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Buraco negro da Via Láctea tem bolhas de gás que um dia já foram estrelas

Compartilhe:     |  8 de fevereiro de 2020

No centro da nossa galáxia, a Via Láctea, existe um buraco negro supermassivo com a massa equivalente a 4 milhões de sóis. Esse fato parece ser a regra no universo, todas as galáxias devem abrigar um buraco negro supermassivo no seu centro. Algumas galáxias aparentemente possuem até mais de um buraco negro, sugerindo que no passado tenha havido uma colisão entre duas galáxias. O estranho, no caso da Via Láctea, é que ele não é tão massivo quanto nas outras galáxias.

Além de ser um caso de buraco negro supermassivo, nem tão super assim, o buraco negro central de nossa galáxia é bastante pacífico. Diferente da maioria dos outros casos, o “Sgr A*”, como o buraco negro no centro da Via Láctea é chamado, permanece adormecido a maior parte do tempo. Isso é um indicativo que não há muito material para ser engolido, pois somente nesses momentos ele pode ser detectado através da radiação emitida pela matéria ao ser engolida.

Mas isso nunca foi motivo para não ser estudado. Aliás, muito pelo contrário!

Há mais de 20 anos que vários grupos de astrônomos em diversas instituições de pesquisa pelo mundo estudam o buraco negro, se beneficiando da melhoria das técnicas de pesquisa ao longo desse tempo.

Com o desenvolvimento de telescópios capazes de observar no infravermelho e com a melhoria das técnicas que suprimem os efeitos da turbulência atmosférica foi possível monitorar o movimento das estrelas no centro da galáxia. Com duas décadas de observações precisas, foi possível estabelecer as órbitas dessas estrelas em torno do buraco negro central. Como a física por trás do movimento orbital de astros já é conhecida há mais de um século, foi possível determinar a massa do buraco negro.

Esse monitoramento todo, agora, revelou acompanhantes misteriosos para “Sgr A*”.

Órbitas das estrelas/bolhas de gás ao redor do buraco negro central da Via Láctea — Foto: Anna Ciurlo, Tuan Do/UCLA Galactic Center Group

Órbitas das estrelas/bolhas de gás ao redor do buraco negro central da Via Láctea — Foto: Anna Ciurlo, Tuan Do/UCLA Galactic Center Group

Anna Ciurlo, pesquisadora do grupo de estudos do centro galáctico da Universidade da Califórnia, publicou um trabalho no início de janeiro em que ela e seus colaboradores relatam a descoberta de 4 objetos intrigantes. Esses objetos se juntam a outros 2 conhecidos há quase 10 anos e que ninguém entendia direito o que poderiam ser.

Esses objetos orbitam o buraco negro com períodos entre 100 e 1 mil anos. Durante alguns momentos de suas órbitas, os objetos se comportam como estrelas, em outros, os objetos se comportam como bolhas de gás.

De acordo com as conclusões do grupo de Ciurlo, os objetos são de fato bolhas de gás, mas já foram estrelas em algum momento de suas vidas. Mais ainda, eram todas estrelas duplas, ou seja, duas estrelas orbitando uma à outra, e as duas orbitando o buraco negro central. A influência gravitacional de “Sgr A*” teria desfeito os pares de estrelas, fazendo-as colapsar uma sobre a outra tornando-se uma verdadeira bolha de gás.

Essa bolha, no entanto, ainda ocuparia a órbita original do par, o que daria a elas o aspecto de mais uma estrela comum no centro da galáxia. Todavia, ao se aproximarem do buraco negro, as bolhas sofrem a forte ação das forças de maré e se deformam, como toda boa nuvem de gás faz. Depois elas retornam ao estado mais ou menos esférico.

Foi exatamente isso o que o time da Universidade da Califórnia deduziu das imagens de alta resolução obtidas nos melhores telescópios do Terra, como os que estão no alto do vulcão Mauna Kea no Havaí. E mais, durante um período em que um desses objetos se aproximava do buraco negro (e que estava mais espichado) o próprio buraco negro acordou repentinamente, mostrando alguma atividade, para logo depois voltar a ficar dormente. É muito provável que durante esse período uma parte da bolha tenha se rasgado e acabou alimentando o buraco negro.

O centro da Via Láctea é um lugar muito interessante, com objetos bastante peculiares. “Temos objetos que se parecem com estrelas, mas se comportam como gás”, resumiu bem Artur Levine, o diretor do centro de estudos do centro galáxia da universidade.



Fonte: G1 - Cassio Barbosa



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