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Cientistas descobrem bactéria que se alimenta de poliuretano

Compartilhe:     |  3 de abril de 2020

Uma bactéria que se alimenta de plástico tóxico foi descoberta por cientistas na Alemanha. Ela não só quebra o material como usa seus componentes como alimento para potencializar o processo.

O microrganismo foi descoberto em um depósito de lixo e é a primeira bactéria conhecida com a capacidade de quebrar o poliuretano.

Milhões de toneladas deste plástico são produzidas por ano para a fabricação de tênis esportivos, esponjas de limpeza, fraldas e espuma de isolamento – a maior parte acaba sendo destinada a aterros sanitários por causa da dificuldade em se reciclar o material.

Quando o poliuretano é quebrado, ele pode liberar elementos tóxicos e cancerígenos que matam a maior parte das bactérias, mas o microrganismo descoberto sobrevive a este processo.

É só o começo

Os pesquisadores já identificaram a bactéria e estão estudando suas características, mas ainda existe muito trabalho pela frente antes que a descoberta possa contribuir para o tratamento de grandes quantidades de resíduos.

“Esta descoberta representa um grande passo na possibilidade de reuso e reciclagem de produtos a base de poliuretano”, explica Hermann Heipieper, do Centro de Pesquisas Ambientais de Helmholtz, na Alemanha. No entanto, o pesquisador afirma que pode levar até 10 anos para que a bactéria seja usada em larga escala e que é fundamental que se reduza a produção e o uso de plásticos neste momento.

Mais de 8 bilhões de toneladas de plástico foram produzidas desde os anos 50 e grande parte deste resíduo se transformou em poluição – cientistas afirmam que esta é uma ameaça de dano irreversível ao meio ambiente.

Bactérias super resistentes

O estudo sobre a nova bactéria foi publicado no periódico  Frontiers in Microbiology e identifica uma nova espécie de Pseudomonas bacteria, microrganismos conhecidos por se manter em condições extremas como altas temperaturas ou ambientes ácidos.

Os cientistas alimentaram as bactérias em laboratório com componentes do poliuretano. “Descobrimos que a bactéria pode usar estes componentes como fonte de carbono, nitrogênio e energia”, atesta Heipieper.

Fungos já haviam sido usados para quebrar o poliuretano, mas as bactérias são muito mais fáceis de manipular para fins industriais. Segundo Heipieper, o próximo passo é identificar o Código genético das enzimas produzidas pelas bactérias para quebrar o poliuretano.

Evitar o plástico continua sendo o melhor caminho

Em 2018, cientistas criaram acidentalmente uma enzima mutante capaz de quebrar o plástico usado em garrafas PET, o que criou a possibilidade de tornar este material 100% reciclável. O Professor John McGeehan, diretor do Centro de Estudos de Enzimas da Universidade de  Portsmouth na Inglaterra esteve envolvido nesta descoberta há 2 anos e hoje comemora o novo estudo publicado.

“Ainda existe muito trabalho pela frente, mas esta descoberta é muito importante. Entender e manipular este processo pode abrir a porta para inovações necessárias na reciclagem de plástico”, explica John.

Por sua vez, Heipieper alerta para o fato de que o uso das bactérias para quebrar e reciclar o poliuretano não é a solução completa para este grave problema ambiental. “O principal caminho é evitar que o plástico seja lançado no meio ambiente”, garante o cientista.



Fonte: CicloVivo - Natasha Olsen



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