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Cavalos morrem em Tangará da Serra com fungo em capim Massai

Compartilhe:     |  2 de novembro de 2014

Pelos nutrientes e rápido crescimento, o capim Massai é predominante nas pastagens que servem de alimento para equinos. Mas na região de Tangará da Serra, região Centro-sul de Mato Grosso, alguns cavalos que ingeriram esse capim tiveram uma cólica muito forte que levou alguns destes animais à morte.

Apesar de vários casos suspeitos no país, ainda não existe um consenso entre os especialistas de que o Massai seria o causador do problema. Mas a Embrapa já elaborou um comunicado técnico em que orienta os criadores a evitar que os animais se alimentem dessa variedade na época das chuvas, fase em que o capim cresce muito e deita. É nessa hora que pode aparecer um fungo que seria na verdade o causador da cólica em alguns animais.

A criadora de cavalos Maristela Brandelero conta que a potra Zafira ficou órfã com 50 dias de vida. A mãe do animal morreu após uma cólica forte e ela acredita que foi devido à ingestão de capim Massai. “Ele é muito bom, mas tem esse detalhe. Agora não se explica porque o capim está dando cólica. Uns falam que o capim tem que estar mais raspado, mas quando deu a cólica na égua, meu capim estava bem baixinho”, lembra.

Em sua propriedade ainda estão quatro animais que consomem o capim Massai porque não comem braquiária. “Agora nós integramos com o capim Mombaça, que o cavalo come bem”, diz a criadora.

O capim Massai, além de nutritivo, é de fácil manejo, cresce muito rápido. Ele foi introduzido na região mais recentemente como uma alternativa à braquiária, que é usada para alimentação do gado porque os equinos não comem.

O médico veterinário que cuidou da égua doente, Edson Yofhio Kaneya, conta que já atendeu outros casos parecidos anteriormente. “Durante o ano, atendi seis animais com episódio de cólica associado à ingestão de capim Massai. Dentre seis, dois vieram a óbito”, afirma.

Ele alerta para os sintomas que podem indicar uma possível intoxicação com o capim. “O animal fica apático, deixa de se alimentar, bate o casco no chão. Isso é um sintoma de o animal está tendo dor. Ele também observa o aumento de volume na região do vazio do animal. O animal pode evoluir para um quadro mais agudo de cólica onde ele vai deitar e rolar, esse é um quadro característico de cólica”, explica.

O profissional recomenda que os criadores procurem um veterinário assim que perceberem os sintomas, pois quando o tratamento é iniciado no começo da cólica, é quando há mais chance de recuperação do animal.

Valdemir Ponciano dos Santos é criador de cavalos há 15 anos e também perdeu um animal recentemente, com a mesma suspeita de consumo do capim Massai. Ele diz que ouvia falar que o capim vinha causando esse problema, mas não acreditava porque não tinha tido nenhum caso na propriedade. “Só essa última vez que tivemos isso aí. Na verdade, não podemos falar que foi o Massai, mas sim que a gente tratava com esse capim a época. Ficou a desconfiança, porque teve muito comentário. Depois dessa desconfiança, acabamos trocando o capim”, conta ele.

Mesmo preocupado com as ocorrências, o criador Brysciten da Silva Nunes, que tem alguns cavalos em Tangará da Serra, não planeja substituir o capim Massai por outro tipo de pastagem. Ele adota alguns cuidados no manejo e tem conseguido manter os animais saudáveis.

“Sempre deixamos ele ficar baixo, não muito alto pelo fato de ele ser um capim fino ele deita. Creio que seja isso que faz ter o fungo. Já faz quatro anos que temos a chácara aqui   a gente tem a égua e outro cavalo e nunca deu cólica. A gente sempre fica esperto com esse assunto”

O Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso (Indea-MT) orienta os criadores a registrar os casos de cólica abdominal que podem ter relação com o capim. “Sempre muito importante fazer essa comunicação ao Indea para que tenhamos o controle. Nos casos onde não há atendimento por um veterinário particular, nós do Indea vamos até a propriedade para fazer esse atendimento e saber se é uma doença não infecciosa ou não”, diz Nelson Vicentin Júnior, médico veterinário Indea.



Fonte: Globo Rural



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