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Carapiá: planta medicinal poderosa, em risco de extinção. Uso popular e benefícios

Compartilhe:     |  29 de julho de 2020

Carapiá é uma planta que pode ser considerada, hoje, nativa do Brasil, nas encostas da Mata Atlântica, Cerrado e Caatinga, amplamente utilizada pelos índios, caboclos, povos do mato, sertanejos e quilombolas. Suas folhas são consideradas planta medicinal, e sua raiz, um tubérculo poderoso. Porém, hoje, essa planta está com sérios riscos de extinção.

Carapiá: características da planta

Carapiá, nome científico Dorstenia cayapia Vellozo, genêro Dorstenia (o mesmo das embaúbas e fícus) e família Moraceae.

É uma espécie primitiva do ponto de vista geológico, e ao mesmo tempo evoluída, se considerar as suas estruturas morfológicas (nervação, adaptação e resistência). Teria surgido no período Cretáceo, há cerca de 100 milhões de anos, quando a América do Sul e África ainda estavam parcialmente unidas.

A raiz é de cor amarelada, aroma agradável e muito fibroso, tanto que depois de preparado ou cozido, ele fica com aparência de fios enrolados.

Na língua tupi, significa pênis-de-macaco, uma alusão à sua forma de inflorescência.

Seus nomes populares são:

Planta vulnerável, ameaçada de extinção

Na lista apresentada pelo Ibama, as Dorstenias estão na categoria de plantas vulneráveis ameaçadas de extinção.

Atribui-se esse fato, principalmente, à perda de vegetação nativa que influi diretamente no crescimento natural do carapiá, sendo altamente sensíveis à destruição da floresta e degradação ambiental.

Outro fator que ameaça o carapiá, é atribuído ao comércio de ervas medicinais que, com extrativismo predatório, utilizam a raiz para extração do princípio ativo da furocumarina e para serem arrancados, perde-se a planta inteira. Os rizomas são vendidos para ervanários e laboratórios químicos e farmacêuticos.

Princípio ativo e benefícios medicinais

A composição química do rizoma é feita de furocumarinas, terpenos, óleos essenciais, ácido dorstênico e ácidos graxos.

As furocumarinas são fotossensibilizantes, com atividade sobre o sistema cutâneo, podendo ser utilizada na cura do vitiligo e psoríase.

Segundo um trabalho apresentado pelo agrônomo André Furtado Carvalho, em sua pesquisa de conclusão do curso para a Universidade Federal de Uberlândia, o carapiá possui ação analgésica e anti-inflamatória, tendo sido utilizada na Europa numa epidemia que devastou Londres no século XVII, conforme documentos que apontam que o médico Nathaniel Hodges utilizou a raiz num medicamento na época.

No mercado convencional, é muito comum encontrar medicamentos produzidos por indústrias farmacêuticas, que utilizam e sua composição, rizomas de Dorstênia, principalmente em remédios para combater cólicas menstruais e distúrbios da menopausa.

Num levantamento feito em 2007, no mercado Central de Belo Horizonte, todas as lojas de plantas medicinais possuíam o carapiá, sendo indicado para

Sabedoria e uso popular

O escritor Laurentino Gomes, famoso escritor de livros como 1808, 1822,1889 e o mais recente, Escravidão, publicou em seu Twitter, um vídeo de uma visita que ele fez ao quilombo Chacrinha dos Pretos, em Minas Gerais, e conversou com a “Tuquinha”, uma quilombola em sua cozinha, mostrando comidas típicas, como feijão com farinha, feijoada e quem estava lá, o carapiá.

Segundo Tuquinha, a raiz é colhida na beira do brejo, bem próximo da água.

Para saber mais, você pode assistir esse vídeo disponível no Youtube:

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Fonte: GreenMe



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