Notícias

Censo de população de bichos-preguiça em bosque de Campinas tem chips e até unhas pintadas

Compartilhe:     |  9 de setembro de 2019

O Bosque dos Jequitibás, em Campinas (SP), está fazendo um mapeamento para descobrir quantos são e como vivem os bichos-preguiça na área de dez hectares do parque público. Os veterinários já descobriram que na reserva florestal vivem pelo menos dez animais. Eles se tornaram uma das grandes atrações para os visitantes, já que vivem no topo das árvores.

O mais curioso é que além de pesar, medir o comprimento das unhas das patas, dos pés e de outros membros como a cabeça e o tórax, os pesquisadores colocam um microchip para o monitoramento das informações destes mamíferos, mas o dispositivo não tem a função de localizá-lo.

Bicho-preguiça no Bosque dos Jequitibás em Campinas.  — Foto: Equipe Técnica do Zoológico do Bosque

Bicho-preguiça no Bosque dos Jequitibás em Campinas. — Foto: Equipe Técnica do Zoológico do Bosque

Outra medida adotada pela equipe é pintar as unhas da pata esquerda das preguiças. Desta forma, fica mais fácil identificá-las na mata fechada.

Essa técnica é usada para facilitar a visualização da preguiça e não causa nenhum mal ao animal. Cada uma delas tem uma cor de unhas, para diferenciá-las de longe. Uma das preguiças teve suas unhas pintadas de rosa.

Bicho-preguiça passa por biometria no Bosque dos Jequitibás.  — Foto: Equipe Técnica do Zoológico do Bosque

Bicho-preguiça passa por biometria no Bosque dos Jequitibás. — Foto: Equipe Técnica do Zoológico do Bosque

Não é fácil encontrar o bicho-preguiça no parque. Eles costumam viver no alto das árvores e descem somente uma vez por semana, para fazer suas necessidades ou para nadar quando o local tem rio. Mesmo assim, muitos visitantes tem esperança de ver o bicho e percorrem o parque para encontrá-los.

Pelo menos duas das preguiças do bosque estão com crias recentes, segundo os veterinários e biólogos do parque. Há algumas semanas uma delas desceu com o filhote e foi visto por muitos dos frequentadores do bosque.

A melhor época para vê-los de perto é no verão ou em dias quentes e ensolarados. Em dias frios e nublados é difícil encontrá-los, sem ser em cima das árvores.

Bicho preguiça no Bosque dos Jequitibás, em Campinas — Foto: Luciano Calafiori/G1

Bicho preguiça no Bosque dos Jequitibás, em Campinas — Foto: Luciano Calafiori/G1

Comportamento do bicho-preguiça

Apesar de aparentar ser um animal dócil, o bicho-preguiça apresenta sinais de estresse, segundo os veterinários.

Douglas Presotto, médico veterinário e responsável técnico pelo Zoológico do Bosque dos Jequitibás, conta que as unhas da preguiça atuam como garras e podem machucar alguém.

“Como as pessoas não conhecem o comportamento, vão muito pela feição. Quando fazemos o resgate, amarramos a garra. Se ela pegar alguém, não solta mais e pode causar uma lesão grave”, alerta.

Fugas

Apesar de viverem soltas no bosque, é comum fugas de preguiças. Em fevereiro, um dos animais fugiu pela quarta vez do Bosque dos Jequitibás e mobilizou até o Corpo de Bombeiros de Campinas. O animal estava em uma galho, que precisou ser cortado.

Segundo Presotto, é difícil apontar o motivo destas fugas. O médico veterinário afirma que os animais têm necessidade de explorar o território, sendo assim, isso pode motivá-los a explorar o ambiente, além do espaço do bosque, localizado em uma área urbana da metrópole de 1,1 milhão de habitantes.

Bombeiro precisou cortar o galho onde estava o bicho-preguiça — Foto: Ricardo Custódio/EPTV

Bombeiro precisou cortar o galho onde estava o bicho-preguiça — Foto: Ricardo Custódio/EPTV

O último resgate realizado foi há duas semanas, quando um animal caiu no lago do Bosque dos Jequitibás. Após o resgate, o animal foi analisado pelos veterinários e constatado que não sofreu nenhum ferimento. Ele recebeu o chip de monitoramento e também teve as garras pintadas.

Mag Zecchin, estagiária de biologia do Bosque dos Jequitibás medindo uma das preguiça.   — Foto: Equipe Técnica do Zoológico do Bosque

Mag Zecchin, estagiária de biologia do Bosque dos Jequitibás medindo uma das preguiça. — Foto: Equipe Técnica do Zoológico do Bosque

Nos últimos três anos foram feitos pelo menos 20 resgates. Douglas Presotto conta que muitas vezes os resgates dos animais não são simples. Quando estão em uma árvore muito alta, por exemplo, é necessário solicitar a ajuda dos bombeiros.

“Para fazer o resgate é preciso de um tratador que saiba manejar o animal. Ele tem que ser pego por trás, por baixo, pelas axilas, ou pela pele que tem no pescoço. Normalmente colocam algum galho porque o instinto dela é agarrar”.

Características

  • Espécie do bosque: três dedos (bradypus pygmaeus)
  • Tamanho: aproximadamente 60 centímetros
  • Peso: de 4 a 6 quilos
  • Cor: cinza claro com manchas pretas, marrom ou branca
  • Alimentação: folíveros; se alimentam de folhas e brotos de árvores específicas
  • Tem o nome de bicho-preguiça devido seu metabolismo mais lento que os demais mamíferos
  • Possuem o corpo leve e adaptado a quedas
  • Demoram cerca de dez minutos para subir em uma árvore


Fonte: G1 Campinas e Região - Nicole Silveira



Leia também:

Projetos ambientais
Aqui você é o Reporter

Espaço Animal

Considere aspectos individuais antes de sacramentar vínculo com animal de estimação

Leia Mais