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Cada vez mais cedo, as crianças dão lições para os pais sobre a poluição, o desperdício e a reciclagem

Compartilhe:     |  12 de outubro de 2014

A pequena Sophia Santillana Santos, de apenas 3 anos, já ensina: os papeis das balas têm que ser guardados na mochila para não sujar o chão, não pode deixar a torneira aberta enquanto escova os dentes e o banho tem que ser bem rápido. “A água pode acabar, para beber e parar tomar banho”, justifica a pequena. O lixo no chão, ela avisa, entope os bueiros e causa alagamentos quando a chuva vem. Apesar da tão pouca idade, a consciência ecológica já foi despertada em Sophia, assim como em muitas outras crianças que cada vez mais estão tomando atitudes para cuidar do meio ambiente e ensinando os pais a fazerem o mesmo. Para comemorar seu dia, neste domingo (12), os pequenos dão dicas de como cuidar bem da natureza.

Com a atenção das crianças voltada para o meio ambiente, os pais também acabam precisando de se adaptar e tomar uma série de cuidados. “Um dia desses eu esqueci a torneira aberta enquanto escovava os dentes e a Sophia correu e me chamou a atenção”, contou a nutricionista Tereza Santos, 34, mãe da pequena. Além de ensinar aos pais, Sophia também faz o mesmo com as irmãs. A menor, com apenas um ano, Alice Santillana Santos, já imita alguns hábitos de Sophia, que também pede para a irmã mais velha Lira Luisa Santos de Andrade, 12, para não demorar no banho. Nem precisa, porque Lira também se preocupa com a natureza.

“Existe o perigo da água acabar, então nós temos que evitar o desperdício”, destaca. Cada vez mais os pequenos surpreendem os pais com seu engajamento ecológico. Para os adultos, as atividades educativas nas escolas dos filhos ajudam a despertar a consciência das crianças e os pais também tomam partido disso. “Para ser honesto, eu era preocupado, mas errava em algumas coisas. Depois que minha filha começou a me xingar eu passei a ficar mais cuidadoso. Esse engajamento é uma surpresa, já que quando eu era criança não era comum essas preocupação e nem mesmo as escolas tinham uma educação voltada para o meio ambiente, atualmente isso é muito mais forte”, considera o professor Paulo Carvalho, 48. Atualmente no carro da família, fica uma lixeira, já que ninguém mais joga lixo no chão.

Veja o vídeo com o que as crianças ensinam:

A filha do professor, Isabela Margaritini Carvalho, 9, também corrige os colegas quando de alguma maneira eles prejudicam o meio ambiente, por exemplo, causando algum desperdício ou sujando o chão. A mãe da menina, a psicóloga Ana Paula Gouvea Margaritini, 48, conta que recentemente ela estava fazendo um exercício da escola sobre o aquecimento global e acabou ficando triste de ver as destruições feitas pelo homem a natureza. “Eu fiquei com medo do mundo acabar”, revela Isabela.

O medo da pequena não é tão inocente assim. A professora da faculdade de educação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Mônica Meyer, explica que os recursos naturais estão mesmo ficando cada vez mais escassos com a destruição humana e, como eles são finitos, podem mesmo acabar. Para ela, quanto mais cedo os pequenos aprenderem a cuidar do meio ambiente, mais fácil será cuidar do planeta no futuro. “As crianças vão criando hábitos como não jogar papel no chão, não desperdiçar as coisas e criar essa consciência nelas é extremamente importante para que no futuro elas cuidem melhor da natureza”, ressalta.
De acordo com a professora, embora atualmente as escolas já tenha inserido a educação ambiental no currículo escolar, o ensino ainda não é o ideal e é preciso que os pais também façam parte dessa educação. “Os pais tem um papel muito importante nessa educação ambiental. Eles precisam dar exemplo, já que os filhos, acabam repetindo o que os adultos fazem. Eles devem acompanhar as crianças e ensiná-las, diariamente, medidas que devem ser tomadas para evitar a poluição e o desperdício. Tem que ser uma via de mão dupla”, orienta Mônica.
Aos cinco anos, Helena Umbelino, 5, já tem uma das primeiras responsabilidades: cuidar bem das plantas da casa. É a pequena quem todos os dias rega os vasinhos de flores da casa e não deixa que elas morram. Os cuidados já se tornaram um hábito da menina. Para a estudante Juliana Umbelino, 24, a medida faz com o que a menina tome amor pelas plantas e cuide melhor da natureza. Na janela do quarto dela ficam alguns vasos que ela exibe com orgulho e conta até que uma das plantinhas morreu, já que ela ficou alguns dias fora de casa e não pôde regá-la.
Juliana ensina a filha desde quando ela era bem pequena a não gastar água em excesso ou jogar lixo no chão. As duas tomam banho juntas para economizar água e aproveitam para unir mais a família. Helena é um exemplo de crianças que apreenderam tanto com a mãe quanto com a escola e atualmente ela repassa o recado. “Às vezes eu esqueço a luz de algum cômodo acessa e ela logo vai lá, apaga e me xinga por eu ter esquecido acessa. Ela é bastante preocupada em não desperdiçar nem energia e nem água. Se todas as crianças fizerem isso futuramente vamos ter um mundo melhor”, conclui Juliana.

Educando e incentivando

Pelas praças, as crianças espalham as mudas que futuramente serão árvores, flores e outras plantas. Com o intuito de ajudar na educação ambiental dada pelos pais e pela escola, projetos sociais como o Comuna Crianças também contribuem para que os pequenos aprendam a cuidar melhor dos espaços verdes. Com uma série de atividades lúdicas, envolvendo arte e meio ambiente, o projeto sem fins lucrativos que existe desde 2001 tem o intuito de ensinar as crianças em Belo Horizonte e na região metropolitana, principalmente a tomarem conta dos espaços públicos.

“As crianças estão cada vez mais presas dentro de apartamentos e com pouco contato com os espaços públicos e a natureza. Com o projeto, eles fazem arte com tintas orgânicas, por exemplo, e colocam a mão na massa. O que entendemos é que as preocupações com lixo com a reciclagem têm que começar a partir delas”, explica a psicologa Adriana de Oliveira Prosdocimi, 33, uma das idealizadoras do Comuna.

O projeto acontece por meio de intervenções gratuitas com crianças de escolas ou até mesmo com chamados pelas redes sociais. As crianças fazem uma bomba de semente usando argila, terra e semente e reflorestam espaços públicos que estão desmatados. Os pequenos também levam mudas para a casa com o intuito de que os pais também participem desse processo. Adriana conta que ela e as outras duas idealizadoras do Comuna, pretendem torná-lo um Projeto de Lei para que ele seja feito regularmente com as crianças das escolas, como uma atividade extracurricular. “Nossa expectativa é no ano que vem já escrever o projeto e levar ao Legislativo”, almeja Adriana.



Fonte: O Tempo - Natália Oliveira



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