Denúncia

Casos de dengue sobem 57,2% no Brasil em um ano

Compartilhe:     |  8 de fevereiro de 2015

De acordo com levantamento do Ministério da Saúde, foram registrados 40.916 pacientes com a doença em janeiro, contra 26.017 no mesmo período do ano passado

Mosquito 'Aedes aegypti', transmissor da dengue visto na região da Lapa, zona oeste de São Paulo

Mosquito ‘Aedes aegypti’, transmissor da dengue visto na região da Lapa, zona oeste de São Paulo (André Lucas Almeida/Futura Press/VEJA)

O número de casos de dengue subiu 57,2% neste ano no Brasil. Em janeiro, foram identificados 40.916 pacientes com a doença. No mesmo período do ano anterior, haviam sido contabilizados 26.017 casos. O aumento, considerado anormal para a época do ano, é atribuído em parte à crise da água. Tradicionalmente, o pico ocorre em abril e maio. Um sinal, para autoridades sanitárias, de que o pior ainda está por vir.

São Paulo é o campeão em número de casos. O Estado tem 17.612 notificações da doença, o equivalente a 43% do total no País. Seis cidades paulistas estão entre as 20 com maior incidência. Trabiju, cidade no interior de São Paulo com 1.650 moradores, registrou em janeiro 111 casos. É a maior relação de casos por habitantes no Brasil.

Embora São Paulo apresente o maior número total de casos, o Estado do Acre que tem a maior incidência. A relação é de 338,3 casos por 100 000 habitantes, um indicador que permite dizer que o Estado enfrenta epidemia da doença.

Em São Paulo, a incidência explodiu. Era de 4,8 no ano passado e passou para 40 neste ano. É a quarta maior do país, perdendo para Acre, Goiás e Mato Grosso do Sul.

Mesmo com as estatísticas elevadas, o número de casos graves e de mortes teve uma redução de 83,7% em relação a 2014. Neste ano, foram seis mortes confirmadas até agora.

Crise hídrica — O aumento atípico para esta época do ano é atribuído, em parte, à crise hídrica. “É um dos pontos relevantes, daí a necessidade de se redobrar as ações de prevenção nos reservatórios domésticos de água”, disse o ministro da Saúde, Arthur Chioro. Neste sábado uma segunda edição do Dia D será realizada no país, para alertar sobre a necessidade de se adotar medidas para prevenir criadouros do mosquito Aedes aegypti.

Chioro disse que foi identificado aumento significativo de casos em cidades onde o abastecimento de água ocorre de forma intermitente. Para driblar as dificuldades no acesso à água, a população passa a armazená-la em locais improvisados. “Não estamos dizendo para que as pessoas deixem de adotar essa medida. Nem as culpando pelo aumento de casos. Apenas queremos enfatizar a necessidade de cobrir os reservatórios”, disse o ministro.

Além de providenciar cobertura para os reservatórios domésticos improvisados, a equipe do ministério recomenda — no caso de recipientes que estejam há tempos com água — a limpeza da borda, com uma esponja. Quando criadouros são identificados, agentes de saúde devem aplicar larvicidas.

Fonte: Veja – Com Estadão Conteúdo



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