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Cada vez mais estabelecimentos adotam o conceito amigo dos animais

Compartilhe:     |  25 de outubro de 2016

Desde 2006, Luli frequenta o Rosita Café, no Downtown. Mas, apesar de ser conhecida e adorada pelos donos do estabelecimento, não consome qualquer item do cardápio. Luli é uma cadelinha e acompanha diariamente sua tutora, Rosângela Leite, empresária que usufrui da companhia de sua cadelinha durante o expediente e também na hora do almoço. Assim como a firma de Rosângela e o Rosita Café, é cada vez mais maior o número de estabelecimentos que aceitam a presença de animais domésticos

Rosita Neves, que deu nome ao café que comanda, permite animais na varanda desde a inauguração, em 1999. Inclusive, tem uma placa indicando que lá os amiguinhos de quatro patas, ou com asas, são bem-vindos.

— Tive cachorro a vida inteira, e resolvi deixar que as outras pessoas também tragam os seus para cá. Nunca vi problema em ter animais no ambiente. Dificilmente vão incomodar, mas sim trazer alegria — avalia a empresária, que tem uma cavalier king charles spaniel chamada Cacau e a leva com frequência ao café.

Katherinne Gutierrez, Giulia Palacios e Neide Janoti se encontram no Bar do Oswaldo e levam seus cães - Hermes de Paula / Agência O Globo

Katherinne Gutierrez, Giulia Palacios e Neide Janoti se encontram no Bar do Oswaldo e levam seus cães – Hermes de Paula / Agência O Globo

Assim como a tutora de Cacau, que aprova e incentiva a presença dos animais por gostar dos bichanos, Rommel Cardozo, um dos donos do Bar do Oswaldo, também aprova quando os clientes chegam com seus companheiros peludos. O bar, que funciona da Barrinha há 70 anos, sempre foi “amigo dos animais”, mesmo quando este conceito não era disseminado:

— Tenho sete cachorros, e sei como é bom poder usufruir dessa amizade pelo maior tempo possível; por isso temos a proposta de recebê-los na área externa — conta.

Apesar da preferência da freguesia por cães, tem quem faça escolhas mais exóticas para ter como companhia enquanto bebe um drinque ou degusta um petisco. Cardozo revela já ter presenciado cenas inusitadas, e garante que já recebeu calopsitas e até répteis em seu bar:

— Uma vez chegou uma cliente com uma cobra enrolada no pescoço. Foi curioso, mas ninguém se incomodou. Também aconteceu de trazerem uma iguana.

Tânia passeia com a labrador Mel pelo Downtown - Bárbara Lopes / Agência O Globo

Tânia passeia com a labrador Mel pelo Downtown – Bárbara Lopes / Agência O Globo

Membro do grupo de pessoas que não perdem uma oportunidade de sair com seus animais, Katherine Gutieres costuma levar o galgo Speed com frequência ao Bar do Oswaldo, e afirma que o fato de poder estar ao lado do animal pesa muito na hora de escolher um restaurante:

— É muito bom ter esse ponto para reunir tutores de cães, acabamos virando uma família. Sem contar que é uma facilidade poder levar o Speed comigo e saber que serei bem recebida. Opto por restaurantes que o aceitam e considero desagradável amarrá-lo do lado de fora ou ter que deixá-lo em casa sozinho.

Assim como acontece com bares e restaurantes, o número de centros comerciais que acolhem animais domésticos também vem crescendo. É preciso, porém, estar atento às regras de cada um. Alguns têm restrições quanto ao tamanho dos animais. E em todos fica a critério de cada lojista decidir se permitirá a entrada dos bichanos.

Tânia Pontes dedica boa parte do seu dia para passear com a labrador Mel. São cerca de quatro passeios diários, e os locais escolhidos como roteiro são praças e o shopping Downtown. Por sua cadela ser grande, o centro comercial vira uma das poucas opções de passeio com segurança para a aposentada.

— Além de eu saber que lá é tranquilo para estar com ela, o Downtown é um dos únicos shoppings que aceitam cães de grande porte — observa Tânia.

Antonio passeia com o cão Jack no Village Mall - Rafael Campos/Divulgação

Antonio passeia com o cão Jack no Village Mall – Rafael Campos/Divulgação

A partir de amanhã, o Shopping Metropolitano Barra passa a liberar a circulação de cães de até 60cm de altura em seus corredores. Segundo a gerente de marketing do centro de compras, Luciane Treigher, o motivo é tornar a experiência de lazer e consumo mais completa. Outros shoppings da região já pensam nisso — e também, claro, em aumentar o tempo de permanência dos clientes em suas instalações — há mais tempo. Desde sua inauguração, no fim de 2012, o VillageMall é dog friendly, isto é, aceita a entrada de cães.

— É um conforto a mais para o cliente saber que pode passear com seu cão tranquilamente, pois o animal será bem recebido e terá aqui a estrutura de que precisa — diz Gabriel Palumbo, superintendente do centro comercial, que oferece carrinhos para a circulação dos animais e tem um bebedouro dedicado a eles na área externa.

O pequeno Antônio Berenguer, de 8 anos, tem passe liberado dos pais para passear pelos corredores do Village na companhia de Jack, seu buldogue francês. E o principal motivo é a segurança:

— No shopping, eu sei que não haverá risco de o Jack se soltar e fugir pela rua ou arrastar o Antônio para o meio do trânsito. Sem contar que o ambiente também é mais seguro; este acaba sendo um roteiro tranquilo — comenta Pedro Berenguer, pai do menino. — O máximo que pode acontecer é o Antônio ter que sair correndo atrás do Jack pelos corredores, mas sei que ele ficará bem e será achado

Barra Garden, Barra Point, Rio Design Barra, Fashion Mall, Recreio Shopping e Américas Shopping são outros centros de compras que aceitam cães. E contam com a educação de seus frequentadores.

— Levo comigo saquinho e lenço umedecido para manter limpo os ambientes por onde o Speed passa. Quem tem cão precisa fazer isso, para ser aceito por quem não tem e evitar que tutores de animais adquiram má fama — observa a empresária Katherine. — Sempre tem alguém que não gosta de cachorro, e é preciso respeitar isso.

Que cães grandes ou pequenos podem alegrar um ambiente, a maioria das pessoas concorda, mas ter contato com eles enquanto se faz as atividades do dia a dia pode gerar muitos outros benefícios. De acordo com o especialista em desenvolvimento humano e organizacional João Cosenza, além de satisfazer a clientela, permitir a presença de cães em estabelecimentos comerciais pode ser um método para melhorar o ambiente de trabalho dos seus funcionários.

Benefícios além da companhia

— A felicidade durante o expediente é uma questão muito importante para a produtividade, e estudos indicam que, quando os animais vão para o trabalho dos donos, mesmo que apenas uma vez por semana, o nível de estresse cai drasticamente. Uma pesquisa elaborada em 2012 pela Universidade da Virgínia, nos Estados Unidos, aponta que empregados que estiveram com seus animais enquanto trabalharam apresentaram menor estresse do que os que não o fizeram — conta o especialista.

Outro exemplo dado por Cosenza são hospitais e clínicas de repouso que recebem visitas de animais treinados:

— Nesses casos é comprovado cientificamente que pacientes e idosos apresentam melhoras significativas. Conheci uma portadora de Alzheimer que tinha sérios problemas de memória, mas sempre se lembrava do nome de uma calopsita que levavam para visitá-la constantemente.

Sem saber desses dados, Sonia Nesi, proprietária do salão que batizou com seu nome, no Barra Point, leva seus animais domésticos para o trabalho desde que abriu as portas, há 20 anos. Uma vez por semana, a lulu da pomerânia Clô e a west highland white terrier Rouph a acompanham no trabalho, e suas presenças, diz a tutora, ajudam a garantir o bom humor no ambiente:

Sonia apresenta orgulhosa as cadelinhas que leva para o salão de beleza - Hermes de Paula / Agência O Globo

Sonia apresenta orgulhosa as cadelinhas que leva para o salão de beleza – Hermes de Paula / Agência O Globo

— Pelas regras do shopping, elas não devem circular sem coleira pelos corredores, mas, dentro do salão, podem ficar soltas. As duas são muito dóceis e as clientelas as amam, sempre as pegam no colo e fazem carinho. Dá para perceber que o ambiente melhora. Quando aparece criança, então, é uma beleza, porque assim elas ficam mais calmas, o que é importante para que o resultado do corte de cabelo seja bom — diz Sonia, que, aliás, batizou a peluda Rouph com esse nome por sugestão de uma das frequentadoras do espaço de beleza.

A empresária tem sempre biscoitinhos e potes de água à disposição, não apenas de Clô e Rouph, mas também dos animais das clientes.

— Há quem traga seus cães aqui só porque sabem que eu gosto — conta Sonia.

Situação semelhante acontece no Walter’s Coiffeur. A empresária Luciana Gomes só faz as unhas ao lado da SRD Russa. As duas frequentam todas as semanas o local e são muito bem recebidas, além de serem uma atração para quem as vê juntas.

— Eu levo a Russa a todos os lugares onde vou. De modo geral, já prefiro frequentar locais abertos, mas opto por estabelecimentos que aceitem a presença dela. Se não deixam entrar, nem vou — conta Luciana, que também leva a companheira para o trabalho.

Ainda de acordo com Cosenza, empresas como as de Luciana e de Sonia estão ficando cada vez mais comuns:

— Mas é importante ter responsabilidade. Donos de cães devem estar atentos e educá-los para evitar problemas. Ser dog friendly é uma tendência, e, assim, o número de locais que aceitam cães certamente aumentará.



Fonte: Anda



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