Notícias

Caatinga: danos castigam bioma brasileiro que terá homenagem dia 28

Compartilhe:     |  27 de abril de 2015

A Caatinga é considerada um bioma muito importante por sua fauna e flora únicas, além de ser uma exclusividade do Brasil. Na próxima terça-feira comemora-se o Dia Nacional da Caatinga, atribuindo ainda mais atenção a região, que tem sofrido frequentemente com processos de desertificação, desmatamento e consequente extinção de suas espécies.

Na Paraíba, de acordo com o Programa de Ação Estadual de Combate a Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (PAE-PB), 92,18% do seu território está situado nas Áreas Suscetíveis à Desertificação (ASD). Desse percentual, a mesorregião Sertão ocupa 40,26%, a Borborema 27,59%, o Agreste 22,18% e a Mata Paraibana 3,76%. Em âmbito estadual, o número é alto, assim como os problemas causados pelo processo.

Com o período de estiagem, a fauna e a flora da Caatinga sofrem . O professor do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e também pesquisador do Instituto Nacional do Semiárido (INSA), Daniel Duarte, observa que nos últimos dias as espécies de Jabuti estão em estado de alerta, pois o número de mortes cresceu consideravelmente.

“Além disso, plantas como Arueira e Abarauna já estão protegidas pela lei por risco de extinção. E o Umbuzeiro é um indicativo da necessidade de proteção e do alastramento do problema”, ressalta o pesquisador do Insa.

A política de proteção tem atingido também os cactos, mandacarus e xique-xiques, para não deixar que se percam no processo de desertificação. Mais de 35 milhões de brasileiros vivem na região da Caatinga. São pessoas com fortes vínculos históricos e culturais com esse bioma e que dependem das florestas para sobreviver. Entretanto, a região está morrendo. A frequente abertura de áreas para agricultura e pecuária, o corte de árvores para produção de lenha e carvão já devastou metade da Caatinga. O abandono das terras torna-se, portanto, um dos principais problemas causados pela seca. “As terras produtivas deixam de produzir ou passam a produzir menos”, diz Daniel Duarte. O problema torna-se econômico para a família que ali residia e as pastagens também degradadas impossibilitam a plantação.

Porém, a grande preocupação para o pesquisador é que as áreas em processo de desertificação ou não se recuperarão ou levará, no mínimo, 30 anos para isso acontecer.

Na agricultura e na pecuária, existem práticas que podem ser evitadas, assim como também alguns novos processos podem ser instalados. Na criação do gado, deve-se evitar “superpastoreio”, que é quando há um grande número de animais por área, provocando a degradação dos terrenos e destruição dos vegetais.

“Quanto a agricultura, o descanso do solo por determinado período é indispensável”, destaca o também professor da UFPB. Se o descanso da terra não for possível, é importante que haja uma rotação de culturas e uma intensificação máxima da composição de matéria orgânica.

Além disso, existem algumas técnicas bastante simples que podem ser utilizadas na exploração correta e legal da terra. Essas técnicas são chamadas de manejo sustentável.

Para realizar a ação de maneira positiva, algumas dicas podem ser fundamentais, como: respeitar um ciclo de corte que permita a produção sustentável dos diferentes produtos, promover a rebrota natural das árvores, concentrar a exploração no período seco e espalhar os restos do material cortado (galhos finos, folhas) na área que ficou exposta, para servir de cobertura do solo, evitando-se a erosão.

Ibama diz que realiza fiscalização

De acordo com o superintendente substituto do Instituto Brasileiro do Meio Ambiento e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) na Paraíba, Edberto Farias, o órgão realiza fiscalizações de combate ao desmatamento ilegal e a queimada ilegal na Caatinga. A fiscalização mais atual é a Operação Mandacaru, que promete atuar por áreas durante todo o ano de 2015. Na primeira etapa da Operação o Ibama embargou 44 áreas que estavam sendo desmatadas ilegalmente, num total de 492 hectares.

O objetivo da operação Mandacaru é coibir o desmatamento ilegal e a exploração irregular de vegetação nativa no bioma Caatinga.

Insa debaterá uso do solo Nos dias 28 e 29 deste mês, em comemoração ao Dia Nacional da Caatinga (28), o Insa realizará o evento Governança do Uso do Solo na Caatinga e Ano Internacional do Solo, na sede do Instituto, em Campina Grande. O objetivo é debater com diferentes atores a governança do uso do solo envolvendo água, plantas e sociedade, visando elaborar, ao final do evento, um documento que poderá subsidiar futuras políticas públicas para a promoção da convivência sustentável com o Semiárido brasileiro, uma vez que este bioma apresenta uma elevada diversidade socioambiental.

Participará do evento representantes de organizações e movimentos sociais, universidades, institutos e empresas de pesquisa, ministérios, agricultores(as), estudantes e profissionais da área de Comunicação, educadores populares e professores de escolas públicas.

Jardins botânicos

O Sistema Nacional de Registro de Jardins Botânicos (SNRJB), ligado ao Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ), está recebendo, de entidades interessadas, a documentação necessária para registro e enquadramento nessa categoria de instituição. O prazo termina em 22 de maio deste ano e leva em consideração os critérios definidos pela Resolução Conama nº 339/2003. A documentação a ser apresentada precisa seguir as diretrizes do Manual de Orientação para Solicitação de Registro e Enquadramento de Jardins Botânicos.

No Brasil, eles existem em apenas 17 Estados e a maioria está localizada na região Sudeste, sendo São Paulo o Estado com o maior número desses jardins. Nos demais biomas – Caatinga, Pantanal e Pampa – não há registros nesse sentido.

A postagem nos Correios deve ser endereçada a Luís Felipe Leal Esteves, Diretoria de Pesquisas da Secretaria do SNRJB, Rua Pacheco Leão, 915, Bairro Jardim Botânico, CEP: 22460-030, Rio de Janeiro (RJ). Informações adicionais podem ser obtidas pelo e-mail: snrjb@jbrj.gov.br ou pelos telefones 21 3204-2071 (Luís Felipe) e 21 3204-2087 (Maria Lúcia).



Fonte: Jornal A União - Dani Fechine



Leia também:

Projetos ambientais
Aqui você é o Reporter

Espaço Animal

Lei que proíbe piercings e tatuagens em animais é sancionada no Distrito Federal

Leia Mais