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Cientistas criam alternativa sustentável para substituir carne

Compartilhe:     |  28 de setembro de 2020

Cientistas criam alternativa sustentável para substituir soja e proteína animal

proteína verde promete revolucionar nossa relação com a comida. Cientistas e empresas estão unidos para frear os impactos ambientais causados pela produção de alimentos que servem como fontes de proteína, como a soja e a carne. Feita com dióxido de carbono retirado do ar, a proteína verde é uma opção sustentável para substituir as fontes atualmente disponíveis, como mostra artigo publicado no Chemical & Engineering News, revista semanal da American Chemical Society.

Com o aumento de pessoas aderindo ao vegetarianismo e à dieta vegana, o consumo de proteínas sem carne é uma tendência mundial. Além disso, estudos indicam que processos que utilizam o ar para obtenção de proteína exigem menos tempo, terra e água quando comparados às opções que temos hoje. Especialistas também afirmam que a biomassa feita com fermentação gasosa, que contém até 70% de proteína, pode reduzir muito as emissões de gases de efeito estufa.

Embora a meta seja produzir proteínas saudáveis ​​e ecologicamente corretas para consumo humano, as empresas estão testando a eficácia do projeto na criação de rações para animais, o que também pode reduzir as emissões de gases de efeito estufa pela agricultura e uso da terra.

Uma nova era na produção de alimentos

Hoje, o alto custo dessa tecnologia ainda é uma barreira para o uso de hidrogênio e dióxido de carbono do ar na produção de proteínas. Mas especialistas acreditam que a superação desses fatores pode levar a uma nova era na produção de alimentos.

A produção de uma proteína verde, sem pesticidas ou fertilizantes e sem impacto sobre o meio ambiente, parece fantasiosa. Algumas start-ups, porém, afirmam que isso tudo será possível em apenas alguns anos.

É o caso da finlandesa Solar Foods, que pretende ser uma das primeiras empresas a tornar a proteína derivada do ar uma realidade comercial. A start-up está desenvolvendo um processo que combina hidrogênio verde, feito a partir da eletrólise da água movida a eletricidade renovável, com nitrogênio e CO2 do ar. Essa mistura é alimentada em um tanque de fermentação e usada para alimentar as bactérias produtoras de proteínas.

Pelo menos três outras empresas europeias – Avecom, Calidris Bio e Deep Branch Biotechnology – também estão desenvolvendo processos que usam hidrogênio verde para produzir alimentos. A Solar Foods, no entanto, parece estar à frente do grupo. A inauguração de sua fábrica está prevista para 2022.

A Avecom, uma pequena empresa belga, tem trabalhado com o KWR Water Research Institute nos últimos 5 anos para fermentar hidrogênio verde, oxigênio e CO2 residual em proteína.

Atualmente, a empresa mantém uma unidade de demonstração que produz um quilo de proteína por dia. Ela está trabalhando com a Flanders Food, uma organização da indústria belga, para direcionar sua proteína para aplicações em alimentos humanos.

Expectativas e desafios

Estudo de 2018 publicado na revista Science of the Total Environment prevê que a área de cultivo, as perdas de nitrogênio das terras de cultivo e as emissões de gases de efeito estufa agrícolas podem ser reduzidas em 6, 8 e 7%, respectivamente, se as tecnologias de proteína verde forem amplamente implantadas. Evitar a aplicação de fertilizantes já traria enormes benefícios ambientais e econômicos em comparação com os métodos de cultivo padrão, de acordo com a pesquisa. Outro benefício de fazer proteína verde é que a abordagem pode ser rapidamente ampliada com uma pegada mínima em terra.

Embora algumas das empresas já tenham mostrado que podem produzir proteína comestível – e até saborosa – em laboratório, elas ainda precisam provar que são capazes de competir no mundo real contra a indústria da soja e da carne, por exemplo. Se os processos puderem superar o desafio do custo, a oportunidade de mercado será enorme.

A produção em massa de proteína verde está sendo precedida por uma nova onda dos chamados “processos de fermentação de precisão” para obter proteínas a partir do amido e do açúcar. Embora a aceitação pública da proteína de bactérias ainda tenha de ser testada, as proteínas feitas por fermentação de precisão podem facilitar o caminho. Uma série de empresas já está começando a converter amidos e açúcares em proteínas para substituir a carne.

Se as empresas que produzem proteína verde forem capazes de comercializar seus produtos pelo preço certo, o mercado deve estar preparado para aceitar que, hoje, já é possível produzir alimentos sem crueldade animal e com impacto ambiental reduzido.



Fonte: Equipe Ecycle - Phys.org -  Chemical & Engineering News



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