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Cabra transgênica vai produzir leite rico em substância útil à indústria farmacêutica

Compartilhe:     |  15 de dezembro de 2014

Nascida em Fortaleza (CE) em março deste ano, Gluca é a primeira cabra clonada e transgênica do Brasil. Desenvolvida para secretar leite contendo a enzima humana glucocerebrosidase, a cabra é parte essencial de uma tentativa brasileira de produzir uma proteína a partir da transgenia de caprinos.

A glucocerebrosidase é uma proteína que faz a digestão de certo tipo de gordura dentro das células. Se o organismo de uma pessoa não a produz, ela desenvolve a doença de Gaucher, que pode causar aumento do fígado e baço, entre outras manifestações clínicas. O tratamento da enfermidade é caro, já que a enzima precisa ser importada. O Ministério da Saúde gasta cerca de R$ 200 milhões anualmente para atender aos pouco mais de 600 portadores da doença no Brasil.

Mas esse quadro pode mudar se o experimento com a cabra der certo. A glucocerebrosidase produzida pelo animal alterado geneticamente será purificada a partir do leite e utilizada na produção de medicamento para tratamento da doença de Gaucher.

O projeto resultou de uma parceria entre a Quatro G – empresa de pesquisa e desenvolvimento sediada no parque tecnológico da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre – e a Esperança Agropecuária e Indústria Ltda., ligada à Universidade de Fortaleza (Unifor).

A Quatro G desenvolveu a estratégia para a clonagem do gene responsável pela produção da glucocerebrosidase humana. Também ficará a cargo da empresa a purificação e a análise da proteína expressa quando Gluca começar a produzir leite.

A inserção do gene nos embriões e o desenvolvimento dos clones foram realizados em laboratórios da Unifor, onde Gluca se encontra. O animal nasceu após uma série de tentativas de implantação de embriões em 45 cabras receptoras. Outros processos de prenhez estão em andamento.

Produção em larga escala

Células provenientes de embriões caprinos receberam um gene construído em laboratório, idêntico ao que comanda a síntese da glucocerebrosidase em humanos, além de outra sequência genética para garantir que, ainda que o gene esteja em todas as células do animal, a enzima seja produzida apenas pelas glândulas mamárias, sendo secretada com o leite. Se tudo sair conforme o planejado, serão feitos clones a partir de Gluca, com o objetivo de formar um rebanho de cabras aptas a produzir leite contendo a enzima.

Laboratório Quatro G
Ainda que o gene esteja em todas as células do animal, a estratégia desenvolvida pela empresa Quatro G garante que a enzima seja produzida apenas pelas glândulas mamárias, sendo secretada com o leite. (foto: Quatro G/ Divulgação)

 

“O mesmo processo pode ser empregado na produção de outras enzimas”, explica a diretora de desenvolvimento da Quatro G, Jocelei Chies. Segundo ela, o Brasil não desenvolveu nenhuma proteína por transgenia que esteja sendo usada em humanos. Mas o processo já é empregado em outros países.

Chies conta que já existem biofármacos contendo glucocerebrosidase, mas todos eles são feitos a partir de cultura de células. A expectativa é que em até sete anos o medicamento obtido do leite de cabra transgênica possa ser produzido em larga escala no Brasil.

A indução da lactação de Gluca teve início em setembro passado e, em breve, as primeiras amostras de leite deverão estar disponíveis para estudo na Quatro G. “Nosso laboratório está pronto para fazer as análises a qualquer momento”, diz Chies.



Fonte: Ciência Hoje/ PR - CH 320 - Thaís Scuissiatto Macedo



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