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Busca por saúde e bem-estar impulsiona o turismo em áreas naturais

Compartilhe:     |  7 de abril de 2021

Contato com a natureza favorece hábitos saudáveis, reduz angústia e estresse e alia descanso e entretenimento. Turismo de bem-estar deve representar 18% do turismo global até 2022

A relação entre saúde, bem-estar e natureza é objeto de estudo em diferentes áreas do conhecimento. De maneira geral, há evidências científicas de que a maior conexão com a natureza pode oferecer inúmeros benefícios tanto para a dimensão física quanto para a saúde mental dos indivíduos. Tais experiências favorecem hábitos e alimentação saudáveis; realização de atividades físicas que ajudam a reduzir a pressão, a angústia e o estresse; além de trazer tranquilidade, elevar as emoções positivas e aliar descanso e entretenimento.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) define saúde como “um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doença ou enfermidade”. Em 1948, criou o Dia Internacional da Saúde, comemorado neste 7 de abril, justamente para promover a consciência sobre a importância destes diversos aspectos.

No Brasil, a Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein conduz uma iniciativa que investiga os efeitos positivos da natureza nos seres humanos. O projeto e-Natureza já demonstrou efetivo potencial para a promoção de emoções positivas entre pacientes internados em hospitais. Por meio de um banco de imagens submetido a mais de 27 mil avaliações, a pesquisa comprovou que os elementos que compõem uma paisagem natural evocam emoções como alegria, paz e tranquilidade, assim como melhora da autoestima. “Essas imagens têm influenciado a experiência de pacientes em quimioterapia, tanto em nível físico quanto emocional. São estudos pioneiros no país que sinalizam o potencial de pesquisas nessa área, tendo em vista nossa biodiversidade, diferentes biomas, possibilidades de intervenções baseadas na natureza em nosso meio”, explica a coordenadora do projeto, Eliseth Leão.

O e-Natureza entra agora em uma segunda fase, que visa ampliar a conexão e o engajamento dos profissionais da saúde e da população com a natureza, com foco na promoção da saúde e bem-estar. Esta etapa, que conta com o apoio da Fundação Grupo Boticário, desenvolverá um manual de boas práticas para o turismo de bem-estar em ambientes naturais, que inclua ações como cursos de formação on-line para gestores de unidades de conservação e profissionais de saúde, além de atividades contemplativas, observação de aves e natureza, banhos de floresta e interpretação ambiental. Com isso, espera-se qualificar, com fundamentação científica, o setor em expansão de turismo de bem-estar na natureza.

A pesquisadora aponta que o interesse pelo turismo de bem-estar tende a aumentar no pós-pandemia. “Estar com a natureza é uma forma de autocuidado. Pela situação de isolamento social, as pessoas parecem estar com um novo olhar, mesmo aquelas que não tinham essa prática antes. Observamos esse interesse mesmo a partir das próprias casas, por meio da jardinagem, da observação do céu, dos pássaros, do pôr-do-sol. Muita gente percebe que existe aí um mecanismo de respiro, de restauração”, salienta.

Turismo de bem-estar

Pesquisa realizada pela Wellness Tourism Association (WTA) no segundo semestre de 2020 apontou que o desejo de estar na natureza e a melhoria da saúde mental serão os dois maiores impulsionadores do turismo de bem-estar no pós-quarentena.

“A natureza faz parte da nossa essência e, portanto, o contato com áreas verdes é fundamental para nossa saúde e bem-estar. É comprovado que esse tipo de experiência reduz níveis de estresse e depressão, melhora a imunidade, a qualidade do sono e estimula a criatividade”, afirma a gerente de Conservação da Natureza da Fundação Grupo Boticário e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN), Leide Takahashi.

O turismo de bem-estar é definido pelo Global Wellness Institute (GWI) como “viagens associadas à busca por manter ou melhorar o bem-estar pessoal”. Segundo dados da entidade, de 2015 a 2017, o mercado global de turismo de bem-estar cresceu de US$ 563 bilhões para US$ 639 bilhões, cerca de 6,5% ao ano (mais que o dobro do resultado do turismo em geral). A previsão é de que até 2022 o faturamento desse mercado chegue a US$ 919 bilhões, o que significa 18% de todo o turismo global. Serão mais de um bilhão de viagens individuais em todo o mundo.

Segundo o sócio-fundador da agência Vivalá, Daniel Cabrera, o interesse por expedições na natureza é cada vez maior entre os viajantes brasileiros. “As pessoas buscam experiências mais profundas e mais autênticas de viagem. Por incrível que pareça, boa parte dos brasileiros ainda não conhece o Brasil, apesar de toda a beleza e diversidade do nosso território. Pouco a pouco, estão ficando mais atentas à riqueza de vivências que o turismo de bem-estar pode proporcionar”, ressalta.

A Vivalá promove expedições de turismo responsável para unidades de conservação, com foco na interação com a natureza e com as comunidades locais. Ao proporcionar o contato intenso com a natureza e a troca de experiências com pessoas que vivem em realidades muito diferentes, as expedições também contribuem para a melhoria da qualidade de vida e da saúde mental. “Existem muitos estudos que associam viagens à felicidade. Acredito muito no poder transformador que as experiências em áreas naturais e o contato com as comunidades podem gerar nos viajantes”, aponta.

Sobre a Fundação Grupo Boticário

Com 30 anos de história, a Fundação Grupo Boticário é uma das principais fundações empresariais do Brasil que atuam para proteger a natureza brasileira. A instituição atua para que a conservação da biodiversidade seja priorizada nos negócios e em políticas públicas e apoia ações que aproximem diferentes atores e mecanismos em busca de soluções para os principais desafios ambientais, sociais e econômicos. Já apoiou cerca de 1.600 iniciativas em todos os biomas no país. Protege duas áreas de Mata Atlântica e Cerrado – os biomas mais ameaçados do Brasil –, somando 11 mil hectares, o equivalente a 70 Parques do Ibirapuera. Com mais de 1,2 milhão de seguidores nas redes sociais, busca também aproximar a natureza do cotidiano das pessoas. A Fundação é fruto da inspiração de Miguel Krigsner, fundador de O Boticário e atual presidente do Conselho de Administração do Grupo Boticário. A instituição foi criada em 1990, dois anos antes da Rio-92 ou Cúpula da Terra, evento que foi um marco para a conservação ambiental mundial.

Sobre a Rede de Especialistas

A Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN) reúne cerca de 80 profissionais de todas as regiões do Brasil e alguns do exterior que trazem ao trabalho que desenvolvem a importância da conservação da natureza e da proteção da biodiversidade. São juristas, urbanistas, biólogos, engenheiros, ambientalistas, cientistas, professores universitários – de referência nacional e internacional – que se voluntariaram para serem porta-vozes da natureza, dando entrevistas, trazendo novas perspectivas, gerando conteúdo e enriquecendo informações de reportagens das mais diversas editorias. Criada em 2014, a Rede é uma iniciativa da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza. Os pronunciamentos e artigos dos membros da Rede refletem exclusivamente a opinião dos respectivos autores. Acesse o Guia de Fontes em www.fundacaogrupoboticario.org.br.



Fonte: Envolverde - Dal Marcondes



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