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Casos de Covid-19 em gorilas despertam preocupação sobre as populações de primatas

Compartilhe:     |  17 de janeiro de 2021

Gorilas aprisionados no Zoológico de San Diego, na Califórnia, testaram positivo para Covid-19, os primeiros casos do novo coronavírus infectando grandes primatas.

Gorilas, chimpanzés, bonobos e orangotangos compartilham mais de 95% do genoma humano e diante disso, sabe-se que eles correm risco de contrair certas doenças humanas.

Autoridades do zoológico disseram que um membro assintomático da equipe pode ter infectado os gorilas.

Essa notícia provavelmente despertará grande preocupação, especialmente na África, lar das únicas populações selvagens de gorilas, chimpanzés e bonobos.

Dois gorilas no Zoológico de San Diego, na Califórnia, testaram positivo para COVID-19, se tornando os primeiros casos relatados de grandes primatas contraindo o novo coronavírus. Três dos macacos apresentaram sintomas a partir desta semana, e as autoridades do zoológico não descartaram que outros membros do grupo também sejam infectados.

Desde que a pandemia estourou no ano passado, houve preocupações sobre como o vírus poderia impactar grandes primatas; certas doenças virais, incluindo as respiratórias, são conhecidas por serem transmissíveis entre humanos e grandes primatas, que são nossos parentes mais próximos e também alguns dos mamíferos mais ameaçados do mundo.

“Apesar de todos os esforços e dedicação dos membros da nossa equipe para proteger os animais silvestres sob nossos cuidados, nosso grupo de gorilas testou positivo para SARS-CoV-2”, disse Lisa Peterson, diretora executiva do zoológico, em um comunicado.

Os gorilas do zoológico apresentaram sintomas leves das doenças, com congestão nasal e tosse, mas a real extensão do dano que a doença pode causar a eles é desconhecida.

“Estou realmente surpreso que isso não tenha acontecido antes, dada a frequência com que o vírus penetra em outras áreas bem protegidas, como lares de idosos”, disse Fabian Leendertz, ecologista de doenças infecciosas de primatas do Instituto Robert Koch, em Berlim, em uma resposta por e-mail.

“Agora é importante ver o quão grave a doença fica e como ela se espalha, MAS mesmo que a doença permaneça bastante leve, isso não significa que será igual com os grandes primatas selvagens, já que no caso deles muitos outros fatores estão presentes que podem levar a doenças mais graves.”

O Zoológico de San Diego disse que um membro da equipe assintomática pode ter infectado os gorilas.
“O fato de estarmos vendo a primeira evidência de exposição de macacos apenas agora, após meses de potencial de transmissão para primatas cativos e selvagens, ressalta o grande papel da proximidade como a principal fonte de infecção, e não apenas a exposição às superfícies contaminadas”, disse Thomas R. Gillespie, ecologista e biólogo de conservação da Universidade em Emory em Atlanta (EUA).

No último ano, surgiram relatos esporádicos de animais de estimação, como gatos e cães que pegaram o vírus de humanos, mas não há pesquisas suficientes para determinar o risco e os danos da doença nos animais.

No entanto, houve alguns surtos bem conhecidos, com uma onda de infecções varrendo populações de furões na Europa entre abril e junho do ano passado. Sua capacidade de transmitir o vírus de volta aos humanos levou à decisão da Dinamarca de exterminar 17 milhões de furões em novembro, uma decisão controversa que levantou um clamor global.

Imagem: Pixabay

Em abril, um tigre no Zoológico do Bronx, em Nova York, contraiu a doença, que também se acreditava ter sido transmitida de um zelador assintomático. Mais tarde, mais sete felinos de grande porte, quatro tigres e três leões, também testaram positivo para Covid-19.

O Zoológico de San Diego não recebe visitantes desde 6 de dezembro. Ele havia sido reaberto em junho do ano passado, pondo fim ao o primeiro fechamento em seus 103 anos de história. Funcionários do zoológico disseram que estavam tomando a máxima cautela para evitar que os animais fossem infectados e para eliminar os riscos ao púbico.

No entanto, é provável que a desperte preocupações, especialmente na África, que abriga as únicas populações selvagens de gorilas, chimpanzés e bonobos. As únicas outras espécies de grandes primatas, os orangotangos, são encontradas no sudeste da Ásia. Estes animais compartilham mais de 95% do mesmo DNA e são suscetíveis a muitas das mesmas doenças respiratórias infecciosas que os humanos.

“A confirmação de que os gorilas são suscetíveis ao SARS-CoV-2 nos dá mais informações sobre como a pandemia pode afetar essas espécies em habitats nativos nos quais haja contato com humanos e com materiais humanos”, disse o zoológico em um comunicado. “Estamos trabalhando com autoridades de saúde, conservacionistas e cientistas para documentar este caso e expandir o nosso conhecimento sobre este potencial desafio para estas espécies, para que possamos desenvolver medidas e proteção para os gorilas nas florestas da África.”

Em muitos casos, os esforços para proteger essas espécies enigmáticas ocorrem em áreas com recursos limitados, onde é maior a dificuldade para implementar toda a gama de medidas de proteção.

“Continuamos muito preocupados, especialmente dadas as variantes de disseminação rápida do vírus do Reino Unido e da África do Sul”, disse Leendertz sobre a possibilidade da doença se espalhar nas populações selvagens. “O fato de não termos relatos sobre transmissões para os grandes primatas selvagens (principalmente os que estão habituados com contato humano) não significa que podemos relaxar.”



Fonte: Anda



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