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Caverna de Altamira está sob ameaça, alertam especialistas em carta à Unesco

Compartilhe:     |  30 de março de 2015

Um total de 17 acadêmicos e 70 pesquisadores da Universidade de Madri assinaram uma carta aberta à Unesco argumentando que o acesso público para a caverna de Altamira “põe em perigo um legado frágil de grande importância para a compreensão da sociedade Paleolítica”. O alerta vem apenas um ano depois que um dos locais históricos mais importantes da Espanha foi reaberto ao público.

Uma pesquisa sugeriu que o acesso estritamente limitado do público não prejudicaria a caverna, o que levou à decisão do Ministério da Cultura espanhol de reabrir. Mas isso foi um erro, na opinião de peritos de Madri.

“A ação tomada pelo Ministério da Cultura espanhol é uma clara ameaça à sua conservação”, diz a carta. “Acreditamos que a Unesco e outras organizações internacionais dedicadas à preservação do patrimônio cultural devem tomar nota dos perigos que as decisões políticas representam para a conservação de Altamira.”

Especialistas acreditam que os desenhos – entre os mais antigos já encontrados – representam alguns dos exemplos mais bem preservados do período Paleolítico superior, que começou há cerca de 50 mil anos atrás. A descoberta em 1879 é creditada a um arqueólogo amador, embora tenha sido relatado que na verdade foi sua filha mais nova que encontrou os desenhos de animais selvagens e de mãos humanas enquanto estava brincando. Com técnicas de datação, cientistas estimam que algumas das obras têm mais de 36 mil anos.

Ao longo dos anos, o acesso do público ao local sempre foi controverso. Nos anos de 1960 e 1970, os especialistas repetidamente alertaram que grandes grupos de turistas danificaram as pinturas, até mesmo pela respiração, e o acesso do público terminou em 1977. Cinco anos depois, com controles rígidos, o que levou a uma lista de espera de três anos, e em 2001 uma réplica da gruta foi construída por aqueles que não queriam esperar tanto.

Em 2002, turistas foram novamente impedidos de visitar Altamira, mas uma pesquisa por especialistas em 2011 concluiu que qualquer dano aos desenhos causados pelo acesso à caverna já havia ocorrido. O Ministério da Cultura criou um sistema de loteria, o que permitiu que pequenos grupos visitassem o local por um pouco mais de meia hora a uma hora.

Agora a diretoria de curadores da caverna deve decidir se essa decisão foi equivocada. Em declarações ao jornal espanhol “El País”, no ano passado, o diretor de longa data da caverna, José Antonio Lasheras, disse: “A missão da gestão é regular a conservação e o uso adequado das cavernas, e pode ser que o que já foi considerado apropriado não é mais assim, e vice-versa. Propus fechar a caverna em 2002 e assumir a responsabilidade pelo atual regime de visita pública”.



Fonte: O Globo



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