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Brasileiros recriam cérebro de dinossauro que viveu há 233 milhões de anos

Compartilhe:     |  4 de novembro de 2020

Há 223 milhões de anos, no período Triássico, um dinossauro bípede, tão pequeno quanto um cachorro, passeava pelos atuais territórios de Brasil e Argentina. Apesar de seu tamanho, o chamado Buriolestes schultzi representa uma das primeiras linhagens dos saurópodes – dinossauros quadrúpedes, gigantes e pescoçudos que se alimentavam de plantas. Dois dos exemplos mais famosos de saurópodes são os braquiossauros e os diplodocos, que viveram na Terra há cerca de 100 milhões de anos.

Em 2015, paleontólogos da Universidade Federal de Santa Maria e da Universidade de São Paulo encontraram fósseis de B. schultzi no município de São João do Polêsine, no Rio Grande do Sul. Entre as amostras, estava um crânio bem preservado, que daria base para que os cientistas reproduzissem o cérebro do animal em 3D. A pesquisa que descreve esse trabalho de recriação do cérebro da espécie foi publicada nesta terça-feira (3) na revista científica Journal of Anatomy.

Como os tecidos moles de animais não costumam ser preservados por longos períodos, cientistas reconstroem o cérebro dos dinossauros por meio de tomografia computadorizada. Os dados são obtidos com base na análise das cavidades cranianas e, assim, é possível estimar como era o recheio de sua cachola.

O resultado da reconstituição foi um cérebro minúsculo, pesando cerca de 1,5 grama – mais leve do que uma ervilha. A morfologia, por sua vez, era bem primitiva, parecida com o cérebro de crocodilos. Além disso, os pesquisadores notaram que uma parte do cerebelo, o lobo flocular (relacionado a visão), era particularmente grande quando comparada ao dos saurópodes que vieram depois. O bulbo olfativo, por outro lado, era menor nos Buriolestes schultzi.

Há uma hipótese que pode explicar tais mudanças: o B. schultzi, apesar de ser um antigo parente dos saurópodes, não mantinha os mesmos hábitos. Eles eram carnívoros e, portanto, precisavam mais do lobo flocular para avistar as presas e caçar. Já o bulbo olfativo menor indica que o cheiro não era crucial para estes animais, mas evoluiu para que seus sucessores pudessem detectar predadores com mais facilidade.

A observação que mais impressionou os cientistas, no entanto, diz respeito à capacidade cognitiva dos Buriolestes, calculada com base no volume do cérebro e peso corporal dos dinossauros. A tendência é que este valor aumente na maioria dos animais, mas o número parece ter diminuído nos saurópodes.

O resultado sugere que os gigantes comedores de planta precisavam menos deste tipo de habilidade, provavelmente porque não eram caçadores. De toda forma, a capacidade cognitiva dos Buriolestes ainda é menor do que de dinossauros terópodes, como os carnívoros tiranossauro e velociráptor.

Por se tratar de um dos dinossauros mais antigos já encontrados no planeta, a reconstrução do cérebro de B. schultzi feita por pesquisadores brasileiros pode ajudar a paleontologia a traçar uma evolução de, aproximadamente, 130 milhões de anos. No futuro, novos estudos poderão contribuir para explicar como um ser bípede, carnívoro e pequeno originou dinossauros quadrúpedes, herbívoros e que chegavam a pesar toneladas.



Fonte: Superinteressante



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