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Cientistas brasileiros querem desenvolver ‘tomate apimentado’

Compartilhe:     |  9 de janeiro de 2019

“Primos” separados por 19 milhões de anos de evolução, os tomates e as pimentas podem ser novamente reunidos usando as novas técnicas de edição genética, afirmam cientistas brasileiros em um artigo de opinião publicado nesta segunda-feira no periódico científico “Trends in Plant Science”. Segundo os pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV), mais que criar uma nova tendência culinária, o “tomate apimentado” permitiria produzir em escala comercial capsaicinoides, compostos responsáveis pelo “ardor” das pimentas com propriedades nutricionais e antibióticas, além de serem usados na fabricação de analgésicos e sprays de pimenta defesa pessoal e controle de multidões.

– Introduzir a via genética dos capsaicinoides nos tomates tornaria mais fácil e barato produzir estes compostos, que têm aplicações muito interessantes – defende Agustin Zsögön, biólogo de plantas da UFV cujo grupo de pesquisas já está trabalhando com este objetivo . – Temos ferramentas poderosas suficientes para alterar o genoma de qualquer espécie. O desafio agora é saber que gene introduzir e aonde.

Com o último ancestral comum nascido na Terra há cerca de 19 milhões de anos, tomates e pimentas tomaram caminhos evolucionários diferentes, mas ainda compartilham parte de seu DNA. Enquanto o tomate se transformou em uma fruta suculenta e relativamente fácil de ser produzida, a pimenta partiu para a defensiva, desenvolvendo os capsaicinoides para espantar predadores.

O ardor gerado pelos capsaicinoides não é um sabor, mas uma reação à dor. Estes compostos ativam células nervosas na língua que respondem à dor gerada pelo calor, que o cérebro interpreta como uma queimação. Existem pelo menos 23 diferentes tipos de capsaicinoides, que são produzidos no interior dos bagos de pimenta. O ardor das pimentas é determinado pelos genes que regulam a fabricação de capsaicinoides , com as pimentas mais “amenas” apresentando mutações que afetam este processo. Trabalhos prévios de sequenciamento genético mostraram que os tomates têm os genes necessários para a produção de capsaicinoides, mas não a “maquinaria” celular para ativá-los.

– Em tese poderíamos usar estes genes para produzir capsaicinoides nos tomates – diz Zsögön. – Mas como não temos dados sólidos sobre os padrões de expressão (isto é, de ativação genética) da via dos capsaicinoides nos tomates, precisamos tentar abordagens alternativas. Uma delas é ativar genes candidatos um de cada vez e ver o que acontece, que compostos são produzidos. Estamos tentando isso e algumas outras coisas.

O sequenciamento do genoma das pimentas e a descoberta que os tomates têm os genes necessários para produzirem capsaicinoides abrem caminho para a criação do “tomate apimentado”. Segundo os cientistas brasileiros, este trabalho não só ajuda a entender a evolução deste traço evolutivo único das plantas e fazer dos tomates “biofábricas” de capsaicinoides como talvez também levar novas variedades da fruta para as gôndolas dos supermercados, embora este não seja seu foco principal.



Fonte: Extra



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