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Cientistas acreditam que a direção da corrente do rio mudou no passado

Compartilhe:     |  20 de julho de 2014

Com os Andes na região oeste do continente, parece lógico que os rios sul-americanos corram para o leste. Contudo, há mais de dez milhões de anos, a maior parte do que hoje é a Bacia Amazônica foi drenada por um rio que corria para o oeste em um lago gigante que estava aos pés da Cordilheira dos Andes do norte. De lá, a água corria para o norte do Mar do Caribe e, uma vez que o Istmo do Panamá ainda não tinha forma, esta água era arrastada para o oeste no Pacífico.

Mudar a direção de um rio não é trabalho fácil, ainda mais quando falamos do Rio Amazonas, o mais largo do planeta. Apesar de muitos ainda tentarem entender o que pode ter acontecido, um cientista da USP pode ter achado a solução. O trabalho de Dr. Victor Sacek foi publicado na Earth and Planetary Science Letters, onde demonstra que apenas a erosão pode explicar essa enorme mudança.

E como inclinar um continente inteiro parece muito trabalhoso, muitos geólogos haviam especulado que isso teria sido causado por mudanças dentro do manto da Terra, talvez resultante do desmembramento da África e da América do Sul.

Sacek, por outro lado, mostra que o aumento dos Andes como a placa Sul-americana sobre a Placa de Nazca pode explicar o processo no prazo adequado. Outro ponto abordado pelo pesquisador é que o crescimento das montanhas teria colaborado com isso, já que por interceptam as nuvens carregadas de chuva, causando maior erosão.

Ou seja: muito tempo atrás o rio conseguia correr de maneira mais livre, mas como a erosão e as áreas alagadas aumentaram, isso se tornou impossível. A grande quantidade de terra, então, fez com que o curso do rio retornasse, já que não tinha mais para onde ir.

Esse modelo combina com a observação de que os sedimentos depositados na foz do Amazonas aumentaram durante o período de seu fluxo em direção ao leste. No início, quando as fontes da Amazônia eram relativamente planas, grande parte do sedimento foi despejado na boca do rio, sendo retirado apenas eras mais tarde

Sacek admite, no entanto, que seu modelo “não consegue reproduzir totalmente a evolução espacial e temporal do sistema em relação aos dados geológicos”, e afirma que ainda há muito trabalho pela frente.



Fonte: Revista Galileu



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