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Caixão orgânico e compostável é usado pela 1ª vez em enterro

Compartilhe:     |  24 de setembro de 2020

“Eu quero ir vivo pro céu” era minha versão errada para “Eu quero Ive Brussel” – sucesso de Jorge Ben Jor. Os versos, que sempre cantei errado não faziam sentido algum, mas com o surgimento de enterros ecológicos – e novos modelos fúnebres sendo testados – podemos até considerar que, de fato, alguns passos foram dados para eternizar a vida. Exemplo disso é o caixão de micélio que foi usado pela primeira vez em um enterro na Holanda.

O micélio é uma rede de fibras finas que formam a parte vegetativa da maioria das espécies de fungos. Esta rede no subsolo, acreditam pesquisadores, é usada pelas plantas até mesmo para estabelecerem comunicação: sim, as plantas “conversam” entre si.

Além disso, o micélio é capaz de neutralizar substâncias tóxicas e fornecer nutrição para as plantas que crescem a seu redor. Ou seja, o caixão desenvolvido com este material é perfeito para ser enterrado, pois coloca na terra algo que é da própria terra.

No aspecto mais subjetivo, proporciona a conexão com as infinitas vidas vegetais que se formam no solo. Perpetuar essa ligação com a natureza é certamente o sonho de muitos seres humanos.

“Atualmente vivemos no cemitério da natureza. Nosso comportamento não é apenas parasitário, mas também míope. Estamos degradando organismos em materiais mortos e poluentes, mas e se os mantivéssemos vivos?”, questiona Bob Hendrikx, o fundador da startup Loop, responsável pelo caixão orgânico.

O problema

Mas, nem morrer em paz a gente pode mais? Devem questionar alguns. Pouco se fala sobre, mas há muitos impactos ambientais gerados nos enterros tradicionais.

O caixão comum é geralmente feito de madeira, envernizado e possui componentes metálicos que contaminam o solo – entre outros itens que demoram centenas de anos para se decompor. Além disso, há a contaminação do solo (e dos lençóis freáticos) por necrochorume e o vazamento de gases sulfídricos por má confecção e manutenção de sepulturas e jazigos.

A solução

O desenvolvimento de caixões orgânicos é uma das possibilidades que vem sendo estudada, uma vez que muitas pessoas – às vezes por questões religiosas – não aceitam a cremação. O exemplo mais famoso é a Capsula Mundi – modelo orgânico proposto para involucrar o corpo e, logo acima, cobri-la com uma árvore.

Virar árvore após a morte, aliás, já é possível em muitos locais. Uma empresa em Minas Gerais, por exemplo, faz o substrato a partir das cinzas da cremação. Com este modelo, recém inaugurado, quer transformar cemitérios em florestas.

Já o caixão de micélio, por enquanto, é produzido apenas na Holanda. O produto foi batizado de Living Cocoon (em português, Caixão Vivo) e é absorvido pelo solo em 4 a 6 semanas. “Queremos saber exatamente qual a contribuição que dá ao solo, pois isso nos ajudará, futuramente, a convencer municípios a transformarem áreas poluídas em florestas saudáveis, usando nossos corpos como nutrientes”, planeja Hendrikx.

O fundador da startup – que surgiu na Universidade Técnica de Delft – salienta que o micélio já foi usado em Chernobyl, é utilizado em Rotterdam para limpar o solo e alguns agricultores também o aplicam para tornar a terra saudável novamente.

O micélio pode ser cultivado e moldado para diversos formatos, já tendo sido testado na produção de tijolos. Em forma de caixão, o primeiro teste foi realizado em um funeral no início do mês de setembro. “Este caixão significa que realmente alimentamos a terra com nossos corpos. Somos nutrientes, não resíduos”, ressalta Hendrikx.



Fonte: CicloVivo - Marcia Sousa



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