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Câncer de colo de útero: a cura pode estar nas esponjas do mar da Indonésia

Compartilhe:     |  21 de julho de 2020

Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Médica da Carolina do Sul (MUSC), descobriu que as esponjas do mar da Indonésia produzem uma substância chamada manzamina A, a qual é capaz de interromper o crescimento e até matar algumas células que causam o câncer de colo de útero e alguns outros cânceres.

O câncer de colo de útero é o quarto mais comum em mulheres. Segundo a American Cancer Society, estima-se que em 2020 o número de novos casos de câncer de colo de útero alcance a marca de 13.800 e cerca de 4.290 mortes.

Na busca por uma solução para esse problema, estudantes e pesquisadores da Universidade Médica da Carolina do Sul (MUSC) juntamente com os da Universidade da Carolina do Sul (UofSC), da Faculdade de Charleston, da Universidade de Gadjah Mada na Indonésia e da Universidade da Malásia, desenvolveram um estudo para analisar a composição das esponjas da Baía de Manado, na Indonésia.

Ao que tudo indica, esse tipo de esponja produz uma substância chamada manzamina A, que é capaz de interromper e matar as células que causam o câncer de colo de útero.

Um dos co-autores desse estudo é o Dr. Mark Hamann, Ph.D e professor do Departamento de Descoberta de Drogas e Ciências Biomédicas do MUSC. Ele e sua equipe, testaram a manzamina A anteriormente contra o melanoma (câncer de pele), o de próstata e o de pâncreas, nos quais a substância foi eficaz.

Além disso, o artigo publicado na página da MUSC diz que a manzamina A também mostrou-se eficaz contra a malária e espera-se que os compostos derivativos desse tipo de esponja também façam parte das ações contra a Covid-19.

Como a manzamina A funciona?

Segundo o estudo, a manzamina A reduz os níveis da proteína responsável pela formação do câncer, principalmente o de colo de útero. Em outras palavras, a manzamina A mostrou ser 10 vezes mais potente no bloqueio dessas proteínas problemáticas.

Os estudos iniciais são sempre realizados em animais, mas espera-se que possam ser reproduzidos clinicamente. Não é a toa que a eficácia da manzamina A permitiu o registro de várias patentes, inclusive a iniciação de uma empresa que está em andamento.

A única preocupação do Dr. Hamann é com relação ao desenvolvimento dessa molécula em laboratório, pois segundo ele, a maioria das substâncias criadas para síntese em laboratório é derivada de petróleo.

O ideal é que a produção dessas moléculas, tão importantes para a cura do câncer, seja realizada com esponjas que crescem no meio ambiente. Mas, segundo Hamann, conseguir esses produtos naturais para uso terapêutico depende da diversidade das espécies.

Preservar as espécies

Aqui entra a questão das mudanças climáticas, as quais afetam negativamente a preservação dessa biodiversidade. Tanto que o artigo ressalta e é encerrado com uma frase de alerta do Dr. Hamann:

“Se 50 anos de mudanças climáticas permanecerem sem controle, as projeções são de que podemos perder um terço da diversidade global de espécies. Então, com isso, não haverá mais oportunidades como essa.”

Ou seja, para que os pesquisadores possam de fato desenvolver um medicamento natural de qualidade capaz de curar o câncer, precisamos frear as mudanças climáticas e colaborar para a preservação da diversidade de espécies, principalmente das esponjas do mar da Indonésia.



Fonte: GreenMe - Eliane A Oliveira



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