Projetos Ambientais

Cepal escolhe projeto da Embrapa entre os mais transformadores para a sustentabilidade

Compartilhe:     |  20 de junho de 2020

Sistemas agroflorestais estão entre as tecnologias previstas no Projeto Tipitamba (Sabrina Gaspar/Embrapa)

Um projeto desenvolvido na região amazônica pela Embrapa há quase três décadas foi selecionado entre os de maior potencial para impulsionar a sustentabilidade ambiental no país. O Tipitamba, voltado para orientar produtores familiares a adotar práticas sustentáveis, está entre as 15 propostas selecionadas pelo Big Push Ambiental no Brasil da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), braço da Organização das Nações Unidas (ONU). Com isso, o trabalho passou a compor a publicação “Investimentos transformadores para um estilo de desenvolvimento sustentável: estudos de casos de grande impulso (Big Push) para a sustentabilidade no Brasil”.

O Tipitamba nasceu em 1991 propondo viabilizar um futuro sustentável aos produtores familiares da Amazônia, por meio do manejo sustentável da mata secundária, a capoeira, no preparo da área para plantio e no pousio. Essa vegetação deu nome ao projeto. Tipitamba, na língua dos índios Tyriós, significa vegetação secundária, exatamente as áreas que eram tradicionalmente derrubadas e queimadas para o plantio, principalmente, das culturas de mandioca.

Além de ambientalmente mais sustentáveis, as tecnologias passadas aos produtores familiares se mostraram mais rentáveis que os métodos anteriores, melhorando a qualidade de vida dessas populações. As ações do Tipitamba envolvem transferência de tecnologias voltadas a recuperação de áreas alteradas, redução do uso de agrotóxicos, transição produtiva agroecológica, sistemas agroflorestais, diversificação da produção agrícola, segurança e soberania alimentar, melhoria da renda, mitigação dos impactos ambientais e o compartilhamento de conhecimento entre todos os atores envolvidos.

O projeto teve início quando a Embrapa Amazônia Oriental (PA) assinou uma cooperação técnico-cientifica com as universidades alemãs de Göttingen e de Bonn por meio do programa Studies of Human Impact on Forest and Floodplains in the Tropics (Shift). Ao longo dos anos, o Tipitamba transformou-se em uma rede mantendo o objetivo de propor alternativas tecnológicas, socioeconômicas e ambientalmente sustentáveis para a agricultura familiar amazônica.

A pesquisadora da Embrapa Tatiana Sá, uma das idealizadoras do projeto, se emocionou com a seleção e considera que o reconhecimento se deu por causa de seu pioneirismo e pela trajetória continuada. “Nossa atuação aborda, ao longo dos anos, em caráter multidisciplinar e interdisciplinar, temas associados às diversas dimensões da sustentabilidade, como a formação de pessoal, em vários níveis, e a preocupação com formulação e aplicação de políticas públicas”, explica a cientista.

O artigo científico que permitiu à experiência paraense figurar entre os 15 mais do Big Push Sustentabilidade da Cepal foi intitulado “Projeto Tipitamba – Transformando paisagens e compartilhando conhecimento na Amazônia”. “Esse resumo diz muito sobre a própria evolução e transformação do projeto,” lembra o pesquisador Osvaldo Kato.

“O aprendizado é que é possível viver essa transformação, com trabalhos de longa duração, promovendo ações de desenvolvimento territorial sustentável para pequenas e médias propriedades na Amazônia. Tipitamba é a prova de que o sonho da sustentabilidade é realizável”, enfatiza Kato.

A mudança responsável pelo sucesso do programa, de acordo com o cientista, é a valorização do conhecimento do agricultor, o que possibilita que ele seja o agente da transformação. “De produtor para produtor, com a pesquisa atuando como mediadora, sistematizando processos e tecnologias, é mais fácil fazer a inovação chegar aos produtores e ser aceita por eles”, pondera o pesquisador, ressaltando que a participação do produtor continua sendo uma das características mais fortes do projeto.

A seleção

Foram inscritas 131 experiências e projetos. Destes, 66 foram selecionados e incluídos no Repositório de casos sobre o Big Push para a Sustentabilidade no Brasil. Além de figurar nesse grupo, o projeto desenvolvido pela Embrapa ainda se classificou entre os 15 estudos de casos mais transformadores.

De acordo com a Cepal, para integrar essa última lista, os projetos precisavam comprovar indicadores reportados nas dimensões social, econômica e ambiental, além de se submeterem à análise dos vínculos do caso estudado com o Big Push para a Sustentabilidade e com a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. Foram escolhidos trabalhos que apresentam uma abordagem renovada para apoiar os países da região na construção de estilos de desenvolvimento mais sustentáveis e baseados na coordenação de políticas de promoção de investimentos transformadores. “Unindo teoria e prática, esses casos ilustram as amplas possibilidades para a realização de investimentos sustentáveis em várias práticas e tecnologias sustentáveis (desde sistemas agroflorestais até o desenvolvimento da indústria eólica) e por meio de uma rica pluralidade de medidas, políticas, arranjos de governança, fontes de financiamento e escalas de atuação”, ressalta o texto oficial da Cepal.



Fonte: Dom Total



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