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Cientistas descobrem relação de abelhas com a sobrevivência das flores

Compartilhe:     |  30 de maio de 2020

É inegável a importância das abelhas para a sobrevivência de todas as espécies e pesquisadores não param de descobrir coisas incríveis sobre elas. Um estudo recente aponta que esses insetos fazem buracos nas folhas de plantas para obrigá-las a florescerem mais rápido e assim fornecer alimento para as abelhas.

Mas isso nem sempre foi assim. O ciclo de reprodução da flores ocorria em equilíbrio com o período de hibernação das abelhas, mas com as mudanças climáticas, ela começaram a acordar mais cedo e buscar alimento. Para não morrer de fome, as abelhas encontram formas de reprogramar a natureza para sobreviver.

Cientistas apontam que esse comportamento “pode ter fortes efeitos no tempo da floração e pode ter implicações ecológicas importantes, inclusive para a resiliência das interações entre plantas e polinizadores”. Isso indica que as abelhas estão alterando ciclos para reequilibrar a natureza.

Lockdown e redução da poluição

O confinamento social e a paralisação de boa parte das atividades humanas está trazendo alívio para diversas espécies, incluindo para os insetos mais ameaçados do mundo: as abelhas. Especialistas apontam que as populações desses animais estão apresentando recuperação devido a redução da taxas de poluição em meio à pandemia.

Enquanto muitos seres humanos são forçados a ficar em casa, a vida das abelhas ficou um pouco mais fácil. Cientistas afirmam que a poluição atmosférica dificulta a forragem das abelhas. Com menos carros na estrada, há menos fumaça, o que significa maior eficiência no processo forrageiro.

Informações dadas pela BBC apontam que a fumaça dos carros pode reduzir a “força e longevidade dos aromas florais”, o que força abelhas a voarem para locais afastados para buscar alimento para a colmeia e seus filhotes, o que as colocam diretamente em risco de morte.

Em uma entrevista exclusiva à BBC, o professor de ecologia evolutiva Mark Brown disse que “em um mundo com menos poluição do ar, as abelhas podem fazer viagens de compras curtas e mais lucrativa”, explicou o especialista, que acredita que essa economia de energia traz benefícios para a população.

Outro ponto positivo que beneficia as abelhas é o florescimento de espécies da flora selvagem em diversos pontos, incluindo em centros urbanos. Além de encher as cidades de cor e beleza, elas também estão atraindo, ainda que timidamente, a presença de abelhas.

Visões otimistas acreditam que isso pode significar uma recuperação da população de abelhas. As flores fornecem às abelhas néctar e pólen gratuitamente, enquanto animais espalham novas sementes que ajudam fecundar outras plantas.

Segundo a organização Plantlife, muitas cidades dispõem de verbas para dizimar plantas silvestres em meio urbanos para não prejudicar construções ou não “sujar” as cidades. Com a contensão de recursos trazida pelo coronavírus, esses serviços foram paralisados e deram às flores a oportunidade de crescer.

A Plantlife afirma ainda que além de abelhas, o aumento no número de plantas também beneficia diversas outras espécies como borboletas, pássaros, morcegos e uma gama imensa de insetos que dependem naturalmente de plantas silvestres para sobreviver.

Abelhas

Apesar de ainda estar longe da extinção, a população de abelhas está diminuindo rapidamente, caindo incríveis 89% entre 2007 e 2016. A queda é preocupante, principalmente considerando que elas desempenham um papel fundamental na polinização das plantas do mundo.

Sem as abelhas, agricultores teriam dificuldade em produzir alimentos básicos, como frutas e legumes. Uma única colônia pode polinizar 300 milhões de plantas por dia. A espécie está sob ameaça em todos os países do mundo, mas principalmente nos Estados Unidos. Apenas no inverno passado, cerca de 40% das colônias morreram no país.

A principal razão é a perda de habitat, seja para a agricultura ou devido a urbanização. Mudanças climáticas e fertilizantes também são grandes fatores, assim como vírus (as abelhas não possuem defesas naturais contra).

Se elas desaparecessem por completo da face da Terra, provavelmente haveria um aumento considerável na fome do mundo, além da perda permanente de alguns alimentos, como o mel, algumas nozes e feijões.

Os animais também sofreriam, sem as plantas polinizadas como fonte de alimento. Muitos medicamentos dependentes das plantas também não poderiam mais ser fabricados.

Algumas regiões estão se movendo para proteger os insetos. A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos proibiu o uso de pesticidas ligados à exterminação das abelhas. A Europa adotou medidas semelhantes.

Startups também estão tomando atitudes para ajudar. A SeedLabs, por exemplo, na Califórnia, criou um alimento especial para as abelhas, com probióticos para impulsionar o sistema imunológico delas.

Segundo o Daily Mail, pessoas também podem ajudar plantando flores ricas em pólen e néctar, não atacar as abelhas quando se aproximarem e educar as outras pessoas sobre a importância delas.



Fonte: Anda



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