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Cientistas descobrem buraco negro tão grande que desafia atuais teorias

Compartilhe:     |  28 de fevereiro de 2015

Um buraco negro gigantesco descoberto nas profundezas do Universo está intrigando os cientistas. Com massa estimada em 12 bilhões de vezes a do Sol, ele alimenta um quasar – os mais “brilhantes” objetos do céu, na verdade resultado da radiação liberada por buracos negros supermaciços como este enquanto consomem o material ao seu redor no centro de galáxias distantes – localizado a 12,8 bilhões de anos-luz da Terra, o que significa que vemos como estava apenas 900 milhões de anos após o Big Bang, a grande explosão que se acredita ter dado origem ao nosso Universo, há cerca de 13,7 bilhões de anos. Isso faz com que ele seja grande demais para as atuais teorias sobre como estes objetos crescem, já que de acordo com elas não poderia ter acumulado tanta massa em tão pouco tempo. A título de comparação, o buraco negro no centro da Via Láctea, a nossa galáxia, é 4 mil vezes menor, com massa de cerca de 3 milhões de vezes a do Sol.

– A descoberta deste quasar ultrabrilhante representa um grande quebra-cabeça para as teorias sobre o crescimento de buracos negros no Universo primordial – destaca Xiaohui Fan, professor da Universidade do Arizona, nos EUA, e um dos integrantes da equipe de astrônomos que encontrou o objeto. – Como buracos negros supermaciços como este puderam crescer tão rápido quando o Universo ainda era tão jovem? Qual a relação entre este buraco negro monstruoso e o ambiente em seu entorno, incluindo a galáxia que o abriga? Este quasar ultrabrilhante com um buraco negro de 12 bilhões de massas solares é um laboratório único para o estudo de como a massa se organiza e as galáxias se formam em torno de buracos negros no Universo primordial.

À medida que o buraco negro, batizado SDSS J0100+2802, consome a matéria à sua volta, se forma em torno dele o que os astrônomos chamam de “disco de acreção”, uma enorme nuvem que vai ficando superaquecida à medida que seu material é acelerado em direção ao chamado horizonte de eventos, a fronteira a partir da qual a gravidade do buraco negro é tão forte que nem a luz consegue escapar. Desta forma, a nuvem passa a emitir tanta radiação que “empurra” o material para longe do buraco negro, o que pelas teorias atuais limitaria sua taxa de crescimento. No caso deste quasar, esta emissão equivale a 420 trilhões de vezes a energia liberada pelo Sol.

– Apesar disso, este buraco negro no centro do quasar acumulou uma quantidade enorme de massa em um período de tempo muito curto – diz Fuyan Bian, pesquisador da Universidade Nacional da Austrália e outro integrante da equipe de astrônomos responsável pela descoberta, relatada em artigo publicado na edição desta semana da revista “Nature”. – A formação de um buraco negro grande assim tão rapidamente é difícil de interpretar sob a luz das teorias atuais.



Fonte: O Globo - Cesar Baima



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