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Cientista alerta para riscos do desmatamento, mas ainda espera ‘virada ambiental’

Compartilhe:     |  24 de agosto de 2019

O cientista Paulo Moutinho, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), afirmou em entrevista ao blog que a combinação entre um período de grande seca e ações humanas de desmatamento é altamente destrutiva para o meio ambiente.

Segundo o especialista, que estuda as causas do desmatamento na Amazônia e suas consequências para a biodiversidade, mudança climática e os habitantes da região, o Brasil está no exato momento em que deve-se trabalhar em prol de reverter o processo de desmatamento da Amazônia.

Muito embora o momento seja preocupante, o pesquisador vê com otimismo uma possível “virada ambiental”.

“Ainda temos 80% da floresta em pé. Embora tenha muita degradação nessa floresta, a gente ainda consegue reverter todo esse processo”, afirma Moutinho, deixando claro, contudo, a pressa que o atual momento de crise exige.

“A natureza está dando um claro aviso de que, se permanecermos nessa rota do desmatamento, os primeiros a perderem são os próprios brasileiros”, diz o especialista ao se referir ao fenômeno do “dia vira noite”, registrado na cidade de São Paulo.

Para Moutinho, que é doutor em ecologia, as consequências da atual crise ambiental poderiam ser ainda piores se a seca estivesse tão grande quanto já esteve em outros anos.

O ecologista lembra do ano de 2004, quando houve um grande registro de incêndios florestais – especialmente aqueles em que se queima a área derrubada para fazer a limpeza, mas o fogo escapa e vai para áreas de floresta intacta. Naquele ano, explica, o pico de desmatamento associado a um longo e intenso período de seca na região Amazônica foi catastrófico.

Direitos humanos

Moutinho alerta ainda para um outro efeito colateral do desastre ambiental. Para ele, essa combinação de um clima cada vez mais seco na Amazônia, devido à mudança climática global, associado a muito desmatamento, traz como consequência também uma perda no contexto dos direitos humanos.

Essa mudança entre relações, segundo o especialista, transforma tão drasticamente as relações humanas com a natureza na região que se começa a ameaçar os direitos básicos das pessoas, como o direito a um clima equilibrado e, consequentemente, à saúde.

O pesquisador lembra que, durante o ano de 1998, que foi um ano de muita seca e desmatamento na Amazônia, gastou-se no país US$ 15 milhões só tratando problemas respiratórios na Amazônia.



Fonte: G1 - BLOG DO MATHEUS LEITÃO



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