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Campanha incentiva conscientização sobre doação de órgãos

Compartilhe:     |  27 de setembro de 2020

Este domingo, 27 de setembro, é Dia Nacional da Doação de Órgãos. Durante todo o mês, é promovida a campanha Setembro Verde, com o objetivo de conscientizar a população sobre o tema. No Brasil, atualmente cerca de 40 mil pessoas aguardam na fila por uma doação, de acordo com a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO).

O professor Carlos Alberto Farage de Lyra, de 63 anos, foi uma das pessoas que tiveram uma nova chance a partir de uma doação. Ele descobriu que era portador de hepatite C ao tentar realizar uma transfusão de sangue, em 2007. Em 2019, se curou da doença por meio de um tratamento, mas o fígado já estava comprometido e com dois nódulos cancerígenos. “Quando soube, imaginei que não tinha mais jeito”, conta.

Carlos então realizou duas sessões de quimioterapia para diminuir os nódulos e se enquadrar nos critérios necessários para entrar na fila de espera por um transplante no Rio de Janeiro. Em menos de uma semana, em agosto deste ano, ele foi chamado para receber o órgão.

— Eu e minha família não éramos doadores, mas essa oportunidade fez com que mudássemos a mentalidade. Sou cristão evangélico protestante, e muitos têm um certo preconceito. Mas é um egoísmo muito grande você não doar algo que está bom e você não vai mais usar. O transplante é um ato de amor — defende.

Impacto da pandemia

Roberto Manfro, Presidente do Conselho da ABTO, afirma que durante a pandemia da Covid-19 o Brasil teve uma redução de aproximadamente 30% no número de doadores de órgãos e de cerca de 45% no de transplantes em relação ao primeiro trimestre de 2020, de acordo com dados do Sistema Nacional de Transplantes.

Essa redução pode ser explicada por diferentes aspectos, entre eles a sobrecarga dos sistemas da saúde, que direcionaram seus esforços para combater a doença provocada pelo coronavírus, a mudança no comportamento social, levando a menos acidentes, e a possível falta de condições para realizar adequadamente os diagnósticos de morte encefálica ou o próprio procedimento de transplante.

— A redução foi mais intensa em algumas regiões do país do que em outras. Mas sempre que houve condição de manter as doações e transplantes com segurança, eles foram executados, e agora já está esboçando um aumento — afirma Manfro.

Conscientização

Eduardo Fernandes, chefe do setor de transplantes de fígado dos Hospitais Adventista Silvestre e São Lucas, destaca que no Brasil existe uma mortalidade em torno de 30% na fila de espera pela doação de fígado. Em sua avaliação, com uma maior conscientização as famílias permitiriam mais as doações, possibilitando reduzir essa taxa.

— Esse assunto precisa fazer parte da rotina, porque quando a pessoa manifesta o desejo de ser doador normalmente a família respeita no momento de autorizar. É preciso que as pessoas entendam que quando doam órgãos eles continuam vivos. Parte dela está viva e isso é muito bonito — diz o médico, e destaca que no Rio de Janeiro a taxa de mortalidade na fila de espera para transplante de fígado é uma das menores do país.

Manfro também concorda que é preciso educar a sociedade sobre o tema e ressalta, ainda, que atualmente os transplantes têm índices de sucesso muito bons.

— A doação é a única coisa boa que se pode fazer a partir de um acontecimento trágico. Se cada um que entende esse conceito explicar para alguém e falar para sua família que quer ser doador se algum dia se encontrar nessa condição, os números vão aumentar — afirma.

Tipos de doação de órgãos

Em vida – Quando uma pessoa saudável doa um órgão para outra. É viável para alguns órgãos, como rim, fígado e pulmão. De acordo com a lei brasileira, o transplante com doador vivo pode ser realizado entre parentes de até quarto grau, e pessoas sem parentesco podem doar apenas com autorização judicial.

Após a morte – A maior parte dos transplantes no Brasil é realizada com doadores falecidos, quando há morte encefálica. Nesse caso, pode ser doado qualquer tipo de órgão ou tecido, incluindo córneas e pele, entre outros.

Passo a passo da doação de órgãos após a morte



Fonte: Extra - Raphaela Ramos



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