo, da água do mar, do solo e de líquen são analisadas pela equipe laboratorial, especializada em diferentes áreas da microbiologia (como virologia e parasitologia) e encarregada de encontrar e caracterizar patógenos que ofereçam algum risco aos humanos.

Resultado de imagem para Brasileiros estudam micróbios da Antártica — pelo bem da nossa saúdeFioLab, o laboratório da Fiocruz na Antártica (Foto: Paulo Lara)

À primeira vista, pode soar estranha a preocupação com micróbios que vivem do outro lado do estreito de Drake, mar que divide a América do Sul da Antártica, mas a verdade é que as trocas entre os dois continentes são mais comuns do que se imagina. “Há muitos animais marinhos que migram da Antártica para o continente americano, como baleias, golfinhos, pinguins e aves marinhas”, explica Degrave. Além disso, lembra o pesquisador, há a visitação de pesquisadores, militares e, mais recentemente, turistas que pagam uma boa quantia para conhecer e explorar o continente gelado.

Biodiversidade boa para a saúde
Outro ponto positivo de se estudar os microrganismos da Antártica é a possibilidade de encontrar bactérias que possam produzir antibióticos ou outros micróbios que sirvam de protótipo para novos medicamentos. Organismos extremófilos, por exemplo, que são capazes de sobreviver ou vivem apenas sob condições extremas, têm um grande potencial para se tornar matéria-prima de novas tecnologias ou insumos de saúde.

“Na Antártica, sabemos que existem tanto microrganismos que crescem em temperaturas altas, aos 60 ou 70 ºC das águas termais, quanto aqueles que prosperam em temperaturas baixas, aos -20 ou até -40 ºC”, exemplifica Degrave.

Novas esperanças
Com a inauguração da nova base brasileira na Antártica, os cientistas podem respirar aliviados novamente. “Essa estação é referência de modernidade entre os laboratórios de condições extremas”, comemora Degrave. “Ela permite que façamos uma série de pesquisas em diferentes áreas, não apenas em biologia ou microbiologia, mas também em oceanografia, paleontologia, sedimentologia, sismologia e meteorologia.”

Resultado de imagem para Brasileiros estudam micróbios da Antártica — pelo bem da nossa saúdeCientistas brasileiros participam da segunda expedição para a Antártica a fim de coletar amostras de solo, água, fezes e carcaças deixadas próximas à Ilha Rei George (Foto: Fiocruz/Facebook)

Além disso, os novos laboratórios garantem conforto e qualidade de trabalho aos pesquisadores brasileiros, que por oito anos só puderam contar com os módulos de emergência em sua estadia na Antártica. Com equipamentos de análise e armazenamento para amostras biológicas garantido, nossos cientistas já podem voltar a trabalhar de igual para igual com outros países do Tratado da Antártica. Não há dúvidas de que vêm coisas boas por aí.



Fonte: Revista Galileu - LARISSA LOPES



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