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Caem índices de poluição do ar em capitais brasileiras e nas grandes metrópoles do mundo

Compartilhe:     |  9 de abril de 2020

Assim como ocorreu em grandes capitais ao redor do mundo, cidades brasileiras estão registrando quedas em seus níveis de poluição atmosférica. Há menos carros circulando nas ruas, menos indústrias funcionando, menos consumo em geral. De maneira autônoma, governadores e prefeitos também adotaram o isolamento social como parte da estratégia para conter o avanço da Covid-19. Entre os locais que já percebem a melhora na qualidade do ar estão: Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Curitiba e São Paulo.

Em Belo Horizonte os níveis de poluição atmosférica caíram até pela metade. Foram analisados os poluentes PM2,5 (partículas respiráveis) e NO2 (dióxido de nitrogênio). Enquanto as partículas respiráveis chegaram a cair para 5,00 µg/m3, as concentrações de NO2 variaram entre 9,56 µg/m3 e 16,19 µg/m3.

A melhora na qualidade do ar foi levantada pela Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) a pedido do site Estado de Minas. O levantamento começou a partir do dia 1o março, quando teve início o fechamento do comércio na cidade. Veja mais detalhes aqui.

No Rio de Janeiro, o isolamento social, que foi adotado a partir do dia 17 de março, resultou em uma redução na concentração de NO2. Segundo aponta o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), na estação de monitoramento da qualidade do ar foi detectada uma redução de 77% na concentração local de NO2. É importante salientar que a estação está no bairro de Santa Cruz em uma zona industrial do Rio de Janeiro. Já em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, a queda ficou em 45%.

Em Curitiba foi apontada a queda de NO2 e CO (monóxido de carbono). O nível de dióxido de NO2 passou de 14,31 ppb (partes por bilhão) para 8,61 ppb em menos de uma semana. Já o CO passou de 0,49 ppm para 0,22 ppm com o início do isolamento social.

Situação similar passa a capital paulista que reduziu a poluição do ar pela metade. “Há menos ruído, consegue-se ouvir mais os passarinhos e também há menos poluição”, afirmou a professora Maria de Fátima Andrade que analisou os dados da Cetesb para a Fapesp. Confira todos os detalhes: Em uma semana, poluição em São Paulo cai pela metade.

Para ficar de olho

Os especialistas pretendem continuar as análises para que as comparações não sejam injustas. Eles levam em conta que a chuva é o grande “removedor” de poluentes da atmosfera e março é um mês bastante chuvoso.

A própria Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) fez um esclarecimento sobre a redução dos poluentes. “Pelo fato da qualidade do ar ser também fortemente influenciada pelas condições meteorológicas de dispersão dos poluentes, é complexo quantificar exatamente a contribuição da redução atual das atividades na melhoria da qualidade do ar, durante o período da COVID-19”, afirmou em nota.

melhora no ar

Foto: Rafael Neddermeyer | Foto Públicas

Para quem vive em São Paulo, uma forma de acompanhar a situação do ar é pelo novo aplicativo disponibilizado pela Cetesb. O software revela informações, em tempo real, das mais de 60 estações de monitoramento. Baixe aqui (Android) ou aqui (Apple).

Indicadores de qualidade do ar

O nível da poluição do ar é medido pela quantificação das principais substâncias poluentes presentes neste ar. Abaixo, o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) explica quais indicadores
são determinantes para a qualidade do ar:

Partículas Totais em Suspensão, Fumaça e Partículas Inaláveis:

Estes Indicadores representam materiais sólidos e líquidos em suspensão na atmosfera, como poeira, pó e fuligem. O tamanho das partículas é o critério utilizado para a classificação destes materiais. Partículas mais grossas ficam retidas no nariz e na garganta, provocando incômodo e irritação, além de facilitar que doenças como gripe se instalem no organismo. Poeiras mais finas podem causar danos ao aparelho respiratório e carregar outros poluentes “de carona” para os alvéolos pulmonares, provocando efeitos crônicos como doenças respiratórias, cardíacas e câncer. As pessoas que permanecem em locais muito poluído por partículas inaláveis, são mais vulneráveis a doenças de forma geral.

Dióxido de Enxofre – SO2:

A emissão de dióxido de enxofre está principalmente relacionada com o uso de combustíveis de origem fóssil, contendo enxofre, tanto em veículos quanto em instalações industriais. Por ser um gás altamente solúvel nas mucosas do trato aéreo superior, pode provocar irritação e aumento na produção de muco, desconforto na respiração e o agravamento de problemas respiratórios e cardiovasculares. Outro efeito relacionado ao SO2 refere-se ao fato de ser um dos poluentes precursores da chuva ácida, efeito global de poluição atmosférica, responsável pela deterioração de diversos materiais, acidificação de corpos d’água e destruição de florestas.

Monóxido de Carbono – CO:

A emissão de monóxido de carbono está relacionada diretamente com o processo de combustão tanto em fontes móveis, motores à gasolina, diesel ou álcool, quanto de fontes fixas industriais. Esse gás é classificado como um asfixiante sistêmico, pois é uma substância que prejudica a oxigenação dos tecidos. Os efeitos da exposição dos seres humanos ao CO estão associados à diminuição da capacidade de transporte de oxigênio na combinação com hemoglobina do sangue. Uma vez que a afinidade da hemoglobina com CO é 210 vezes maior que com o oxigênio, a carboxihemoglobina formada no sangue pode trazer graves conseqüências como confusão mental, prejuízo dos reflexos, inconsciência, parada das funções cerebrais e em casos extremos, morte aos seres humanos.

Ozônio – O3:

O ozônio é um gás composto por três átomos de oxigênio, invisível, com cheiro marcante e altamente reativo. Quando presente nas altas camadas da atmosfera (estratosfera) nos protege dos raios ultravioletas do sol. Quando formado próximo ao solo (troposfera) comporta-se como poluente tóxico. É o principal representante do grupo de poluentes designados genericamente por oxidantes fotoquímicos, sendo formado pela reação dos hidrocarbonetos e óxidos de nitrogênio presentes no ar, sob ação da radiação solar. Pode causar irritação dos olhos e redução da capacidade pulmonar. Agravar doenças respiratórias, diminuir a resistência contra infecções e ser responsável por disfunções pulmonares, como a asma. O ozônio interfere na fotossíntese e causa danos às obras de arte e estruturas metálicas.

Dióxido de Nitrogênio – NO2:

É formado pela reação do óxido de nitrogênio e do oxigênio reativo presentes na atmosfera. Pode provocar irritação da mucosa do nariz, manifestada através de coriza, e danos severos aos pulmões, semelhantes aos provocados pelo enfisema pulmonar. Além dos efeitos diretos à saúde, o NO2 também está relacionado à formação do ozônio e da chuva ácida.

Nota do CicloVivo: O custo humano da pandemia é alto, portanto não há espaço para comemorações, mas as reflexões sobre a forma que vivemos hoje é inevitável. Durante este período, o CicloVivo vai reforçar as boas notícias e as diversas possibilidades de juntos construirmos outro mundo possível.



Fonte: CicloVivo - Marcia Souza



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