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Centros de doação de sangue canino e felino operam com baixos estoques

Compartilhe:     |  19 de outubro de 2014

É dia de doar sangue no 1º Batalhão de Guardas do Exército, em São Cristóvão. Drago se acomoda calmamente sobre a maca e deixa que espetem, sem resistência, a agulha de coleta na sua pele. Bastam cerca de cinco minutos para que a bolsa de armazenamento esteja completamente cheia. Drago é um rottweiler de 5 anos, integrante da seção de cães de guerra do batalhão, onde 12 deles doam sangue rotineiramente.

Ainda desconhecida por muita gente, a coleta de sangue de cães e gatos salva animais vítimas de neoplasias e doenças renais, além de ajudar em cirurgias. No Rio, há pelo menos três centros que fazem esse trabalho. Mas a tarefa não é nada fácil. Chovem demandas, e faltam doadores.

Situado em Vila Isabel, o Hemoterapet é um dos lugares dedicados à prática. Para dar conta da demanda, os veterinários fazem parcerias com canis, donos de animais e entidades, como o Exército, onde Drago é um dos doadores. Atualmente, no caso dos cães, eles conseguem uma média de 50 bolsas de sangue por mês. Mas a demanda é de, pelo menos, 60.

— Cada bolsa pode durar até um mês no estoque. Geralmente não fica mais do que dois dias. Quando chega, já há demanda — conta o veterinário e biólogo Bernardo Paiva, um dos responsáveis pelo centro.

Para fazer a doação, o cão tem que estar com a vacinação em dia, vermifugado, ter de 1 a 8 anos e pesar, pelo menos, 25 quilos. Além disso, os veterinários fazem uma série de exames para atestar a saúde do animal. Os proprietários dos animais doadores não pagam por eles — ou seja, doar sangue do seu bicho pode ser uma boa oportunidade de saber que a saúde dele está O.K.

Cada cão pode fazer até seis doações por ano, com o intervalo mínimo de dois meses. A coleta é feita de forma rápida e simples e pode ser executada na casa onde ele vive.

Bernardo diz também que os cães têm 13 tipos de sangue, mas um mesmo animal pode ter até cinco deles.

GATOS SÃO MAIS RAROS

Com os gatos, a situação é mais complexa. Os trabalhos precisam ser feitos exclusivamente num centro veterinário, e, na grande maioria dos casos, é necessário sedá-los. Por isso, os criadores tendem a ser mais resistentes à doação. Além disso, aluns tipos sanguíneos são mais raros. Em função desses fatores, os estoques são baixíssimos.

— No caso dos gatos, temos 15 pedidos de sangue por mês e não conseguimos atender nem a três deles — afirma Bernardo.

O professor universitário e veterinário Miguel Ângelo da Silva Medeiros também atua na captação de sangue de animais, à frente da Someve, sediada na Tijuca, cujo trabalho também depende da boa vontade dos criadores. Segundo ele, há muito chão pela frente no que diz respeito ao atendimento da demanda. Ainda há animais que morrem por não conseguir o sangue a tempo. Mas a boa notícia é que o ramo vem passando por avanços.

— Muita gente desconhece nosso trabalho. Mas, quando descobre, acaba aderindo — comenta. — Nos últimos anos, a medicina veterinária transfusional avançou muito. Vejo, por exemplo, que mais alunos estão interessados. É um ramo que ainda tem muito a crescer. Nossa perspectiva é igualar ao que é feito com os humanos.



Fonte: Extra



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