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Cães diferenciam expressões faciais felizes e bravas

Compartilhe:     |  14 de fevereiro de 2015

Para autores de um estudo, é ‘provável’ que os cachorros associem um sorriso a algo positivo e uma cara brava a algo negativo

Cães conseguiram diferenciar rostos felizes e bravos

Cães conseguiram diferenciar rostos felizes e bravos (Thinkstock/VEJA)

Os cães podem entender seus donos mais do que imaginamos. De acordo com uma pesquisa publicada nesta quinta-feira no periódico Current Biology, os cachorros sabem diferenciar quando humanos fazem uma expressão feliz ou irritada.

Os autores treinaram animais para que eles conseguissem distinguir imagens de pessoas fazendo cara de felizes e de bravas. Durante o experimento, os cães viam apenas a metade superior do rosto das pessoas, em quinze pares de fotos. Em uma segunda etapa, os cientistas fizeram testes para verificar se os cães tinham realmente aprendido o conceito: com fotos da parte superior, da inferior e da metade esquerda de rostos novos e repetidos.

Resultado — ​Em todos os cenários, os cães selecionam as expressões certas mais vezes do que poderia ser considerado acaso. Com isso, os pesquisadores concluíram que os cachorros não apenas podem ser ensinados a reconhecer expressões faciais, mas são capazes de aplicar esse conhecimento a novas situações.

Os pesquisadores consideram difícil avaliar o que a diferença nas expressões significa para os animais. “Para nós é provável que os cães associem o sorriso a um significado positivo e a expressão irritada a algo negativo”, afirma Corsin Müller, pesquisador da Universidade de Medicina Veterinária de Viena e um dos autores do estudo.

Na pesquisa, os autores reportam que os cães levaram mais tempo para associar a expressão brava com uma recompensa, o que sugere que eles já tinham alguma noção de seu significado.

Seis motivos pelos quais seu cachorro é mais inteligente do que você imagina

Qualquer dono de cachorro sabe que o bicho é perfeitamente capaz de compreender gestos e olhares, como a indicação de um local para o qual apontamos ou um olhar de reprovação. O que poucos sabem, porém, é que essa habilidade de compreensão da nossa linguagem corporal é extremamente rara entre os animais — nem mesmo os chimpanzés podem interpretar tão bem nossos gestos quanto os cachorros.

Além de entender nossos gestos e olhares, cães também podem ser treinados para aprender palavras e seus significados. Certa vez, uma pesquisadora da Alemanha descobriu que seu cachorro aprendeu os significados de dezenas de novas palavras por meio de um processo de dedução lógica igual ao que crianças usam para descobrir nomes de objetos desconhecidos. Em outro experimento, um professor de psicologia conseguiu fazer com que sua cadela aprendesse o nome de 1 000 objetos.

Os cachorros podem não falar, mas nem por isso são incapazes de se comunicar com os humanos. Assim como o choro de um recém-nascido pode ter vários significados, os cães usam diferentes tipos de latidos e rosnados para se expressar e ser compreendido pelos humanos — pesquisas mostram que os latidos representam apenas 3% das vocalizações dos lobos, provando que o hábito de latir é mesmo um recurso decorrente da domesticação. Outros estudos indicam ainda que a maioria dos donos parece entender os significados dos diversos latidos de seus cachorros.

Ao contrário do que acontece em outros grupos de animais, os líderes das matilhas não são um casal reprodutor dominante, mas sim os cães que têm mais amigos. Quanto maior a “rede de contatos” de um cachorro, maiores são as chances de que os outros o considerem um líder e o siga aonde ele for.

Existem fortes indícios de que o sentimento de empatia, ou seja, de se sentir mal ao ver alguém sofrendo e ficar feliz quando alguém sorri, está presente nos cães. Em 50% dos casos de briga entre dois cachorros, um terceiro elemento que não estava envolvido na luta se aproxima do perdedor. A aproximação aconteceu mesmo nos casos em que esse terceiro elemento não tinha visto o embate. Isso significa que os cães reagem ao comportamento do companheiro de espécie que indica a derrota.

A inteligência dos cachorros também tem seu lado negativo. Um estudo realizado na Universidade de Viena, na Áustria, mostrou que os cães sabem quando estão ou não sendo observados pelo dono e se comportam de formas diferentes de acordo com isso. Os pesquisadores chegaram à conclusão de que os animais desobedecem mais ordens quando os donos não estão no mesmo ambiente que eles ou estão distraídos por alguma outra atividade, como ler ou ver TV.

Fonte: Veja



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